devendo ser realizada com o cuidado de evitar as áreas necróticas ou inflamadas. A biopsia excisional que é utilizada em
algumas situações dentro da Oncologia não é indicada nos casos de STM, visto que a taxa de recidiva local é alta. Há,
nesse caso, possibilidade de que a neoplasia se torne cada vez mais agressiva com as tentativas subsequentes de excisão
necessárias para a exérese com margens cirúrgicas maiores, resultando em morbidade adicional e maiores custos.
Dentro da análise histopatológica, os STM são um grupo heterogêneo de tumores e sua classificação é baseada nas
características morfológicas. A análise histológica desses tumores representa um desafio diagnóstico, pois muitos têm
padrões celulares com sobreposição de achados não só entre si, mas também com uma variedade de outras neoplasias com
histogênese diferente. A nomenclatura histológica para alguns sarcomas pode variar entre os patologistas. O
desenvolvimento de imunohistoquímica e a disponibilidade de anticorpos monoclonais e policlonais para vários
marcadores de tecido têm melhorado o diagnóstico de sarcomas de tecidos moles em Patologia humana e, em um grau
limitado, na Veterinária.
Além da confirmação do tipo histológico, a análise anatomopatológica permite a graduação do tumor segundo a Tabela
41.2. Nos casos de STM, a graduação do tumor (graus I, II, III ou bem diferenciado, moderadamente diferenciado e
indiferenciado) representa um direcionamento a respeito da terapia a ser instituída, uma vez que a taxa de metástase está
mais associada ao grau do que ao tipo histológico.
Tabela 41.2 Sistema de graduação dos sarcomas de tecidos moles.
Escore Diferenciação Mitoses* Necrose
1 Assemelha-seaum tecido mesenquimal
adulto normal
0a9 Nenhuma
2 Subtipo histológicoespecí〼‾co 10a19 < 50%necrose
3 Indiferenciado ≥ 20 > 50%necrose
GrauI:pontuaçãocumulativade ≤ 4paraas três categorias. GrauII:pontuaçãocumulativade5a6. GrauIII:pontuaçãocumulativade ≥ 7.* A mitoseécalculadacomoo
númerode 〼‾gurasde mitose/10 HPF. Adaptadade Vail DM,20013.
1
Vale ressaltar que, após a ressecção cirúrgica, nova amostra deve ser encaminhada para o patologista a fim de se avaliar
as margens cirúrgicas do tumor para verificar a possibilidade de recidiva local e, consequentemente, direcionar a terapia a
ser instituída.
Embora a metástase para linfonodos seja um evento incomum em pacientes com STM, deve ser realizada análise dos
linfonodos regionais por meio de CAAF ou histopatologia, principalmente nos casos de sarcomas grau III, para o correto
estadiamento da neoplasia.
As análises hematológicas e bioquímicas são indicadas para a avaliação geral do paciente, porém normalmente os
pacientes com STM cutâneo e subcutâneo não apresentam alterações nestes exames laboratoriais, sendo indicados
principalmente para avaliação de comorbidades e como exames préoperatórios.
Os exames de imagem são imprescindíveis para o estadiamento da neoplasia e no planejamento cirúrgico dos STM. As
radiografias torácicas realizadas em três projeções são importantes no estadiamento do paciente, uma vez que o pulmão é
um dos principais órgãos de metástase dos STM. O padrão nodular é a principal forma de apresentação das metástases. A
ultrassonografia abdominal também é indicada no estadiamento dos pacientes, embora a taxa de metástases para órgãos
abdominais seja menor em relação ao pulmão.
Além das técnicas de radiografia torácica e ultrassonografia abdominal, técnicas mais avançadas de diagnóstico por
imagem, como a ressonância magnética e a tomografia computadorizada, são fundamentais tanto para o estadiamento da
neoplasia como para o planejamento cirúrgico, uma vez que, com essas técnicas, é possível avaliar melhor o tamanho e o
grau de infiltração do tumor e determinar se há possibilidade de o tumor ser completamente excisado no ato cirúrgico
(Figuras 41.5). Vale ressaltar que muitos tumores que aparentam ser pequenos e não aderidos durante o exame físico do
paciente podem ser um desafio cirúrgico ou até mesmo inoperáveis após a realização da tomografia ou ressonância em
razão da localização, das características infiltrativas e da caracterização do tamanho real deles.
A tomografia e a ressonância magnética também são de fundamental importância no diagnóstico de tumores de bainha de
nervo periférico envolvendo plexo (braquial e lombossacral) e de raiz (medula). A ressonância magnética é superior à
tomografia na detecção de tumores em plexo, pois em virtude da excelente resolução de contraste, tem capacidade de
distinguir melhor os feixes nervosos de vasos sanguíneos.
Figura 41.5 Reconstrução 3D de imagem tomográfica da região toracodorsal direita de um cão acometido por lipossarcoma
grau I invadindo o músculo longuíssimo dorsal e que mede aproximadamente 3,22 cm em eixo ventrodorsal por 4,26 cm
em eixo laterolateral por 6,11 cm em eixo crânio caudal (seta).
Estadiamento clínico
Após o diagnóstico da neoplasia, deve ser realizado o estadiamento clínico, em virtude de sua grande importância como
fator prognóstico e na orientação da abordagem terapêutica. O estadiamento dos STM é feito com base no exame clínico e
nos demais exames auxiliares de diagnóstico anteriormente citados e apresenta como objetivo descrever detalhadamente a
extensão da doença, tanto local quanto a distância.
Um sistema de estadiamento modificado foi descrito para os STM em cães. A mudança mais importante para o sistema
atual de estadiamento sugerido pela AJCC (American Joint Committee on Cancer) é a categorização do local da doença,
com ênfase também na profundidade de invasão local além do tamanho do tumor. Um tumor superficial é definido como
–
■
■
–
■
■
–
–
–
–
–
–
–
–
■
um STM localizado acima da fáscia superficial e que não a invade, enquanto um tumor profundo invade a fáscia
superficial. Com base no atual sistema AJCC, o método de estadiamento modificado atualizado para animais é:
• Tumor primário (T):
T1: tumor < 5 cm de diâmetro em sua maior dimensão
T1a: tumor superficial
T1b: tumor profundo
T2: tumor > 5 cm de diâmetro em sua maior dimensão
T2a: tumor superficial
T2b: tumor profundo
• Linfonodos regionais (N):
N0: sem envolvimento de linfonodos regionais
N1: comprometimento de linfonodos regionais
• Metástases a distância (M):
M0: ausência de metástase
M1: presença de metástase
• Estádios:
I: qualquer T, N0, M0, grau histológico I e II
II: T1a1b, T2a, N0, M0, grau histológico III
III: T2b, N0, M0, grau histológico III
IV: qualquer T, N1, qualquer N, qualquer M, M1, grau histológico I a III.
Tratamento
Cirurgia
O procedimento cirúrgico deve ser o tratamento de escolha para os STM. A cirurgia pode ser curativa em casos STM de
baixo grau, dispensando algumas vezes a necessidade de terapias adicionais. O planejamento cirúrgico deve incluir a
localização, o tamanho e a graduação histopatológica do tumor.
Como comportamento biológico característico, a agressividade local dos STM permite que estes sejam capazes de
invadir tecidos adjacentes por caminhos de menor resistência, formando uma pseudocápsula. Suas margens são mal
definidas e, por isso, a pseudocápsula é contaminada por células neoplásicas viáveis, e não deve ser considerada parâmetro
de segurança durante a resseção do tumor, em razão do risco de resquício de doença microscópica in situ e
consequentemente maior chance de recidiva local.
Diversos estudos mostram que a obtenção de margens livres é um fator determinante na sobrevida desses pacientes,
sendo assim considerada a principal meta do tratamento cirúrgico. Entretanto, algumas etapas que não envolvem o
procedimento cirúrgico em si, como o estadiamento clínico e o planejamento précirúrgico acurado, são de fundamental
importância e refletem no resultado final. Um levantamento realizado em 350 casos de STM tratados por médicosveterinários não especialistas revelou que estes desconheciam o comportamento biológico da neoplasia e isso refletiu
negativamente na evolução dos casos. Segundo o estudo, os procedimentos cirúrgicos não eram planejados; somente 4%
dos casos apresentavam diagnóstico histopatológico prévio e, em 16,8%, foi realizado exame citopatológico antes da
cirurgia. Ainda, apenas 5% do casos foram tratados com margens cirúrgicas adequadas.
A quantificação dessas margens é assunto ainda bastante discutido e sem padronização. Geralmente, são indicadas
margens amplas ou ressecção radical. Em relação a margens amplas, alguns autores relatam que 2 a 3 cm ao redor do
tumor e um plano tecidual de profundidade são suficientes para que se obtenham margens livres, outros recomendam uma
abordagem mais agressiva, indicando a ressecção do tumor com até 5 cm ao seu redor e até dois planos teciduais de
profundidade. Já a ressecção radical diz respeito à indicação de remoção do compartimento onde o tumor está localizado
por completo, como a amputação.
Esse procedimento pode ser uma opção viável em pacientes com STM em extremidades em que não há possibilidade de
obtenção de margens cirúrgicas adequadas nem estejam disponíveis outras opções de controle local, como radioterapia e
eletroquimioterapia. A amputação oferece um bom controle local da doença e propicia bom custobenefício. A maioria dos
pacientes se adapta rapidamente com a nova configuração corporal sem grandes limitações. A triagem clínica do animal a
ser submetido à amputação deve ser cuidadosa, uma vez que a maioria dos pacientes tem idade avançada e com frequência
apresenta concomitantemente doenças osteoarticulares que, eventualmente, aumentarão a morbidade do paciente. Muitas
vezes, a indicação desse procedimento é de difícil aceitação por parte dos proprietários, sobretudo daqueles cujos animais
não possuem alterações clínicas da doença além da presença do tumor.
A abordagem cirúrgica para STM requer a remoção em bloco do tumor com grande parte de tecidos a seu redor,
incluindo a cicatriz da biopsia incisional. Nos casos em que o tumor localizase sobreposto a um músculo ou uma fáscia, é
possível que haja margens livres em profundidade removendo o músculo, a fáscia ou as estruturas abaixo do tumor desde
que a neoplasia já não esteja invadindo esse tecido (Figuras 41.6 e 41.7). Do contrário, caso o STM esteja aderido a esses
planos, uma margem profunda de 2 a 3 cm deve ser aplicada. O tecido conjuntivo e gorduroso não deve ser considerado
com margem de segurança. Após a remoção do tumor, a peça deve ser enviada por inteiro para exame histopatológico; além
disso, é importante que seja feita a identificação profunda de suas bordas laterais para facilitar a análise das margens.
O planejamento cirúrgico adequado e a aplicação de princípios cirúrgicos oncológicos proporcionam mais de 80% de
controle local da doença a longo prazo. Contudo, é frequente a necessidade de técnicas reconstrutivas para o fechamento
das feridas criadas pela extirpação desses tumores. Estudos sobre a avaliação de cirurgias mutiladoras, como
escapulectomia e hemipelvectomia, mostram que frequentemente esses procedimentos são realizados em cães e gatos com
diagnóstico de STM. Entretanto, mais recentemente, os esforços têm sido para demonstrar que cirurgias menos agressivas
podem ser aplicadas em STM de baixo grau, ou graus I e II, em virtude da baixa ocorrência de recidiva local e metástase.
Por esse motivo, é importante determinar o grau do tumor antes da cirurgia, a fim de obter maior acurácia na delimitação
das margens, principalmente quando a neoplasia está localizada em sítio onde a excisão ampla não é possível ou causará
uma deficiência importante aumentando a morbidade.
O conhecimento do grau do tumor précirúrgico também auxilia o clínico no estabelecimento do prognóstico e no
planejamento da terapia pósoperatória. Um recente estudo põe em prova a acurácia da biopsia préoperatória, já que houve
uma discordância relativamente alta entre a graduação tumoral pré e a pósoperatória, mesmo quando não havia variação do
avaliador, o que sugeriu a necessidade de atenção no momento da interpretação dos resultados. Provavelmente essa
diferença devese à menor quantidade de material disponível para análise prévia, por isso esse cuidado deve ser adotado
durante a obtenção da amostra.
Em casos de excisão incompleta do tumor, seja ela por mau planejamento, seja em razão da localização tumoral, uma
terapia adicional deve ser considerada, já que esses animais, em média, apresentam 10,5 vezes mais chance de recorrência
local. Entre as opções mais comumente citadas, estão a reexcisão tumoral e a radioterapia. Entretanto, é importante
ressaltar que poucos estudos mostram resultados mais satisfatórios na aplicação de uma técnica adjuvante quando
comparada à cirurgia primária com margens adequadas, ou seja, a primeira cirurgia proporciona melhor controle local da
neoplasia, enquanto tumores não removidos por completo aumentam a morbidade, o custo do tratamento, a chance de
recidiva local, além de diminuir o tempo de sobrevida.
A reexcisão tumoral é uma das técnicas mais aplicadas no manejo de STM removidos sem margem. Estudos mostram
que a graduação tumoral é um fator preditivo mais acurado para recorrência do que a simples presença de células
neoplásicas nas margens do tumor. Embora a literatura cite que STM de grau I excisados com margens comprometidas
possam ser manejados por intermédio de reavalições frequentes para detecção de recidiva local ou serem estadiados
cirurgicamente, devese ter especial atenção, pois não existe padronização de quais apresentações podem ser manejadas
dessa forma. Em um trabalho com STM de baixo grau em extremidade, em que 54% foram removidos com margens
cirúrgicas incompletas, 20% destes tiveram recorrência local.
O estadiamento cirúrgico consiste na remoção da cicatriz cirúrgica com cerca de 0,5 a 1 cm de margem, que, em seguida,
será submetida a uma nova análise histopatológica. Caso ainda haja células neoplásicas residuais, é indicada uma nova
cirurgia com recomendação de margens para sarcomas ou terapia adjuvante como radioterapia.
■
Figura 41.6 Canino, macho, Pittbull, 13 anos, com diagnóstico de lipossarcoma grau I na biopsia préoperatória. A e D. O
animal foi submetido à cirurgia para ressecção em bloco do tumor, com 4 cm de margem lateral, ressecção de grande parte
do músculo longíssimo dorsal e a fáscia muscular abaixo. A cirurgia foi planejada previamente com tomografia
computadorizada do local, e todo o bloco removido foi para análise histopatológica, que revelou margens livres.
Figura 41.7 Lipossarcoma em parede torácica lateral em cão sem raça definida. A a C. Realizada remoção em bloco
incluindo costelas como margem de segurança profunda. A análise microscópica revelou margens livres.
Radioterapia
A radioterapia associada à cirurgia para o controle local da doença nos casos de pacientes com margem cirúrgica estreita ou
em pacientes com margens cirúrgicas incompletamente excisadas mostra resultados promissores
A utilização dessa modalidade terapêutica é uma alternativa interessante em tumores localizados em membros em que
não há possibilidade de amputação. A cirurgia para retirada desses nódulos seguida de radioterapia pode tornarse uma
opção viável com preservação da função do membro.
■
Normalmente, indicase iniciar a radioterapia no mínimo 10 dias após o procedimento cirúrgico para evitar complicações
na cicatrização das feridas, porém, em geral, ela é iniciada após 3 semanas.
Os protocolos mais comumente utilizados são os de curso completo fracionado, com doses que variam de 3 a 4,2 Gy
administradas em 5 dias consecutivos da semana ou intercaladas, normalmente totalizando de 42 a 63 Gy no final da
terapia. Doses altas cumulativas acima de 50 Gy parecem estar relacionadas com o melhor controle local da doença.
A utilização da radioterapia após ressecção cirúrgica incompleta foi avaliada em 35 cães com STM cutâneo e oral (7
animais incluídos no trabalho apresentaram fibrossarcoma oral). Os animais receberam de 3 a 4,2 Gy diários totalizando de
42 a 57 Gy. As taxas de recidiva e metástase foram 31,4 e 14,3%, respectivamente. O tempo médio livre de doença foi de
798 dias, com sobrevida média de 1.851 dias. Quando os tumores em cavidade oral foram excluídos da análise de
sobrevida, a sobrevida média dos pacientes foi de 2.270 dias.
Outro trabalho que avaliou a eficácia da radioterapia em 48 pacientes com STM incompletamente excisados mostrou uma
taxa de recorrência de 16%, com o tempo médio livre de doença de 1.082 dias. A taxa de metástases desse estudo foi de
8%, todas localizadas em pulmão. As taxas de sobrevida de 1 a 2 anos, 3 a 4 anos e 5 anos foram, respectivamente, 87, 81
e 76%.
O regime paliativo de radioterapia foi avaliado em pacientes portadores de STM em membros. Foram utilizados nesse
estudo 56 cães submetidos à cirurgia para remoção macroscópica do tumor seguido de radioterapia paliativa (quatro frações
de 8 a 9 Gy, totalizando 32 a 36 Gy). A taxa de recorrência e metástase neste trabalho foi de 18 e 9%, respectivamente,
sendo, o tempo livre de doença em 1, 2, 3 e 5 anos, respectivamente, de 82, 74, 70 e 65%, mostrando que a radioterapia em
regime paliativo também foi eficaz no controle dos STM localizados em membros submetidos previamente à cirurgia.
Além de ser utilizada em combinação com a cirurgia, a radioterapia é empregada como modalidade única em pacientes
em que a remoção cirúrgica não é uma opção viável, ou ainda no préoperatório para redução do tamanho tumoral e melhor
intervenção cirúrgica.
Tumores macroscópicos são mais resistentes ao controle local a longo prazo da radioterapia como modalidade única, e
normalmente nesses casos o que ocorre é a redução parcial do tamanho da massa ou estabilização do quadro.
Em um estudo retrospectivo com 16 cães portadores de STM macroscópicos irressecáveis que foram submetidos ao
protocolo radioterápico paliativo (quatro frações de 8 Gy, totalizando 32 Gy), a taxa de resposta foi de 50% com sete
remissões parciais e uma completa. O tempo médio de progressão da doença foi de 155 dias e a sobrevida média dos
pacientes de 309 dias.
Outro trabalho avaliou a eficácia da radioterapia como tratamento paliativo em 15 cães com STM que não eram passíveis
de ressecção cirúrgica em razão do tamanho ou da localização da massa. Os animais foram submetidos ao protocolo
paliativo de três sessões de 8 Gy, totalizando 24 Gy. Dos 15 animais incluídos no trabalho, 13 (87%) tiveram doença
estável, um animal, remissão parcial e um animal, doença progressiva. O tempo médio para progressão da doença foi de
263 dias e a sobrevida média, de 332 dias.
Os resultados dos trabalhos em que a radioterapia foi utilizada como tratamento paliativo mostram resultados inferiores
quando comparados à utilização dessa modalidade em pacientes com doença residual microscópica que foram submetidos
previamente à cirurgia para remoção do tumor.
Os principais efeitos colaterais relacionados com a utilização da radioterapia no tratamento dos STM são alopecia,
ulceração, hiperpigmentação e hiperqueratose, normalmente controladas com tratamento adequado. A literatura cita a
ocorrência de desenvolvimento de osteossarcoma no local da irradiação, porém este é um achado incomum em cães.
Quimioterapia
A eficácia da quimioterapia em STM em cães não está bem estabelecida em relação ao aumento de sobrevida e tempo livre
de doença dos pacientes. A taxa de metástase dos STM, quando comparada a de outros sarcomas, como
hemangiossarcoma, osteossarcoma e sarcoma histiocítico, pode ser considerada baixa, variando de menos de 15% para os
graus I e II até 40% para o grau III.
Embora a real eficácia da administração de quimioterapia não esteja comprovada em STM em cães, indicase o uso dessa
modalidade terapêutica em sarcomas de grau III ou na presença de doença metastática.
Em humanos, os fármacos mais utilizados no tratamento do STM são doxorrubicina e ifosfamida, porém as taxas de
resposta segundo dados de metanálise são inferiores a 30% e alguns trabalhos em Medicina Humana mostram que a
quimioterapia com agente único ou combinado aumenta o tempo livre de doença, porém não altera a sobrevida dos
pacientes quando comparada à cirurgia como modalidade única.
Os protocolos baseados em doxorrubicina como fármaco único ou em associação com a ciclofosfamida são os mais
comumente utilizados em cães com taxa de resposta de 23%, embora existam dados na literatura do uso de mitoxantrona e
ifosfamida que demonstram um pequeno número de casos com resposta baixa ou ausente.
■
■
Um estudo retrospectivo comparou a eficácia da doxorrubicina associada à cirurgia em relação à cirurgia como
modalidade única em animais com STM grau III. Nos 39 animais incluídos na análise, não houve diferença estatística entre
os dois grupos, porém em razão de ser um levantamento retrospectivo, foram incluídos animais com STM cutâneo e
visceral em um mesmo estudo; portanto, existe a necessidade de delineamentos prospectivos em larga escala avaliando a
real eficácia da utilização da doxorrubicina nessa doença.
A associação da ciclofosfamida com o piroxican em regime metronômico foi avaliada em STM incompletamente
excisados. Foram incluídos neste estudo 85 cães, divididos em dois grupos (30 animais receberam a quimioterapia
metronômica por intermédio da associação de ciclofosfamida 10 mg/m² e piroxican 0,3 mg/kg e 55 cães não receberam
tratamento pósoperatório). O tempo livre de doença foi significativamente maior nos animais que receberam a
quimioterapia metronômica quando comparados ao grupocontrole, sugerindo que esta modalidade terapêutica pode ser uma
opção viável e com bons resultados no controle local.
A participação das células T regulatórias (Treg) foi avaliada em STM. Tratase de uma população especializada de
linfócitos T, que apresentam função de suprimir a resposta do sistema imune frente a imunopatógenos e neoplasias. A
elevação dessas células em pacientes oncológicos pode favorecer o crescimento tumoral e o desenvolvimento de terapias
direcionadas contra as células (Tregs) pode ser promissor no tratamento adjuvante de cães com neoplasia. Um estudo
avaliou a porcentagem e o número de células Treg e microdensidade vascular em pacientes com sarcomas de tecidos moles
submetidos ao tratamento com ciclofosfamida em dois regimes metronômicos. Foram utilizados 11 animais com STM nos
quais pôde ser constatado pelos autores que a ciclofosfamida em dose de 12,5 mg/m² diminuiu o número de Treg e que a
dose de 15 mg/m² reduziu o número e a porcentagem de Tregs e a microdensidade vascular tumoral. O resultado sugere que
a administração em dose metronômica da ciclofosfamida apresenta efeito antiangiogênico, além de contribuir para a
diminuição das células Tregs, auxiliando o sistema imune no combate tumoral.
A aplicação local de cisplatina intraoperatória por meio de um implante biodegradável de liberação lenta foi avaliada em
19 pacientes com STM em extremidade de membros após a cirurgia para remoção macroscópica do tumor. A taxa de
recorrência local neste estudo foi de 16,6%, porém as complicações relacionadas com a ferida e cicatrização local
inviabilizaram a indicação dessa técnica neste estudo, pois 84,2% dos pacientes tiveram algum tipo de alteração, como
edema, seroma, infecção secundária e necrose tecidual, sendo que em cinco pacientes essas alterações foram graves,
inclusive levando à necessidade de amputação de membro em um dos animais.
Outro trabalho também avaliou a eficácia e toxicidade da aplicação de um implante biodegradável de cisplatina no leito
da ferida após remoção de sarcoma de tecidos moles em 30 cães (32 tumores) com margens comprometidas. A taxa de
recorrência local nesse estudo foi de 31% e as complicações relacionadas com a ferida e cicatrização foram de 28%, sendo
que tumores de alto grau tiveram taxas de recorrência maiores quando comparados aos de grau intermediário ou baixo.
Eletroquimioterapia
A eletroquimioterapia (EQT) é uma modalidade terapêutica recente que combina a aplicação sistêmica ou local de um
agente quimioterápico com pulsos elétricos bifásicos cuja finalidade é aumentar a absorção do fármaco pelas células
tumorais, consequentemente melhorando a eficácia do tratamento.
A EQT vem ganhando importância e notariedade por ser uma opção que traz bons resultados no tratamento local de
tumores sólidos, principalmente naqueles nos quais a excisão cirúrgica com margens não é possível.
Já existem alguns estudos com a utilização da EQT em STM, principalmente de forma adjuvante à cirurgia. Nesses
casos, a EQT pode ser aplicada tanto no trans como no pósoperatório, permitindo que o tecido neoplásico residual não
passível de remoção seja atingido pela ação potencializada do quimioterápico. Além disso, a EQT se torna interessante,
pois é facilmente aplicada, é ausente de toxicidade sistêmica e tem baixo custo quando comparada a técnicas de eficácia
semelhante como a radioterapia. Um estudo recente com 28 cães com STM tratados com cirurgia e EQT teve como tempo
médio livre de doença 730 dias.
Imunoterapia
São poucos os dados sobre a utilização de imunoterapia em cães com STM. A utilização de terapias imunomoduladoras
direcionadas contra fatores de crescimento relacionados com a angiogênese ou seus receptores é uma estratégia recente para
o controle do crescimento tumoral.
Uma vacina xenogênica (recombinante humana) anti VEGF (fator de crescimento endotelial vascular) foi avaliada em
nove cães com STM, em relação à segurança e eficácia sobre a angiogênese e o crescimento tumoral. Os animais não
apresentaram efeitos colaterais graves com a utilização da vacina, e a taxa de resposta foi de 30% (três animais com
remissão parcial e seis com doença progressiva). Três pacientes que receberam maior número de aplicações da vacina
■
■
■
tiveram redução na concentração plasmática de VEGF e dois cães tiveram diminuição da microdensidade vascular tumoral.
Os autores salientam que esta pode ser uma alternativa coadjuvante no controle local dos cães com STM.
Fatores prognósticos
O prognóstico para cães com STM é bom, sendo o controle local do tumor geralmente o aspecto mais desafiador do
tratamento. Fatores que aumentam o risco de doença metastática incluem o tipo e grau histológico, o número de figuras
mitóticas, a porcentagem de necrose tumoral e a recidiva local do tumor. Outros fatores prognósticos incluem a dimensão e
a localização do tumor, tratamentos anteriores e integridade das margens cirúrgicas.
No entanto, informações a respeito do valor prognóstico de cada variável ainda carecem de estudos mais detalhados.
Atualmente, o grau de diferenciação tumoral é o fator prognóstico mais relevante sobre a recidiva tumoral e a taxa de
metástase em cães com STM.
Tipo histológico
Em seres humanos, todos os sarcomas foram historicamente tratados como um grupo único para fins de prognóstico, pois
evidências sugerem que os tipos de sarcomas exibem padrões únicos de crescimento, recidiva e prognóstico. Muitos
estudos têm considerado o tipo histológico um potencial fator prognóstico em cães com STM, mas não foram adotados
métodos precisos de mensurar meticulosamente as diferenças na progressão da doença entre os diferentes tipos. Estudos
descrevem que o fibrossarcoma pode ter um pior prognóstico em relação aos tumores de nervo periférico, entretanto
estudos prospectivos são necessários para confirmar e mensurar as diferenças no prognóstico entre esses tumores.
Tais estudos parecem exigir o uso potencial de um grande painel de marcadores de imunohistoquímica, incluindo as
aplicadas aos cortes congelados.
Margens cirúrgicas
Estudos mostram que a excisão radical apresenta menor taxa de recidiva. A relação entre a abrangência da ressecção e a
taxa de sobrevida ainda deve ser demonstrada. Em humanos, a ressecção cirúrgica com margens completas é um importante
fator prognóstico de recidiva.
Taxas de recidiva local em animais em que foi realizada apenas cirurgia ou cirurgia e radioterapia adjuvante variam entre
7 e 32%. Em um estudo com 75 cães, a taxa de recidiva local do tumor após ressecção incompleta foi de 28%, sendo 11
vezes mais frequente do que os STM removidos com margens completas. O tratamento da recidiva é geralmente mais
difícil do que o tratamento de tumores primários, enfatizando a necessidade de uma abordagem agressiva na primeira
cirurgia.
A recidiva local do tumor ainda é possível após uma ressecção completa ou ressecção incompleta associada à
radioterapia adjuvante, sendo recomendado o seguimento do animal no pósoperatório com intervalos regulares,
mensalmente durante os primeiros 3 meses; após esse período, a cada 3 meses até completar 1 ano; e, por fim, a cada 6
meses.
Em um estudo com 2.084 pacientes humanos, 78% tiveram margens microscópicas negativas e 22% positivas após
ressecção primária. O risco de recidiva local com margens negativas foi de 15%, e de 28% com margens positivas.
O tamanho do tumor foi relatado por ter um efeito negativo sobre o controle local, provavelmente por influenciar na
capacidade de ressecção completa, não interferindo como efeito direto sobre a recidiva local.
Grau histológico
O grau histológico é considerado o fator prognóstico mais importante em humanos com STM. O sistema de classificação
adotado em cães foi desenvolvido inicialmente para uso em pessoas dividindo os STM em baixo, moderado ou alto grau
com base nas características de celularidade, diferenciação, vascularização, pleomorfismo nuclear IM e quantidade de
necrose estromal.
A maioria dos STM caninos classificados por esse sistema é grau I. Quando a margem cirúrgica é completa, tumores de
grau I raramente recidivam. As taxas de metástase para esse grau são consideradas incomuns, variando de 7 a 13% dos
casos, acometendo principalmente pulmão e linfonodos regionais.
Os STM de grau II ocorrem com frequência intermediária e normalmente apresentam baixa taxa de recorrência local
quando excisados completamente. A taxa de metástase para este grau é variável de acordo com a literatura. Outros estudos
são necessários para estabelecer a diferença da taxa de metástase em tumores de graus I e II.
Tumores grau III são menos comuns, constituindo cerca de 7 a 17% dos STM caninos cutâneo e subcutâneo. São
considerados os STM de maior potencial de recidiva e metástase, entretanto informações sobre esses tumores no homem e
■
1.
no cão são baseadas em estudos com avaliação de um pequeno número de tumores grau III. Recidiva de sarcomas grau III
com ressecção completa de margem cirúrgica foi observada, porém aparentemente é infrequente. A taxa de metástase é
mais elevada quando comparada aos outros dois graus, podendo ocorrer em até 41% dos casos.
O grau tem sido um indicador prognóstico amplamente utilizado em cães e também como marcador de recidiva e
metástase.
Índice mitótico e marcadores de proliferação
O índice mitótico (IM), independentemente do grau, fornece informações prognósticas importantes. Os STM são divididos
em três categorias segundo o IM (0 a 9; de 10 a 19 e acima de 20 figuras de mitose em 10 campos de maior aumento [400
×]). O alto IM está associado a recidiva, metástase e diminuição do tempo de sobrevida. Para IM ≥ 9, o tempo médio de
sobrevida é de 150 a 343 dias; se IM < 9, o tempo médio de sobrevida é de 826 a 1.138. Em outro estudo, o tempo médio
de sobrevida foi de 236 dias para IM > 20, 532 dias para IM entre 10 e 19 e 1.444 dias para IM < 10. Esses autores
afirmam que a metástase é 5 vezes mais frequente quando o índice for igual ou maior que 20 figuras de mitoses em 10
campos de grande aumento (400 ×). Mais de 33% dos cães eventualmente morrem de causas relacionadas com o tumor,
sendo que os cães com STM com IM > 20 apresentam 2,6 vezes mais chance de óbito quando comparados a cães com IM
< 20.
Marcadores de proliferação celular incluindo AgNOR e Ki67 são fatores prognósticos relacionados com a sobrevida,
entretanto novos estudos são necessários para estabelecer os valores de referência para esses marcados e sua correlação
com a sobrevida.
Referência bibliográfica
VAIL, D.M. Withrow & MacEwen’s Small Animal Clinical Oncology. 5 ed. St. Louis: Saunders Elsevier, p. 356380, 2013.
Bibliografia
AVALLONE, G.; HELMBOLD, P.; CANIATTI, M. et al. The spectrum of canine cutaneous perivascular wall tumors: Morphologic,
phenotypic, and clinical characterization. Veterinary Pathology, v.44, p. 607620, 2007.
AVALLONE, G.; STEFANELLO, D.; BORACCHI, P. et al. Canine perivascular wall tumors: high prognostic impact of site, depth, and
completeness of margins. Veterinary Pathology, p. 19, 2013.
BACON, N. J.; DERNELL, W. S.; EHRHART, N. et al. Evaluation of primary reexcision after recent inadequate resection of soft tissue
sarcomas in dogs: 41 cases (19992004). Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 230, n. 4, p. 548554, 2007.
BAEZ, J. L.; HENDRICK, M. J.; SHOFER, F. S. et al. Liposarcomas in dogs: 56 cases (19892000). Journal of the American Veterinary
Medical Association, v. 224, n. 6, p. 887891, 2004.
BAKERGABB, M.; HUNT, G. B.; FRANCE, M. P. Soft tissue sarcomas and mast cell tumours in dogs; clinical behaviour and response
to surgery. Australian Veterinary Journal, v. 81, p. 732738, 2003.
BANKS, T.; STRAW, R. C.; THOMSON, M. et al. Soft tissue sarcomas: a study assessing surgical margin, tumour grade and clinical
outcome. Australian Veterinary Practice, v. 34, p. 158163, 2004.
BERGMAN, P. J.; WITHROW, S. J.; STRAW, R. C. et al. Infiltrative lipoma in dogs: 16 cases (19811992). Journal of the American
Veterinary Medical Association, v. 205, n. 2, p. 322324, 1994.
BOSTOCK, D. E.; DYE, M. T. Prognosis after surgical excision of canine fibrous connective tissue sarcomas. Veterinary Pathology, v. 17,
p. 581588, 1980.
BRAY, J. P. Hemipelvectomy: Modified surgical technique and clinical experiences from a retrospective study. Veterinary Surgery, v. 43,
n. 1, p. 1926, 2014.
BRAY, J. P.; WORLEY, D. R.; HENDERSON, R. A. et al. Hemipelvectomy: outcome in 84 dogs and 16 cats. A veterinary society of
surgical oncology retrospective study. Veterinary Surgery, v. 43, n. 1, p. 2737, 2014.
BURTON, J.H.; MITCHELL, L.; THAMM, D.H. Lowdose cyclophosphamide selectively decreases regulatory t cells and inhibits
angiogenesis in dogs with soft tissue sarcoma. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 25, p. 920926, 2011.
CANTER, R. J.; BEAL, S.; BORYS, D. et al. Interaction of histologic subtype and histologic grade in predicting survival for softtissue
sarcomas. Journal of the American College of Surgeons, v. 210, p. 191198, 2010.
CHANG, H. R.; HAJDU, S. I.; COLLIN, C. et al. The prognostic value of histologic subtypes in primary extremity liposarcoma. Cancer,
v. 64, n. 7, p. 15141520, 1989.
CHASE, D.; BRAY, J.; IDE, A. et al. Outcome following removal of canine spindle cell tumours in first opinion practice: 104 cases.
Journal of Small Animal Practice, v. 50, p. 568574, 2009.
COINDRE, J. M. Grading of soft tissue sarcomas: review and update. Archives of pathology & laboratory medicine, v. 130, p. 14481453,
2006.
COINDRE, J. M.; TERRIER, P.; GUILLOU, L. et al. Predictive value of grade for metastasis development in the main histologic types of
adult soft tissue sarcomas: a study of 1240 patients from the French Federation of Cancer Centers Sarcoma Group. Cancer, v. 91, p.
19141926, 2001.
DEMETRIOU, J. L.; BREARLEY, M. J.; CONSTANTINOCASAS, F. et al. Intentional marginal excision of canine limb soft tissue
sarcomas followed by radiotherapy. Journal of Small Animal Practice, v. 53, n. 3, p. 174181, 2012.
DENNIS, M. M.; McSPORRAN, K. D.; BACON, N. J. et al. Prognostic factors for cutaneous and subcutaneous soft tissue sarcomas in
dogs. Veterinary Pathology, v. 48, n. 1, p. 7384, 2011.
DERNELL, W. S.; WITHROW, S. J.; KUNTZ, C. A. et al. Principles of treatment for soft tissue sarcoma. Clinical Techniques in Small
Animal Practice, v. 13, n. 1, p. 5964, 1998.
DERNELL, W. S.; WITHROW, S. J.; STRAW, R. C. et al. Intracavitary treatment of soft tissue sarcomas in dogs using cisplatina in a
biodegradable polymer. Anticancer Research, v. 17, p. 44994505, 1997.
DUARTCLEMENTE, J.; SANJULIÁN, M.; MARTÍNEZMONGE, R. et al. Soft tissue sarcoma: can a rescue procedure be performed
when the first surgery was unsuccessful? Revista Española de Cirugía Ortopédica y Traumatología, v. 52, n. 1, p. 2126, 2008.
ELMSLIE, R.E.; GLAWE, P.; DOW, S.W. Metronomic Therapy with Cyclophosphamide and piroxicam effectively delays tumor
recurrence in dogs with incompletely resected soft tissue sarcomas. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 22, p. 13731379, 2008.
EHRHART, N. Softtissue sarcomas in dogs: a review. Journal of the American Animal Hospital Association, v. 41, n. 4, p. 241246, 2005.
ETTINGER, S. N. Principles of treatment for softtissue sarcomas in the dog. Clinical Techniques in Small Animal Practice, v. 18, n. 2, p.
118122, 2003.
ETTINGER, S. N.; SCASE, T. J.; OBERTHALER, K. T. et al. Association of argyrophilic nucleolar organizing regions, Ki67, and
proliferating cell nuclear antigen scores with histologic grade and survival in dogs with soft tissue sarcomas: 60 cases (1996–2002).
Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 228, p. 10531062, 2006.
EVANS, S. M. Canine hemangiopericytoma: a retrospective analysis of response to surgery and orthovoltage radiation. Veterinary
Radiology, v. 28, p. 1316, 1987.
FORREST, L. J.; CHUN, R.; ADAMS, W. M. et al. Postoperative radiotherapy for canine soft tissue sarcoma. Journal of Veterinary
Internal Medicine, v. 14, p. 578582, 2000.
FOURIE, Y.; HEIDENREICH, D.; BARREAU, P. Canine distal hindlimb soft tissue sarcomaa novel approach to surgical defect closure.
Veterinary and Comparative Orthopaedics and Traumatology, v. 24, n. 1, p. 84, 2011.
GAITERO, L.; ANOR, S.; FONDEVILA, D. et al. Canine cutaneous spindle cell tumours with features of peripheral nerve sheath
tumours: a histopathological and immunohistochemical study. Journal of Comparative Pathology, v. 139, p. 1623, 2008.
GÓMEZLAGUNA, J.; BARRANCO, I.; RODRÍGUEZGÓMEZ, I. M. et al. Malignant mesenchymoma of the heart base in a dog with
infiltration of the pericardium and metastasis to the lung. Journal of Comparative Pathology, v. 147, n. 2, p. 195198, 2012.
GRAVES, G. M.; BJORLING, D. E.; MAHAFFEY, E. Canine hemangiopericytoma: 23 cases (19671984). Journal of the American
Veterinary Medical Association, v. 192, p. 99102, 1988.
HAJDU, S. I.; SHIU, M. H.; BRENNAN, M. F. The role of the pathologist in the management of soft tissue sarcomas. World Journal of
Surgery, v. 12, p. 326331, 1988.
HAVLICEK, M.; STRAW, R.S.; LANGOVA, V. et al. Intraoperative cisplatin for the treatment of canine extremity soft tissue sarcomas.
Veterinary and Comparative Oncology, v. 7, n. 2, 122129, 2009.
HENRY, C. J.; BUSS, M. S.; POTTER, K. A. et al. Mitoxantrone and cyclophosphamide combination chemotherapy for the treatment of
various canine malignancies. Journal of American Animal Hospital Association, v. 35, p. 236239, 1999.
HOEBER, I.; SPILLANE, A.; FISHER, C. et al. Accuracy of biopsy techniques for limb and limb girdle soft tissue tumors. Annals of
Surgical Oncology, v. 8, p. 8087, 2001.
HOINGHAUS, R.; TRAUTWEINHEWICKER, M.; MISCHKE, R. Immunocytochemical differentiation of canine mesenchymal tumors
in cytologic imprint preparations. Veterinary Clinical Pathology, v. 37, p. 104111, 2008.
KAMSTOCK, D.; ELMSLIE, R.; THAMM, D. Evaluation of a xenogeneic VEGF vaccine in dogs with soft tissue sarcoma. Cancer
Immunology Immunotheraphy, v. 56, p. 12991309, 2007.
KAMSTOCK, D. A.; EHRHART, E. J.; GETZY, D. M. et al. Recommended guidelines for submission, trimming, margin evaluation and
reporting of tumor biopsy specimens in veterinary surgical pathology. Veterinay Pathology, v. 48, n. 1, p. 1931, 2011.
KHATRI, V. P.; GOODNIGHT, J. R.; JAMES, E. Extremity soft tissue sarcoma: controversial management issues. Surgical Oncology, v.
14, n. 1, p. 19, 2005.
KUNTZ, C. A.; DERNELL, W. S.; POWERS, B. E. et al. Prognostic factors for surgical treatment of softtissue sarcomas in dogs: 75
cases (19861996). Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 211, p. 11471151, 1997.
LAWRENCE, J.; FORREST, L.; ADAMNS, W. Fourfraction radiation therapy for macroscopic soft tissue sarcomas in 16 dogs. Journal
of the American Animal Hospital Association, v. 44, p. 100108, 2008.
LIGGETT, A. D.; FRAZIER, K. S.; STYER, E. L. Angiolipomatous tumors in dogs and a cat. Veterinary Pathology Online, v. 39, n. 2, p.
286289, 2002.
MACHIDA, N.; KOBAYASHI, M.; TANAKA, R. et al. Primary malignant mixed mesenchymal tumour of the heart in a dog. Journal of
Comparative Pathology, v. 128, n. 1, p. 7174, 2003.
MCCHESNEY, S. L.; GILLETTE, S.; DEWHIRST, M. W. et al. Response of canine soft tissue sarcomas to radiation or radiation plus
hyperthermia: a randomized phase II study. Internal Journal of Hyperthermia, v. 8, p. 309320, 1992.
MANKIN, H. J.; HOMICEK, F. J. Diagnosis, classification, and management of soft tissue sarcomas. Cancer Control, v. 12, p. 521. 2005.
MAYER, M. N.; LARUE, S. M. Soft tissue sarcomas in dogs. The Canadian Veterinary Journal, v. 46, n. 11, p. 1048, 2005.
MAYHEW, P. D.; BROCKMAN, D. J. Body cavity lipomas in six dogs. Journal of Small Animal Practice, v. 43, n. 4, p. 177181, 2002.
McCARTHY, P. E.; HEDLUND, C. S.; VEAZY, R. S. et al. Liposarcoma associated with a glass foreign body in a dog. Journal of the
American Veterinary Medical Association, v. 209, n. 3, p. 612614, 1996.
MCKNIGHT, J. A.; MAULDIN, G. N.; McENTEE, M. C. et al. Radiation treatment of incompletely resected softtissue sarcomas in
dogs. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 217, p. 205210, 2000.
MCSPORRAN, K. D. Histologic grade predicts recurrence for marginally excised canine subcutaneous soft tissue sarcomas. Veterinary
Pathology Online, v. 46, n. 5, p. 928933, 2009.
MILES, J.; CLARKE, D. Intrathoracic lipoma in a Labrador retriever. Journal of Small Animal Practice, v. 42, n. 1, p. 2628, 2001.
MIKAELIAN, I.; GROSS, T. L. Keloidal fibromas and fibrosarcomas in the dog. Veterinay Pathology, v. 39, p. 149153, 2002.
MIR, L. M.; DEVAUCHELLE, P.; QUINTINCOLONNA, F. et al. First clinical trial of cat softtissue sarcomas treatment by
electrochemotherapy. British Journal of Cancer, v. 76, n. 12, p. 1617, 1997.
MONTINARO, V.; BOSTON, S. E.; BURACCO, P. et al. Clinical outcome of 42 dogs with scapular tumors treated by scapulectomy: a
Veterinary Society of Surgical Oncology (VSSO) retrospective study (1995–2010). Veterinary Surgery, v. 42, n. 8, p. 943950, 2013.
MORRIS, J. S.; MCINNES, E. F.; BOSTOCK, D. E. et al. Immunohistochemical and histopathologic features of 14 malignant fibrous
histiocytomas from flatcoated retrievers. Veterinay Pathology, v. 39, p. 473479, 2002.
MURPHY, S.; BLUNDEN, A. S.; DENNIS, R. et al. Intermandibular malignant mesenchymoma in a crossbreed dog. Journal of Small
Animal Practice, v. 47, n. 9, p. 550553, 2006.
OGILVIE, G. K.; OBRADOVICH, J. E.; ELMSLIE, R. E. et al. Efficacy of mitoxantrone against various neoplasms in dogs. Journal of
the American Veterinary Medical Association, v. 198, p. 16181621, 1991.
OGILVIE, G. K.; REYNOLDS, H. A.; RICHARDSON, R. C. et al. Phase II evaluation of doxorubicin for treatment of various canine
neoplasms. Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 195, p. 15801583, 1989.
PERRY, J. A.; CULP, W. T.; DAILEY, D. D. et al. Diagnostic accuracy of pretreatment biopsy for grading soft tissue sarcomas in dogs.
Veterinary and Comparative Oncology, v. 12, n. 2, p. 106113, 2014.
PLAVEC, T.; KESSLER, M.; KANDEL, B. et al. Palliative radiotherapy as treatment for nonresectable soft tissue sarcomas in the dog –
a report of 15 cases. Veterinary and Comparative Oncology, v. 4, n. 2, p. 98103, 2006.
POWERS, B. E.; WITHROW, S. J.; MCCHESNEY, A. E. et al. Prognostic variables for canine hemangiopericytoma: 50 cases (1979
1984). Journal of the American Animal Hospital Association. v. 24, p. 501509, 1988.
RAMANATHAN, R. C.; A’HERN, R.; FISHER, C. et al. Prognostic index for extremity soft tissue sarcomas with isolated local
recurrence. Annals of Surgical Oncology, v. 8, n. 4, p. 278289, 2001.
RASSNICK, K. M.; FRIMBERGER, A. E.; WOOD, C. A. et al. Evaluation of ifosfamide for treatment of various canine neoplasms.
Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 14, p. 271276, 2000.
ROBINSON, T. M.; DUBIELZIG, R. R.; MCANULTY, J. F. Malignant mesenchymoma associated with an unusual vasoinvasive
metastasis in a dog. Journal of the American Animal Hospital Association, v. 34, n. 4, p. 295299, 1998.
SAIK, J. E.; DITERS, R. W.; WORTMAN, J. A. Metastasis of a welldifferentiated liposarcoma in a dog and a note on nomenclature of
fatty tumours. Journal of Comparative Pathology, v. 97, n. 3, p. 369373, 1987.
SCHONIGER, S.; SUMMERS, B. A. Localized, plexiform, diffuse and other variants of neurofibroma in 12 dogs, 2 horses, and a chicken.
Veterinary Pathology, v. 46, p. 904915, 2009.
SELTING, K. A.; POWERS, B. E.; THOMPSON, L. J. et al. Orthovoltage radiation and weekly low dose of doxorubicin for the treatment
of incompletely excised softtissue sarcomas in 39 dogs. Veterinary Record, v. 160, p. 312326, 2007.
SPANGLER, W. L.; CULBERTSON, M. R.; KASS, P. H. Primary mesenchymal (nonangiomatous/nonlymphomatous) neoplasms
occurring in the canine spleen: anatomic classification, immunohistochemistry, and mitotic activity correlated with patient survival.
Veterinary Pathology Online, v. 31, n. 1, p. 3747, 1994.
SELTING, K. A.; POWERS, B. E.; THOMPSON, L. J. et al. Outcome of dogs with highgrade soft tissue sarcomas treated with and
without adjuvant doxorubicin chemotherapy: 39 cases (19962004). Journal of the American Veterinary Medical Association, v. 227, p.
14421448, 2005.
SPUGNINI, E. P.; BALDI, A.; VINCENZI, B. et al. Intraoperative versus postoperative electrochemotherapy in high grade soft tissue
sarcomas: a preliminary study in a spontaneous feline model. Cancer Chemotherapy and Pharmacology, v. 59, n. 3, p. 375381, 2007.
SPUGNINI, E. P.; CITRO, G.; D’AVINO, A. et al. Potential role of electrochemotherapy for the treatment of soft tissue sarcoma: first
insights from preclinical studies in animals. The International Journal Of Biochemistry & Cell Biology, v. 40, n. 2, p. 159163, 2008.
SPUGNINI, E. P.; VINCENZI, B.; BETTI, G. et al. Surgery and electrochemotherapy of a highgrade soft tissue sarcoma in a dog.
Veterinary Record, v. 162, n. 6, p. 186188, 2008.
SPUGNINI, E. P.; VINCENZI, B.; CITRO, G. et al. Adjuvant electrochemotherapy for the treatment of incompletely excised spontaneous
canine sarcomas. In Vivo, v. 21, n. 5, p. 819822, 2007.
STEFANELLO, D.; AVALLONE, G.; FERRARI, R et al. Canine cutaneous perivascular wall tumors at first presentation: clinical
behavior and prognostic factors in 55. Journal of Veterinary Internal Medicine, v. 25, p. 13981405, 2011.
STEFANELLO, D.; MORELLO, E.; ROCCABIANCA, P. et al. Marginal excision of low grade spindle cell sarcoma of canine
extremities: 35 dogs (19962006). Veterinary Surgery, v. 37, n. 5, p. 461465, 2008.
STOECKLE, E.; GARDET, H.; COINDRE, J. M. et al. Prospective evaluation of quality of surgery in soft tissue sarcoma. European
Journal of Surgical Oncology (EJSO), v. 32, n. 10, p. 12421248, 2006.
No comments:
Post a Comment
اكتب تعليق حول الموضوع