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Neoplasias de plano nasal
Incidência
As neoplasias do plano nasal são incomuns em cães e relativamente frequentes em gatos. Os carcinomas de células
escamosas ou epidermoides (Figuras 38.1 e 38.2) são o tipo histológico mais comum nessa região, embora linfomas,
fibrossarcomas, hemangiomas, melanomas, mastocitomas (Figura 38.3), fibromas e granulomas eosinofilicos também
tenham sido relatados.
Os carcinomas epidermoides representam cerca de 15% das neoplasias cutâneas dos felinos e seu desenvolvimento tem
sido associado à exposição crônica aos raios ultravioletas UVB e também mais recentemente ao papilomavírus. Áreas
despigmentadas e sem pelame ou com rarefação pilosa, como plano nasal, lábio, orelhas, têmporas e pálpebras nos felinos
e abdome ventral e face medial de joelho nos caninos, são as mais predispostas ao desenvolvimento dessa neoplasia.
Os carcinomas epidermoides nasais em cães ocorrem na faixa etária dos 8 anos de idade e uma alta incidência é relatada
em machos das raças Labrador e Golden Retrievers. Já nos gatos, a idade de maior ocorrência é 12 anos e os animais com
pelagem branca são os mais acometidos. Os siameses não são raças frequentemente acometidas em razão da pigmentação
natural nas áreas predispostas.
Comportamento natural
O carcinoma epidermoide progride de uma queratose actínica (lesão préneoplásica), apresentando crostas e eritema, para
um carcinoma in situ ou superficial (carcinoma confinado na epiderme), com erosões superficiais, e finalmente para o
carcinoma infiltrativo, apresentando grandes lesões erosivas desfigurantes.
Esses carcinomas em plano nasal geralmente são invasivos locais com tempo de evolução que varia de meses a anos. As
metástases podem ocorrer nos linfonodos regionais mandibulares e pulmões dependendo do grau de diferenciação do tumor
e em casos mais avançados.
Gatos com pelagem branca têm 13,4 vezes mais chance de desenvolver um carcinoma epidermoide que os de outras
colorações e a mutação do gene supressor tumoral p53 foi encontrada em mais de 50% dos casos.
O estadiamento para os carcinomas epidermoides cutâneos é definido pela profundidade e tamanho da lesão primária, e o
sucesso do tratamento está diretamente relacionado com ele. O estadiamento, segundo a OMS
1
, está descrito a seguir:
Figuras 38.1 A e B. Carcinomas epidermoides em plano nasal de felino com lesões ulceradas, crostosas e sanguinolentas.
Figura 38.2 Carcinoma epidermoide em plano nasal de canino.
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Figura 38.3 Mastocitoma em plano nasal de canino.
• Tis: carcinoma préinvasivo (carcinoma in situ): não ultrapassa a membrana basal
• T1: tumor < 2 cm de diâmetro, superficial ou exofítico
• T2: tumor com 2 a 5 cm de diâmetro ou com invasão mínima
• T3: tumor < 5 cm de diâmetro ou com invasão do subcutâneo
• T4: tumor invadindo outras estruturas como fáscia, músculo, osso ou cartilagem.
Sinais clínicos
A presença de crostas, eritema, lesão ulcerada superficial ou profunda desfigurantes é sinal do carcinoma epidermoide. Nos
gatos, as lesões iniciamse na superfície cornificada do plano nasal, enquanto nos cães frequentemente ocorrem na
membrana mucosa do nariz (Figura 38.4).
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Figura 38.4 Carcinoma epidermoide em plano nasal de canino.
Diagnóstico
A biopsia por punch, excisional ou incisional, permite o diagnóstico histopatológico e a avaliação do grau de invasão dos
carcinomas epidermoides. Essas biopsias requerem anestesia geral em virtude da grande sensibilidade nasal e a grande
vascularização do órgão. A citologia aspirativa por agulha fina tem pouco valor no diagnóstico dessas lesões muito
superficiais, pois revela apenas processo inflamatório.
A radiografia torácica e a palpação e/ou citologia dos linfonodos regionais são importantes para a avaliação de
metástases dos carcinomas epidermoides nasais, principalmente para os carcinomas de estadiamento avançado.
A tomografia computadorizada e a ressonância magnética, por sua vez, têm importância para o estadiamento desses
carcinomas em cães, já que permitem a avaliação da extensão do tumor e o planejamento da radioterapia e da cirurgia.
Tratamento
A primeira medida a ser tomada é impedir o acesso do animal à exposição solar. Repetidas tatuagens para pigmentação
protetora são procedimentos controversos e não são efetivos quando existem ulceração e inflamação, já que os macrófagos
removem o pigmento. Protetores solares também não são eficazes, pois são facilmente removidos nessa região. Por sua
vez, os derivados sintéticos de vitamina A podem ajudar a reverter as lesões préneoplásicas diferenciando as células
epiteliais, porém não podem ser prescritos por médicosveterinários no Brasil.
A excisão cirúrgica é o único tratamento que pode proporcionar margens livres do tumor e, portanto, é o método eleito
para os carcinomas epidermoides de plano nasal, já que proporciona até mesmo cura. A cirurgia é indicada para o
estadiamento T3 e T4. A remoção com margens livres de 1 cm seria o ideal para os carcinomas epidermoides. Na ressecção
nasal, a remoção de no mínimo 5 mm de margens laterais de pele e da cartilagem nasal são recomendadas. O aspecto final
do animal após o tratamento cirúrgico demonstra boa cicatrização, função, estética e controle do tumor (Figura 38.5).
Os carcinomas epidermoides nasais superficiais podem ser tratados com cirurgia, criocirurgia, terapia fotodinâmica,
quimioterapia intralesional e radioterapia. A crioterapia é recomendada para lesões em estadiamento T1 e T2 superficiais
ou com até 5 mm de diâmetro, porém com taxa de recidiva de até 73%. A terapia fotodinâmica alcança até 70 a 90% de
resposta completa (RC) e recidiva de 30 a 60%. A quimioterapia intralesional com carboplatina demonstrou até 70% de
RC e 30% de recidiva em gatos. A radioterapia com estrôncio alcança até 85 a 87% de RC, mas as desvantagens são a taxa
de recidiva de aproximadamente 20%, a falta de disponibilidade de centros de radioterapia, o alto custo e os múltiplos
procedimentos anestésicos necessários para as sessões.
Prognóstico
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O prognóstico para cães e gatos com carcinomas de plano nasal é bom para as lesões recentes e superficiais. Nos gatos
com carcinoma em plano nasal, 30% dos animais desenvolvem novas lesões. Em estadiamento avançado, a cirurgia radical
permite 80% dos gatos sem recidiva no 1
o ano de acompanhamento.
Figura 38.5 A. Aspecto do cão após ressecção nasal. B. Aspecto do gato após ressecção nasal.
Neoplasias de cavidade nasal e seios paranasais
Incidência
Os tumores da cavidade nasal e seios paranasais (sinonasais) são pouco frequentes em gatos; já em cães, ocorrem em
aproximadamente 1% de todas as neoplasias. Nos gatos, os linfomas são os mais frequentes, seguidos pelos
adenocarcinomas, carcinomas epidermoides e fibrossarcomas, e ocorrem na faixa etária dos 10 anos; já nos cães, os
adecarcinomas e condrossarcomas são os mais relatados nas idades de 10 a 15 anos. Raças dolicocéfalas de médio a grande
porte são predispostas. Suspeitase também que animais de grandes centros urbanos poluídos possam ter um maior risco
de desenvolver a doença.
As raças mais comumente descritas com risco de desenvolvimento de neoplasias nasais incluem Basset Hound, Old
English Sheepdog, Scottish Terrier, Collie, Pastoralemão, Setter Irlandês e Pointer Alemão. Os cães da raça Labrador,
Staffordshire, Rottweiler, Bull Terrier e West Highland White Terrier também foram relatados.
Comportamento natural
Os tumores nasais são localmente invasivos e as metástases, pouco frequentes, ocorrendo em 0 a 12% dos casos. As
metástases em linfonodos regionais, verificadas por citologia aspirativa, foram relatadas em 13 a 24% dos cães; em
pulmões, em 10,2% dos casos, avaliados por tomografia computadorizada. Os carcinomas (adenocarcinoma, carcinoma
epidermoide e carcinoma pouco diferenciado) representam dois terços das neoplasias intranasais caninas (Figuras 38.6 e
38.7). Em um estudo realizado com 72 cães, 58% das neoplasias nasais eram carcinomas, sendo o principal deles o
adenocarcinoma, e 25% sarcomas, sendo o condrossarcoma o mais representativo. Os fibrossarcomas, osteossarcomas,
mixossarcomas e sarcomas indiferenciados também foram relatados.
Em um estudo com 123 felinos, os linfomas nasais de células B (28%) foram os mais frequentes, seguidos dos
adenocarcinomas (14%) e carcinomas epidermoides (13%). Os linfomas imunoblásticos (91%) de células B (68%) foram
os mais frequentes em outro estudo.
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Figura 38.6 Basset Hound com carcinoma epidermoide em cavidade nasal obstruindo narinas.
Figura 38.7 Deformidade facial em decorrência de neoplasia sinonasal.
A carcinogênese das neoplasias sinonasais ainda está em estudo. A superexpressão da proteína p53 mutada e da ciclooxigenase 2 foi detectada nos tumores epiteliais dessa região.
O estadiamento das neoplasias sinonasais pode ser realizado segundo a OMS
1 ou segundo exame tomográfico como o de
Adams et al.
2
Estadiamento segundo a OMS:
• Tumor primário (T):
T0: sem evidência de tumor
T1: tumor ipsilateral, mínino ou sem destruição óssea
T2: tumor bilateral e/ou moderada destruição óssea
T3: Tumor invadindo tecidos vizinhos
• Linfonodo regional (N):
N0: sem evidência de linfonodo envolvido
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N1: linfonodo ipsilateral móvel
N1a: sem aumento
N1b: com aumento
N2: linfonodo móvel contralateral ou bilateral
N2a: sem aumento
N2b: com aumento
N3: linfonodos fixos
• M: metástases a distância:
Mx: metástases não podem ser avaliadas
M0: sem evidências de metástases
M1: metástases detectadas.
Estadiamento, segundo exame tomográfico, de Adams et al.
2
:
• T1: tumor confinado em uma cavidade sem envolvimento ósseo, além dos turbinados
• T2: envolvimento de qualquer osso além dos turbinados, mas sem evidência de envolvimento da órbita ou massa
subcutânea/submucosa
• T3: envolvimento da órbita ou da massa subcutânea/submucosa (envolvimento de nasofaringe)
• T4: tumor causando lise na placa cribiforme.
Sinais clínicos
Alguns sinais clínicos encontrados são: epistaxe, epífora por obstrução do ducto nasolacrimal, secreção nasal
mucopurulenta uni ou bilateral, deformidade facial (Figura 38.7), espirros, dificuldade respiratória e alterações
neurológicas como cegueira repentina e convulsão, quando existe acometimento do sistema nervoso central por invasão do
tumor sinonasal por intermédio da placa cribiforme.
Diagnóstico
O diagnóstico definitivo das neoplasias intranasais requer a biopsia do tecido afetado por técnica de sucção, curetagem ou
por fórceps alligator. Antes da biopsia, deve ser realizada a avaliação geral do paciente com anamnese, exame físico e
exames complementares detalhados, inclusive com a verificação da pressão arterial, exame da retina e coagulograma em
razão da epistaxe apresentada.
Radiografias simples de toráx e crânio (dorsoventral oclusal, ventrodorsal, laterais e oblíquas) podem demonstrar
metástases pulmonares, bem como aumento na densidade de tecido mole em região de osso nasal ou maxilar, destruição
dos turbinados assimétricos, lise dos ossos faciais e opacificação do seio frontal.
A tomografia computadorizada (Figura 38.8) ou a ressonância magnética são úteis na avaliação da extensão do tumor e
no planejamento terapêutico, sendo a primeira mais importante para a avaliação de envolvimento ósseo e do acometimento
da placa cribiforme, que indica invasão neoplásica para o sistema nervoso central.
A rinoscopia tem sido bastante utilizada como meio diagnóstico das neoplasias intranasais, porém é uma ferramenta que
deve ser utilizada somente para a visualização do tumor, já que fragmentos muitos superficiais são obtidos dessa biopsia
guiada, que muitas vezes revelam somente processos inflamatórios, e não o diagnóstico definitivo.
O exame citológico, por escova ou lavado nasal, embora pouco invasivo e com menor chance de causar hemorragia, não
deve ser utilizado como ferramenta única no diagnóstico, já que muitas neoplasias têm baixa celularidade, comprometendo
o resultado final.
Tratamento
A radioterapia é o tratamento de escolha para as neoplasias sinonasais alcançando em média de 11 a 19,7 meses de
sobrevida entre os variados tipos histológicos e estádios da doença no cão. Cirurgia ou quimioterapia associada à
radioterapia também são relatadas na literatura.
Em gatos com linfomas nasais, a radioterapia também é a terapia de escolha, alcançando em média 1,5 a 3 anos de
sobrevida. A quimioterapia baseada no COP (ciclofosfamida, vincristina e prednisona) ou CHOP (ciclofosfamida,
doxorrubicina, vincristina e prednisona) também pode ser utilizada nos gatos com linfomas nasais, com 75% de resposta
completa e sobrevida média de até 2 anos.
O uso da carboplatina com epirrubicina foi utilizado em um cão alcançando sobrevida de 134 dias. Piroxicam na dose de
0,3 mg/kg associado à carboplatina 300 mg/m
2 ou ao toceranib 2,75 a 3,75 mg/kg também foram relatados em 3 cães com
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carcinomas epidermoides de seio frontal, prolongando a vida deles para 344 dias; já com a carboplatina, foi prolongada por
3 anos; e 195 dias. O protocolo de doxorrubicina alternada com carboplatina e piroxicam proporciona em média 210 dias de
sobrevida.
Na literatura, também são citados tratamentos com fluoruracila e ciclofosfamida, mitoxantrona, rinotomia e curetagem
transnasal (Figura 38.9), todos com resultados pobres em comparação à radioterapia.
Prognóstico
O prognóstico das neoplasias sinonasais é ruim, já que a doença geralmente manifestase em estadiamento avançado e está
situada em local crítico que impossibilita a remoção cirúrgica –, entre o cérebro e globo ocular. O tempo médio de vida sem
tratamento dos carcinomas sinonasais é de 95 a 106 a dias; com tratamento cirúrgico, que provoca morbidade acentuada,
varia de 3 a 6 meses. A presença de epistaxe pode indicar pior prognóstico com sobrevida média de 88 dias. A radioterapia
associada à cirurgia pode prolongar a sobrevida de 7 até 47 meses dependendo do tipo histológico e do estadiamento da
doença. Cães em estadiamento 4 têm média de sobrevida de 132 dias.
Figura 38.8 A. Tumor em cavidade nasal esquerda – corte sagital e transversal. B. Tumor em cavidade nasal e seio frontal
esquerdos invadindo a cavidade nasal direita – corte sagital e transversal. Imagens cedidas por André Romaldine.
Nos casos dos sarcomas em estadiamento 4, o tempo médio de sobrevida com radioterapia é de 257 dias.
Neoplasias laríngeas
Incidência
As neoplasias primárias da laringe são raras em cães e gatos. Carcinomas e oncocitomas ou rabdomiomas (Figura 38.10)
foram relatados como os mais comuns nessa região em cães, representando 34% e 24% dos casos, respectivamente. Outros
tipos tumorais, como os mastocitomas, condrossarcomas, osteossarcomas, melanomas, lipomas, adenocarcinomas,
fibrossarcomas, liomiomas, linfomas e plasmocitomas, também foram descritos na literatura. Não há predisposição de raça
ou sexo para o aparecimento das neoplasias de laringe, porém os oncocitomas parecem ocorrer em animais jovens adultos.
Nos gatos, as neoplasias laringeanas mais comuns são os carcinomas e os linfomas.
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Figura 38.9 Rinotomia. Formação em cavidade nasal direita apontada pela seta branca.
Comportamento natural
Há poucos trabalhos na literatura sobre as neoplasias laringeanas em Medicina Veterinária. Rabdomiomas, oncocitomas e
tumores das células granulares são tumores encontrados na laringe citologicamente semelhantes e que devem ser
submetidos à histologia e imunohistoquímica para o diagnóstico mais apurado. Os rabdomiomas são neoplasias benignas
originadas do músculo estriado, que expressam mioglobina e actina músculoreativa e não expressam pancitoqueratina e
vimentina. Existem controvérsias na literatura se os rabdomiomas são oncocitomas, já que os oncócitos, provavelmente
originados de células epiteliais, não expressam marcadores para músculo e vimentina, porém expressam citoqueratina. Os
tumores das células granulares têm origem incerta e expressam enolase neurônioespecífica ou S100, sugerindo a origem a
partir das células de Schwann.
Os rabdomiomas nos cães podem ser de grande extensão, porém minimamente invasivos. Os condrossarcomas
extraesqueléticos, como os da laringe, apresentam sobrevida e presença de metástases variável dependendo do grau
histológico do tumor.
Sinais clínicos
As principais queixas relatadas pelos proprietários consistem em respiração ruidosa, intolerância ao exercício, distrição
respiratóriainspiratória, tosse, alterações progressivas no latido, disfagia e emagrecimento. Os sinais e sintomas tendem a
piorar quando o animal é submetido a estresse, agitação, exercício físico e temperaturas elevadas.
Diagnóstico
Em geral, os tumores da laringe não são palpáveis, porém a integridade das estruturas cartilaginosas e a presença de
aumentos em linfonodos cervicais podem ser observadas durante o exame físico. Tumores em estádios avançados tendem a
deformar e alargar a cartilagem tireoide.
O exame radiográfico pode revelar distorções no lúmen da laringe, evidenciando redução no diâmetro de trânsito do ar,
causada por massa intraluminal. A radiografia com a laringoscopia podem ajudar no diagnóstico diferencial das causas de
distrição respiratória superior, como colapso da laringe, alongamento do palato mole, paralisia da laringe e colapso da
traqueia. As radiografias torácicas auxiliam no estadiamento da doença, pois verificam a presença de metástases a
distância. O exame tomográfico, por sua vez, é o que melhor localiza a extensão da formação laringeana.
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Figura 38.10 A e B. Formação entre as cartilagens aritenoides (seta branca). Rabdomioma aderido caudalmente à
aritenoide esquerda de cão (círculo amarelo). Imagem cedida por Franz Naoki Yoshitoshi.
A laringoscopia combinada com biopsia incisional é de fundamental importância para o diagnóstico histopatológico e
imunohistoquímico definitivo dessas lesões. A citologia, nesses casos, pode gerar resultados falsonegativos e não deve
ser utilizada como exame único.
Tratamento
O tratamento cirúrgico pode ser benéfico e curativo nos casos de neoplasias benignas, como o rabdomioma ou oncocitoma,
quando se preserva a função laringeana.
Nas neoplasias malignas, existem poucos relatos de terapia de sucesso. Em condrossarcoma grau I ressecado
cirurgicamente, não houve recidiva nos 12 meses de observação. No plasmocitoma, quando o tratamento cirúrgico não é
possível, o quimioterápico com melphalan 0,1 mg/kg e prednisolona 0,5 mg/kg/dia pode controlar as lesões por até 6
meses.
A traqueostomia temporária deve sempre ser realizada nas laringectomias parciais ou totais para auxílio respiratório no
trans e pósoperatório.
Prognóstico
O prognóstico da maioria dos tumores laríngeos é reservado, dependendo do tipo histológico e da extensão da neoplasia.
As neoplasias benignas, como rabdomiomas ou oncocitomas, têm prognóstico bom quando passíveis de serem
ressecionadas cirurgicamente, podendo alcançar mais de 1 ano sem recidivas e até mesmo cura. As neoplasias malignas
estão associadas a prognóstico desfavorável, porém com informações escassas na literatura.
Neoplasias traqueais
Incidência
As neoplasias da traqueia são raras em cães e gatos. Em estudo retrospectivo de 289 tumores em gatos, identificaramse
apenas dois tumores traqueais. Não apresentam predileção por sexo, raça e idade, embora animais mais jovens demonstrem
mais risco de desenvolver osteocondroma.
Animais com locais ativos de ossificação osteocondral estão mais suscetíveis ao desenvolvimento de neoplasias
traqueais benignas osteocartilaginosas em consequência de alterações na osteogênese. A traqueia, assim como a laringe,
pode ser invadida por neoplasias adjacentes, como linfoma e adenocarcinoma da tireoide. Diversos tumores na traqueia já
foram relacionados (Quadro 38.1).
Comportamento natural
Os tumores traqueais ocorrem com mais frequência em animais de meiaidade a idosos (5 a 15 anos). Normalmente,
causam obstrução luminal por expansão (Figura 38.11) ou compressão externa do lúmen e, conforme o tamanho luminal
diminui, tornamse notórios os sinais de desconforto respiratório.
Sinais clínicos
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Animais com neoplasias traqueais podem apresentar história clínica aguda ou progressiva de obstrução da via respiratória
superior, provocando hipoventilação e acidose respiratória. Ruídos na região cervical podem ser auscultados e transmitidos
aos campos pulmonares. Os sinais clínicos incluem estridor, geralmente inspiratório, tosse improdutiva como sinal mais
comum, intolerância a exercícios, cianose, dispneia e colapso em caso de obstrução grave.
Quadro 38.1 Principais neoplasias traqueais em cães e gatos.
Neoplasiasmalignas emcães
Adenocarcinoma
Condrossarcoma
Linfoma
Mastocitoma
Osteossarcoma
Neoplasiasmalignas emgatos
Adenocarcinoma
Carcinomadecélulasescamosas
Linfoma
Neoplasias benignas emcães e gatos
Liomioma
Oncocitoma
Osteocondroma(cães)
Pólipos
Figura 38.11 A. Imagem radiográfica de um osteocondroma intraluminal de traqueia (seta) em um cão macho, sem raça
definida, com 1 ano e meio de idade. B. Imagem do segmento traqueal comprometido pela neoplasia.
Diagnóstico
Alguns pacientes com neoplasias na traqueia apresentam, ao exame físico, aumento de volume com possibilidade de
palpação de massas quando localizadas na região cervical. Em geral, as radiografias cervicais permitem determinar a
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localização e a extensão do tumor. Com frequência, os osteocondromas são radiodensos, facilmente identificados nas
radiografias de rotina.
O diagnóstico diferencial dos tumores traqueais inclui colabamento traqueal, corpos estranhos, malformações congênitas,
cistos, inflamação, massas granulomatosas, ou excesso de secreções respiratórias.
A confirmação diagnóstica dos tumores traqueais é realizada por meio de exame histopatológico.
É necessária a realização de radiografias torácicas para pesquisar a presença de metástases e broncopneumonia. Indicamse ainda esofagramas de contraste ou esofagoscopia para descartar envolvimento do esôfago.
Tratamento
Experiências com neoplasias traqueais sugerem que, quando benignos, solitários e localizados, a excisão cirúrgica pode ser
curativa, sobretudo nos casos de tumores osteocondrais. A ressecção traqueal e a anastomose de extremidades em geral
constituem o tratamento cirúrgico mais apropriado, podendose resseccionar de 20 a 60% da traqueia. Nos casos de
ressecções extensas, considerase o uso de próteses traqueais para anastomose das extremidades. Quando não for possível
realizar a excisão completa dos tumores malignos na porção cranial da traqueia, a traqueostomia permanente pode
proporcionar alívio da dispneia.
Relatos revelaram que, em cães adultos, cerca de 12% do comprimento total da traqueia (quatro anéis) pode ser
seccionado e anastomosado sem que se gere tensão na anastomose. Em outro estudo realizado com seis gatos submetidos a
tratamento cirúrgico para remoção de neoplasias malignas traqueais, constatouse alívio significativo dos sinais clínicos e
cinco gatos foram acompanhados apresentando os seguintes resultados:
• Dois animais foram eutanasiados, um aos 14 meses após a cirurgia, por recidiva de um adenocarcinoma e outro aos 4
meses em virtude do desenvolvimento de linfoma renal
• Um paciente apresentou sobrevida de 15 meses após duas ressecções de um carcinoma
• Um gato positivo para leucemia viral felina com linfoma histiocítico submetido a tratamento cirúrgico e quimioterápico
mostrouse clinicamente normal por 6 meses após o tratamento
• Um gato submetido a duas intervenções cirúrgicas para remoção de um adenocarcinoma sobreviveu por 17 meses
quando o tumor recidivou pela terceira vez.
Inexistem protocolos quimioterápicos específicos para tratamento das neoplasias da traqueia, embora alguns estudos
tenham relatado o uso de ciclofosfamida, vincristina e prednisona no prolongamento da vida de animais com linfomas
traqueais. A radioterapia pode ser um adjuvante valioso no tratamento de carcinomas de células escamosas, mastocitomas e
linfomas, mas existem poucas informações disponíveis.
Prognóstico
O prognóstico está intimamente relacionado com o tipo histológico, tornandose bom no caso de tumores benignos com
excisão cirúrgica completa. No que concerne às neoplasias malignas, o prognóstico varia de reservado a ruim, uma vez que
as neoplasias malignas da traqueia apresentam alta capacidade de disseminação linfática e sanguínea, invasão de tecidos
adjacentes, além de invasão do espaço pleural.
Neoplasias pulmonares
Incidência
A incidência de neoplasias pulmonares primárias em cães e gatos é baixa, representando aproximadamente 1,2% e 0,5% de
todos os tumores, respectivamente.
Inexistem dados suficientes que relacionem o fumo passivo ao desenvolvimento de neoplasias pulmonares em cães e gatos.
Em seres humanos, o risco de câncer de pulmão para não fumantes expostos à fumaça de cigarro é 1,2 a 1,5 vez maior que
o do não fumante não exposto ao fumo.
A média de idade de cães portadores de neoplasias pulmonares primárias situase entre 10 e 11 anos, exceto no caso de
granulomatose linfomatoide, que ocorre em cães jovens (1 a 6 anos de idade). Com frequência, os gatos acometidos por
neoplasias primárias são bem mais idosos, com média de idade de 12 anos.
Não existe predileção por sexo e raça quanto ao surgimento de neoplasias pulmonares, mas alguns estudos têm relatado
incidência maior em fêmeas que em machos, na proporção de 2:1.
Comportamento natural
As neoplasias pulmonares em cães e gatos podem surgir primariamente no parênquima pulmonar ou secundariamente por
meio de metástase, sendo os tumores primários menos comuns que os metastáticos (Quadro 38.2). Normalmente, são mais
afetados os lobos diafragmáticos, comprometendo os lobos pulmonares direitos com mais frequência que os esquerdos.
Os carcinomas são os tumores pulmonares primários mais frequentes e englobam o adenocarcinoma, o carcinoma
broncoalveolar e o carcinoma de células escamosas. O adenocarcinoma representa o tipo histológico mais comum
encontrado em cães e gatos, ao passo que o carcinoma de células escamosas e os carcinomas anaplásicos são menos
comuns. O carcinoma de pequenas células, frequente em seres humanos, é raro em cães e gatos. Tumores pulmonares
primários de origem conjuntiva, além dos tumores benignos, são raros.
Os tumores pulmonares primários produzem metástases precocemente e de modo agressivo, tendo como principais
locais metastáticos os linfonodos brônquicos, o cérebro, os ossos e a pleura. As metástases ocorrem através dos vasos
linfáticos e sanguíneos e por via transpleural.
Quadro 38.2 Principais neoplasias pulmonares primárias e metastáticas em cães e gatos.
Neoplasias primárias emcães
Sarcoma
Fibrossarcoma
Hemangiossarcoma
Osteossarcoma
Outros
Granulomatoselinfomatoide
Histiocitose maligna
Linfoma
Benigno
Adenoma
Fibroma
Neoplasias primárias emgatos
Carcinoma
Adenocarcinoma(papilar,broncoalveolar)
Epidermoide
Broncogênico
Sarcoma (raro)
Hemangiossarcoma
Células fusiformes
Células reticulares
Benigno (raro)
Adenomabrônquico
■
■
Hemangioma
Neoplasiasmetastáticas emcães e gatos
Carcinoma mamário
Osteossarcoma
Carcinomatireóideo
Carcinomadecélulas transicionais
Melanoma
Hemangiossarcoma
Carcinomadecélulasescamosas
Sinais clínicos
Os sinais clínicos decorrem dos tumores pulmonares primários, das metástases intratorácicas e extratorácicas e de
distúrbios paraneoplásicos, podendo produzir uma grande quantidade de sinais clínicos. Normalmente, esses sinais são
lentos e progressivos, mas manifestações hiperagudas, como pneumotórax e hemorragias, podem ocorrer.
Os sinais clínicos mais comumente relacionados com as neoplasias pulmonares incluem tosse estridente e improdutiva
com evolução crônica. Dispneia, taquipneia e cianose, normalmente associadas a derrame pleural ou doença difusa, poderão
ser observadas. A redução da tolerância a exercícios se relaciona em geral à infiltração pulmonar pelo tumor, causando
interferência na oxigenação e resultando em esforço respiratório aumentado.
Raramente, observase o desenvolvimento de ascite ou edema de cabeça e pescoço, decorrente da obstrução da veia cava
caudal ou cranial. Outros sinais clínicos em cães e gatos incluem anorexia, febre, perda de peso e depressão. Disfagia,
vômito e regurgitação normalmente são ocasionados pela compressão esofágica.
As síndromes paraneoplásicas comuns em seres humanos são raras em animais, sendo a osteopatia hipertrófica a mais
comum associada a massas pulmonares grandes, descrita em 3 a 15% dos animais. Outras síndromes paraneoplásicas
podem estar associadas às neoplasias pulmonares primárias, como paraplegia e neuromiopatia subclínica, hipercalcemia e
leucocitose neutrofílica associada a fibrossarcoma metastático.
Gatos ainda apresentam inchaços digitais múltiplos e claudicação, em associação a metástases de tumores primários,
como adenocarcinomas e carcinomas de células escamosas.
Diagnóstico
O principal método utilizado na rotina clínica de pequenos animais para o diagnóstico é o exame radiográfico simples
(Figura 38.12) e de boa qualidade, em três projeções (laterais direita e esquerda e ventrodorsal). Essa avaliação, combinada
ao histórico e ao exame físico, permite sugerir o diagnóstico de lesão neoplásica pulmonar. O diagnóstico definitivo poderá
ser dado por meio de avaliações citológicas e histológicas.
■
Figura 38.12 Imagem radiográfica do tórax de um cão. Observase a presença de metástases pulmonares de carcinoma
mamário.
Os padrões pulmonares decorrentes da neoplasia são variados e incluem nódulo circunscrito solitário, nódulos
circunscritos múltiplos, padrão reticulonodular disseminado intersticial, padrão alveolar disseminado misto e consolidação
lobar. Em muitos casos de metástases, é comum o envolvimento difuso, demonstrado na forma de opacidades intersticiais
nodulares, alveolares ou peribronquiais.
A grande maioria dos nódulos é detectada pela radiografia convencional, que possibilita a avaliação do tamanho e da
calcificação no interior do nódulo e pode servir de guia para biopsia por agulha fina.
Alguns autores relatam que cerca de 11% das neoplasias pulmonares não são detectadas em radiografias em razão do
tamanho pequeno das lesões (micrometástases), da ausência de contraste do tumor com o parênquima pulmonar pela
presença de efusão pleural. Outras patologias como infecções (parasitárias, fúngicas e bacterianas atípicas), reações de
corpo estranho, hipersensibilidade, doenças imunomediadas e torções de lobo pulmonar podem mimetizar os padrões
radiográficos neoplásicos.
A avaliação citológica pulmonar pode fornecer subsídios importantes em relação ao diagnóstico, além de ser um método
menos invasivo quando comparado à biopsia incisional ou excisional. Em pequenos animais, a avaliação citológica pode
ser realizada por meio de lavados traqueal e broncoalveolar.
Um estudo realizado com 35 cães revelou que em 79,1% dos casos houve semelhança entre os exames citológico e
histopatológico. Em outro estudo com 206 casos de neoplasias pulmonares primárias, a capacidade do exame citológico em
predizer o tipo histológico variou de 26 a 95% de acordo com o tipo de tumor.
A aspiração transtorácica com agulha fina também é indicada em determinados casos para obter material do parênquima
pulmonar. A toracotomia associada à realização de biopsia é um método mais invasivo de obtenção de tecido pulmonar, no
entanto, por meio desse procedimento, é possível estabelecer o diagnóstico definitivo.
A tomografia computadorizada tem sido utilizada na avaliação de neoplasias pulmonares. Esse meio de diagnóstico
possibilita um estudo mais fidedigno de tamanho, calcificação, número e densidade da lesão.
Tratamento
O tratamento mais eficaz para o câncer de pulmão primário ainda é a ressecção cirúrgica do tumor, pois é a modalidade que
oferece mais chance de cura. A ressecção cirúrgica dos tumores pulmonares tem se tornado um procedimento seguro, com
baixas taxas de complicações e de mortes pósoperatórias. Um estudo com mais de 2.000 pacientes humanos mostrou uma
taxa média de mortalidade de 3,7% após 30 dias de pósoperatório.
A lobectomia é a técnica mais empregada na remoção dos tumores pulmonares solitários (Figura 38.13). Em muitos
casos, o diagnóstico em animais é realizado em uma fase tardia, na qual o tumor já se espalhou além dos limites de
ressecção cirúrgica. Assim, outras formas de tratamento tornamse de grande importância na diminuição da morbidade e no
aumento da sobrevida.
Muitas vezes, a presença de uma única metástase raramente é identificada antes do desenvolvimento de lesões
pulmonares difusas. Nestes casos, o indicado é o emprego da quimioterapia antineoplásica na tentativa de aumentar a
■
1.
2.
sobrevida do paciente. Infelizmente, muitas neoplasias metastáticas não apresentam a mesma resposta aos agentes
antineoplásicos quando comparado com a resposta obtida durante o tratamento do tumor primário.
Figura 38.13 Imagem de ressecção cirúrgica de metástase pulmonar em cão.
Vários fármacos citotóxicos são utilizados no controle de neoplasias pulmonares, como cisplatina, carboplatina,
etoposídeo, ciclofosfamida, doxorrubicina, sulfato de vincristina, lomustina e ifosfamida. Atualmente, outros agentes
também estão sendo usados, por exemplo, paclitaxel, docetaxel, gencitabina e vinorelbina. Destes, o mais amplamente
estudado e que proporciona melhores resultados, principalmente nos casos de metástases pulmonares, é o paclitaxel.
Prognóstico
Alguns fatores devem ser levados em consideração na tentativa de estimar o prognóstico, como o tamanho do tumor, o
envolvimento dos linfonodos torácicos e a presença de outras metástases. A ausência de invasão linfonodal tem sido
associada ao aumento do período de sobrevida.
Nos casos de tumores primários solitários e pequenos sem metástase ou efusão pleural, o prognóstico é um pouco
melhor, superior a 1 ano. No entanto, o prognóstico dos pacientes com lesões metastáticas localizadas no parênquima
pulmonar geralmente é ruim. As neoplasias benignas apresentam um bom prognóstico.
Em um estudo realizado com 15 cães tratados com lobectomia e que tinham envolvimentos apenas em um lobo
pulmonar, sem metástases pulmonares ou extratorácicas, observouse sobrevida média de 13 meses.
Os gatos geralmente apresentam prognóstico ruim, uma vez que 75% dos tumores primários são inoperáveis no
momento do diagnóstico e geralmente são observadas inúmeras lesões metastáticas.
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Introdução
Ainda que não sejam diagnosticadas rotineiramente, as neoplasias cardíacas geralmente desencadeiam efusões pericárdicas
e tamponamento cardíaco, uma importante condição clínica cujo rápido reconhecimento é mandatório para garantir a
sobrevivência do paciente acometido. A combinação da história clínica, do exame físico e de exames complementares
permite suspeitar de efusão e tamponamento. O exame citológico de amostras de líquido pericárdico ou pleural pode
evidenciar o tipo neoplásico envolvido, apesar de a causa primária muitas vezes ser elucidada apenas após exame
histopatológico, valendose de técnicas imunohistoquímicas.
Incidência
O diagnóstico de neoplasias cardíacas não é frequente em cães e é raro em gatos, estimandose sua prevalência em 0,17 a
0,19% e menor que 0,03% dos tumores evidenciados em cães e gatos, respectivamente. Para a maioria das neoplasias, a
ocorrência é mais comum em cães com mais de 10 anos de vida, embora existam relatos de diagnóstico em animais de 7 a
15 anos. O linfoma cardíaco, especificamente, é mais frequentemente diagnosticado em animais com até 7 anos. Também já
se documentou a influência da idade nos gatos, com pelo menos 34% dos casos acometendo animais entre 10 e 15 anos.
Não há predisposição sexual para ocorrência dos tumores cardíacos em cães, embora existam citações que reportem risco
de ocorrência possivelmente maior em fêmeas (4 vezes) ou machos castrados (1,6 vez). Nos gatos, entretanto, observamse
mais casos em fêmeas (53%).
A predisposição racial, por sua vez, é variável nos cães, embora existam algumas raças em que a ocorrência é
conhecidamente maior. As raças com mais risco (número de cães avaliados/casos de neoplasias cardíacas) são: Saluki
(401/6); Buldogue Francês (215/3); Irish Water Spaniel (168/2); Retriever de pelo curto (534/4); Golden Retriever
(32.940/215); Boxer (8.496/52); Afghan Hound (2.080/12); Setter Inglês (3.796/21); Scottish Terrier (3.290/16); Boston
Terrier (5.225/25); Buldogue (5.580/24) e Pastoralemão (37.872/129). As raças com menos risco de neoplasias cardíacas
são: Sharpei (4.664/1); Chow Chow (6.543/2); Maltês (3.241/1); Dálmata (6.131/2); Poodle Toy (11.482/4); Samoieda
(5.416/2); Chihuahua (5.414/2); Cocker Spaniel Americano (31.104/15); Collie (11.917/7); ShihTzu (8.200/5); Dachshund
(14.079/9); Springer Spaniel Inglês (9.975/7); Pequinês (5.301/4); Yorkshire Terrier (9.064/8); Rottweiler (13.861/13);
Beagle (9.462/9) e Poodle Miniatura (19.957/22).
Etiologia
Embora diversos tipos neoplásicos tenham sido relatados no cão e no gato, a maioria das neoplasias cardíacas caninas
originase ou implantase no lado direito do coração, geralmente no átrio. A literatura internacional arrola como tipos
histológicos mais comuns, em ordem de importância, o hemangiossarcoma, neoplasias do corpo aórtico, linfomas e
tumores ectópicos de tireoide. No Brasil, a percepção clínica aponta para maior ocorrência de linfomas cardíacos, seguido
pelos mesoteliomas, hemangiossarcomas e, finalmente, os tumores de corpo aórtico.
Nos gatos, o linfoma representa pelo menos 31% dos casos diagnosticados de neoplasias cardíacas, enquanto diversos
carcinomas metastáticos compõem 19% das ocorrências e os hemangiossarcomas e neoplasias do corpo aórtico apenas 9%
e 3%, respectivamente.
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É importante lembrar que outros tipos tumorais também podem acometer o coração e estruturas adjacentes, embora
sejam muito menos comuns. Citamse, por exemplo, os mixomas, condrossarcomas, fibrossarcomas, rabdomiossarcomas
e os carcinomas de células escamosas.
Linfoma
Células linfoides em quaisquer estágios de diferenciação dão origem ao linfoma. A forma cardíaca é chamada extranodal e
pode promover arritmias e/ou efusão pericárdica com tamponamento cardíaco. Pode ser difusa ou nodular e envolver o
miocárdio e/ou o pericárdio. Embora seja a principal forma de neoplasia cardíaca nos gatos, sua forma cardíaca é
considerada incomum nos cães.
Nos gatos, aproximadamente 80% dos animais com formas mediastinais de linfoma podem ser positivos para o vírus da
leucemia viral felina.
Hemangiossarcoma
Tratase de um tumor originário das células endoteliais vasculares, altamente maligno, também denominado angiossarcoma
ou hamangioendotelioma maligno. No coração, costuma se localizar no átrio direito, com destaque para o apêndice
auricular direito ou, ainda, nos tecidos adjacentes. Na forma cardíaca, essa neoplasia normalmente se distribui pela
superfície epicárdica, sendo composta de células endoteliais ovoides cujo citoplasma é escasso e os núcleos,
hipercromáticos, podendo dar origem a espaços vasculares preenchidos por sangue. Entre os órgãos mais acometidos por
metástases, destacamse pulmões, fígado, baço e rins.
Parece haver maior incidência dessa neoplasia em cães das raças Pastoralemão e Golden Retriever.
Tumores de corpo aórtico
Cerca de 8% das neoplasias cardíacas diagnosticadas nos EUA são tumores do corpo aórtico, representados pelo
quimiodectoma e paraganglioma não cromafim. Essas massas são derivadas de células quimiorreceptoras sensíveis à
tensão de oxigênio e dióxido de carbono no sangue cuja função fisiológica envolve a regulação do processo respiratório e
circulatório. Agrupamentos celulares localizados junto à raiz aórtica (corpo aórtico) constituem o sítio de origem dos
tumores de corpo aórtico no cão, embora tais grupos celulares também existam próximos à bifurcação carotídea (corpo
carotídeo). Esses tumores são compostos por um delicado estroma conjuntivo que dá suporte a células poliédricas
discretamente coradas – cujo citoplasma é vacuolizado ou contém grânulos e os núcleos são esféricos e delicadamente
pontilhados. Neoplasias do corpo aórtico não costumam resultar em metástase, embora comumente estejam associadas à
alteração estrutural dos tecidos adjacentes.
Os tumores de corpo aórtico são mais frequentemente encontrados em cães braquicefálicos idosos. Contudo, é
importante salientar que esses tumores podem ser apenas achados ocasionais em uma avaliação de rotina quando não
desencadearem quadros de efusão pericárdica e, consequentemente, promoverem sinais clínicos.
Carcinoma ectópico de tireoide
Os carcinomas ectópicos de tireoide costumam se localizar na base cardíaca, mas, na maioria das vezes, são afuncionais.
Essa característica implica na não produção de hormônios tireoidianos, embora possam trazer complicações decorrentes da
compressão exercida, promovendo efusão pericárdica e insuficiência cardíaca congestiva direita.
Mesotelioma
O mesotelioma se origina nas membranas serosas, como o pericárdio e a pleura. Geralmente, provoca disfunções cardíacas
importantes a partir do desenvolvimento de efusões pericárdicas hemorrágicas, possivelmente causadoras de tamponamento
cardíaco. O exame ecocardiográfico normalmente não permite identificar quaisquer estruturas, haja vista tratarse de tumor
difuso cujas massas raramente são grandes o suficiente para permitir sua individualização.
Comportamento natural
Nos cães, por volta de 84% dos casos de neoplasias cardíacas são primários, diferindose dos seres humanos nos quais é
frequente a ocorrência de neoplasias cardíacas metastáticas. Em cães e gatos, as neoplasias cardíacas geralmente são
malignas (pelo menos 56% dos casos caninos e 50% dos casos felinos). Novamente há diferenças com relação aos seres
humanos, em que aproximadamente 75% são consideradas benignas.
Embora as neoplasias cardíacas possam ocorrer como massas solitárias intracardíacas e não resultar em efusões
pericárdicas, a maioria dos tumores cardíacos é encontrada na superfície do coração e/ou dos grandes vasos, desencadeando
quadros de efusão pericárdica. De forma sumarizada, o acúmulo de líquido pericárdico aumenta a pressão intrapericárdica,
impede o enchimento atrial e ventricular, diminuindo o débito cardíaco e a pressão arterial que, uma vez reduzidos,
desencadeiam respostas neurohumorais, adrenérgicas e renais. A retenção de sódio e água eleva a pressão venosa, podendo
desencadear sinais de insuficiência cardíaca congestiva direita.
Sinais clínicos
Em face dos inúmeros tipos neoplásicos que acometem o coração e sua grande variação no tocante ao comportamento
biológico, é natural que os sinais clínicos manifestados variem intensamente entre pacientes. Entre os fatores responsáveis
por tal variação, destacamse tamanho e localização exata do tumor, bem como a presença de metástases e complicações
secundárias, as quais podem influenciar na apresentação clínica do paciente. Não obstante, alguns tumores podem ser
apenas achados incidentais durante exames de rotina.
Nos animais com efusão pericárdica, os sinais clínicos apresentados inicialmente estão relacionados com o
desenvolvimento de insuficiência cardíaca congestiva direita. Esse fato se justifica pela menor pressão de enchimento das
câmaras ventriculares direitas comparativamente ao lado esquerdo do coração, de modo que este pode compensar, por
maior período, o aumento da pressão intrapericárdica.
Os sinais clínicos mais comuns das neoplasias cardíacas são apatia, letargia, anorexia, fraqueza, perda de peso,
dificuldade respiratória, intolerância a exercícios, distensão abdominal, síncope e colapso. Entre os achados físicos estão
distensão venosa jugular, hepatomegalia, efusão pleural, ascite, sons cardíacos abafados, sons de fricção pericárdica,
palidez, taquipneia, taquicardia, pulso arterial fraco/pulsus paradoxus e reflexo hepatojugular positivo. Há que se
considerar que, caso a neoplasia cardíaca não seja primária, poderá existir uma miríade de sinais clínicos além daqueles
relacionados exclusivamente à insuficiência cardíaca congestiva. Além disso, é apropriado destacar a possibilidade de as
neoplasias cardíacas causarem arritmias importantes, as quais poderão, em alguns casos, acarretar sinais clínicos
relacionados com a redução do débito cardíaco, como cansaço, alterações respiratórias e síncopes. Na maioria dos casos,
entretanto, detectase apenas taquicardia sinusal compensatória, atribuída à redução do débito cardíaco pelo tamponamento.
A tríade de Beck normalmente encontrase presente quando há grande quantidade de efusão pericárdica. Esse conjunto de
achados físicos inclui distensão e/ou pulso jugular, pulso arterial fraco ou de intensidade variável e abafamento dos sons
cardíacos. Nesses casos, a suspeita de efusão pericárdica é bastante intensa. Ademais, é possível que os tumores cardíacos
promovam efusão pleural e, destarte, sinais de dispneia restritiva.
Os tumores mais frequentemente associados ao desenvolvimento de efusão e tamponamento pericárdico são
hemangiossarcoma, mesotelioma e tumores de corpo aórtico. Neoplasias na base cardíaca podem causar a síndrome da veia
cava, caracterizada por edema de cabeça, pescoço e membros torácicos. Algumas vezes, no entanto, esses tumores podem
se apresentar sem causar sinais clínicos.
Diagnóstico
As análises citológicas do líquido pericárdico drenado podem ser empregadas na tentativa de se estabelecer o diagnóstico
da neoplasia cardíaca em questão. Quando não há efusão pericárdica, o diagnóstico normalmente é estabelecido de forma
incidental durante um exame de rotina ou destinado a outro fim ou, ainda, durante um exame necroscópico.
Considerandose que a maioria dos cães com neoplasia cardíaca é trazida ao consultório veterinário em virtude dos sinais
de insuficiência cardíaca congestiva direita decorrentes da efusão pericárdica, recomendase recorrer ao fluxograma
ilustrado na Figura 39.1 na abordagem diagnóstica da efusão pericárdica. Tão logo possa ser realizada a pericardiocentese
ou toracocentese, uma alíquota do fluido removido deverá, obrigatoriamente, ser encaminhada para análise citológica. Em
se tratando de efusão de origem neoplásica, poderseá estabelecer o diagnóstico definitivo.
Embora seja rotineiramente empregado, o diagnóstico citológico da neoplasia cardíaca a partir de amostras de fluido
pericárdico e/ou pleural é questionável. Diversos distúrbios neoplásicos intrapericárdicos não se esfoliam e contagens
elevadas de células mesoteliais reativas são encontradas em todas as amostras de fluido pericárdico. Assim, a correta
identificação citológica de efusões de origem neoplásica é considerada complexa e, portanto, deve ser encarada com cautela.
Um estudo realizado em animais demonstrou que 74% das efusões neoplásicas não foram diagnosticadas com base nos
achados citológicos do líquido pericárdico, ao passo que 13% das efusões não neoplásicas foram erroneamente
consideradas neoplásicas em tais análises.
Embora a avaliação do líquido pericárdico e/ou pleural possa demonstrar grande número de células mesoteliais
agrupadas, o diagnóstico citológico do mesotelioma é difícil, pois é impossível diferenciar células mesoteliais neoplásicas
daquelas apenas reativas. Já se propôs uma alternativa para a diferenciação entre quadros neoplásicos ou não neoplásicos
por meio da análise do pH da efusão. Contudo, uma pesquisa demonstrou que tal procedimento é de pouca valia em cães
com efusão pericárdica. Outro estudo identificou maiores concentrações de troponina cardíaca I no líquido pericárdico de
cães com efusão não neoplásica comparativamente ao grupo de cães cuja efusão era de origem neoplásica. No entanto,
houve sobreposição na faixa de variação dos dois grupos, não sendo constatada diferença estatística entre ambos. Desse
modo, a alternativa mais confiável para o diagnóstico ainda se baseia no exame histopatológico do pericárdio acometido
cuja coloração imunohistoquímica expressa as citoqueratinas e a vimentina.
Figura 39.1 Abordagem clínica da efusão pericárdica em cães e gatos.
Outras modalidades diagnósticas, como os exames radiográfico, ecocardiográfico e eletrocardiográfico, são auxiliares na
elucidação dos casos de neoplasia cardíaca, especialmente aqueles nos quais a presença de efusão pericárdica e/ou pleural
se traduz em consequências mais graves no tocante à função cardíaca. Ademais, métodos de imagem mais modernos, como
tomografia computadorizada e ressonância magnética, podem ser empregados buscandose identificar as massas, sendo
particularmente úteis em situações em que o exame ecocardiográfico não permite a perfeita elucidação da origem e a
delimitação da estrutura junto ao coração ou aos grandes vasos.
Quando houver efusão pericárdica, as radiografias evidenciarão uma silhueta cardíaca aumentada e globosa (Figura
39.2), sem aumento de uma câmara cardíaca específica. É possível que haja elevação da traqueia, principalmente nos casos
de tumores da base cardíaca, além de distensão da veia cava caudal, efusão pleural, hepatomegalia e ascite.
O exame ultrassonográfico do coração, chamado ecocardiografia, é considerado o método de escolha para diagnosticar
efusões pericárdicas (Figura 39.3). Ademais, normalmente permite evidenciar massas cardíacas, respeitandose as devidas
limitações técnicas imposta pelo tamanho, localização e padrão de crescimento do tumor (Figuras 39.4 e 39.5). A efusão é
caracterizada por uma área anecoica entre o epicárdio e o pericárdio, o qual se torna mais ecogênico. A dimensão dependerá
da quantidade de líquido acumulada e esta não é, necessariamente, determinante de tamponamento cardíaco. Para
diagnosticar tamponamento, é necessário identificar colapso diastólico do átrio e ventrículo direitos em decorrência da
elevação da pressão intrapericárdica frente à pressão diastólica das câmaras colapsadas (ver Figura 39.3). Outros achados
ecocardiográficos incluem movimentação cardíaca anormal (a qual é responsável pela alternância elétrica no ECG), com
movimento paradoxal do septo, diminuição dos diâmetros ventriculares principalmente na inspiração e diminuição da curva
EF da valva mitral.
Figura 39.2 Imagem radiográfica dorsoventral mostrando silhueta cardíaca globosa decorrente de grave acúmulo de efusão
pericárdica em um cão.
Figura 39.3 Imagem ecocardiográfica em modo bidimensional, evidenciando grande volume de efusão pericárdica
causando colapso diastólico do ventrículo esquerdo (tamponamento cardíaco) em cão diagnosticado com mesotelioma.
Podese, ainda, identificar pequenas massas aderidas ao epicárdio (seta). EP = efusão pericárdica; VD = ventrículo direito;
VE = ventrículo esquerdo.
Figura 39.4 Imagem ecocardiográfica em modo bidimensional, evidenciando grande volume de efusão pericárdica e massa
(seta) originária do coração e, nesta imagem, visualizada no saco pericárdico de um cão. Nesse caso, o exame citológico
constatou tratarse de hemangiossarcoma. VD = ventrículo direito; VE = ventrículo esquerdo.
Figura 39.5 Imagem ecocardiográfica em modo bidimensional, evidenciando massa localizada na aorta ascendente de um
cão, com prolongamento para o átrio esquerdo. O exame postmortem constatou tratarse de um caso quimiodectoma. AD
= átrio direito; AE = átrio esquerdo; VD = ventrículo direito; VE = ventrículo esquerdo.
No que diz respeito aos achados eletrocardiográficos, as neoplasias cardíacas podem, eventualmente, causar arritmias,
incluindo fibrilação atrial, complexos atriais prematuros, taquicardia atrial, complexos ventriculares prematuros e
taquicardia ventricular. No entanto, muitos animais acometidos apresentam apenas taquicardia sinusal e, na existência de
efusão pericárdica, supressão de milivoltagem e/ou alternância elétrica.
A despeito das possíveis alterações arroladas anteriormente nos exames complementares, é necessário considerar que
diversas outras afecções podem suscitar manifestações clínicas semelhantes àquelas desencadeadas pelas neoplasias
cardíacas. As condições a serem consideradas como possíveis diagnósticos diferenciais nesses casos são:
• Outras causas de insuficiência cardíaca congestiva:
–
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Doenças valvares
Cardiomiopatias
Cor pulmonale
Hipertensão pulmonar
• Insuficiência hepática
• Neoplasia abdominal com hemorragia
• Nefropatia com perda proteica
• Enteropatia com perda proteica.
Tratamento
A pericardiocentese é o tratamento de escolha para estabilização inicial dos animais com efusão pericárdica e
tamponamento cardíaco. Contudo, é recomendável consultar informações em literatura específica acerca da estabilização
medicamentosa do paciente com efusão pericárdica/tamponamento cardíaco previamente à pericardiocentese.
As diretrizes para realização da pericardiocentese encontramse listadas sequencialmente no Quadro 39.1. Como
discutido anteriormente no tópico diagnóstico, tratase, ademais, de um importante recurso para obtenção do fluido a ser
empregado no diagnóstico laboratorial da etiologia da efusão, seja esta neoplásica ou não.
A drenagem do fluido pericárdico é, entretanto, apenas paliativa nos casos de neoplasia cardíaca/pericárdica/torácica.
Nesses casos, optase pela pericardiectomia total ou parcial (abaixo dos nervos frênicos), em virtude da recorrência da
efusão e da necessidade de biopsia e histopatologia para se firmar o diagnóstico definitivo. A intervenção cirúrgica alivia os
sinais e evita recidiva de tamponamento e posterior pericardite constritiva em animais com efusão pericárdica. O acesso
pode ser via toracotomia lateral esquerda ou direita, esternotomia mediana, esternotomia em “H” ou toracoscopia (Figuras
39.6 a 39.8).
Nos casos de hemangiossarcoma, a ressecção do tumor é possível, embora o prognóstico seja sempre desfavorável. A
ressecção do pericárdio não aumenta a sobrevida quando o tumor é um hemangiossarcoma ou mesotelioma, mas a cirurgia
e a biopsia são necessárias para se confirmar o diagnóstico. Eventualmente, será possível remover cirurgicamente os
quimiodectomas. Tumores do corpo aórtico costumam envolver o pericárdico, e a pericardiectomia geralmente beneficia o
paciente, a despeito da presença ou ausência de efusão pericárdica. Desse modo, a pericardiectomia é recomendada na
maioria dos casos de neoplasias cardíacas.
Quadro 39.1 Diretrizes para realização de pericardiocentese em cães e gatos.
Tricotomizarepreparar cirurgicamente(antissepsia)umagrandeárea no hemitóraxdireito(doesternoà metadedotórax;da3aà8
a
costela)
Realizarbloqueioanestésicolocal.Podeser necessáriosedaropacienteinquietooubravo
Posicionaroanimalem decúbitoesternaloulateralesquerdo(Figura39.6)
Monitorarotraçadoeletrocardiográהꬌcocontinuamenteaolongodoprocedimento
Determinarolocaldaperfuração,baseando-se nas radiograהꬌas (geralmenteentre4
o
e6
o
espaços intercostais,próximoàjunçãocostocondral)
Introduzir catetervenosoperiférico(com mandril) n
o
16a20acopladoàseringa,preferencialmentecom torneiradetrêsviasetubodeextensão
Aplicarpressão negativaàseringaeavançarocateter com cautela, tãologoadentreacavidadetorácica
Caso hajaefusãopleural,estaserádrenadaimediatamenteapóspenetraçãodocateter nacaixatorácica
Dandosequênciaàintroduçãodocateter,perceber-se-áumasensaçãoderompimentoe, com mínimoavanço,penetrar-se-á nopericárdio. Observaraocorrência
decomplexosventricularesprematuros notraçadoeletrocardiográהꬌco,pois sugerem ocontatoacidentaldocateter com ocoração. Nessecaso, retroceder
delicadamentepartedocateter
Interromperaintroduçãodocateter tãologocomeceadrenar (Figura39.7). O líquidopericárdicogeralmente nãosecoagula(Figura39.8)
Desconectaraseringa, retiraro mandrildointeriordocatetereconectá-loaumaválvuladetrêsvias,em cujas saídas serãoacopladosumaseringaparadar
prosseguimentoàdrenagem eum tuboextensorouequipoparapermitiradrenagem do 탵鑲uidopericárdicosem a necessidadededesconexãodosistemafechado
12.
13.
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