• Cerebral: CER
• Adrenal: ADR
• Linfonodal: LIN
• Pele: CUT
• Outras: OTH.
Para alguns tipos tumorais, os critérios T, N e M são seguidos de subclassificações indicadas por letras a, b e c. Esses
podem representar algumas características adicionais da neoplasia, como presença ou não de sinais clínicos e aderência.
Uma vez determinado o estadiamento clínico ou patológico do paciente, este deverá permanecer inalterado no prontuário
médico. Em casos especiais, podemse utilizar outros símbolos adicionais como prefixo ao TNM para indicar informações
complementares sobre o paciente.
• rTNM: a classificação é feita quando ocorre recidiva do tumor após um intervalo livre de doença
• aTNM: a classificação é determinada pela primeira vez pela autópsia
• yTNM: a classificação é realizada durante ou após terapêutica inicial
• mTNM: presença de tumores múltiplos em uma única localização primária.
Independentemente do tipo de sistema utilizado para a classificação anatômica do tumor, ele deve ser classificado quanto
ao grau de diferenciação histológica, que varia de Gx a G4, como mostrado a seguir.
• Graduação histopatológica:
Gx: grau de diferenciação não pode ser avaliado
G1: bem diferenciado
G2: moderadamente diferenciado
G3: pouco diferenciado
G4: indiferenciado.
O estadiamento clínico e o pTNM podem ser complementados com a presença ou a ausência de tumor residual após o
tratamento. Esta categoria reflete o resultado do tratamento realizado e influencia os procedimentos terapêuticos
posteriores. As designações utilizadas são:
• Presença de tumor residual:
Rx: presença de tumor residual não pode ser avaliada
R0: ausência de tumor residual
R1: tumor residual microscópico
R2: tumor residual macroscópico.
O linfonodo sentinela é o primeiro linfonodo a receber células malignas oriundas de um tumor canceroso primário pela
circulação linfática. A sua avaliação deve ser realizada para determinação prognóstica e terapêutica de alguns tipos de
câncer, como o carcinoma mamário. O comprometimento metastático pode ser indicativo de que os demais linfonodos da
região também possam conter o tumor, e, dessa maneira, em muitos casos, recomendase o esvaziamento linfático regional.
Embora a publicação oficial da WHO (1980) – para animais domésticos – não abranja a sistematização dessa informação
no estadiamento, foi discutida sua abordagem tanto no I Consenso Clínico, Cirúrgico e Patológico de Mastocitomas
Caninos (Jaboticabal, 2012) quanto no I e II Consenso para Diagnóstico, Prognóstico e Tratamento de Tumores Mamários
Caninos (Belo Horizonte, 2010 e 2013). A notação utilizada pela 7
a edição do TNM3 humano é:
• Linfonodo sentinela:
pNX (sn): linfonodo sentinela não pode ser avaliado
pN0 (sn): ausência de metástase em linfonodo sentinela
pN1 (sn): metástase em linfonodo sentinela (Figura 4.3).
Células tumorais isoladas são células neoplásicas isoladas ou em agrupamentos de até 0,2 mm encontrados em
linfonodos ou em localizações a distância. São classificadas no atual estadiamento como pN0 ou pM0. Se o diagnóstico for
feito por avaliação imunohistoquímica, os identificadores pN0(i+), pM0(i+) serão adicionados. Por sua vez, quando
avaliados por técnica molecular, serão acrescidos os identificadores pN0(mol+), pM0(mol+). Caso os estudos
imunoistoquímicos ou moleculares sejam negativos para células tumorais isoladas, devemse usar a seguintes notações:
pN0(i), pM0(i) ou pN0(mol), pM0(mol).
–
–
–
–
–
–
–
No sistema TNM, existem símbolos opcionais para complementar informações de estadiamento de um paciente. Tanto a
invasão venosa quanto a linfática podem ser registradas com os seguintes títulos:
• Invasão linfática:
LX: a invasão linfática não pode ser avaliada
L0: ausência de invasão linfática
L1: invasão linfática
• Invasão venosa:
VX: a invasão venosa não pode ser avaliada
V0: ausência de invasão venosa
V1: invasão venosa microscópica (Figura 4.4)
V2: invasão venosa macroscópica.
O sistema TNM nem sempre é aplicável a todos os diagnósticos morfológicos. Em alguns casos, o estadiamento é feito
por meio de abordagem de outras características do tumor. Linfomas, por exemplo, agrupam o paciente nos diferentes
estádios, conforme o comprometimento de linfonodos, órgãos viscerais afetados, localização anatômica e presença de sinais
clínicos (Quadro 4.1).
Uma vez categorizadas as neoplasias pelo sistema TNM, podese então classificálas em diferentes estádios. Essa
síntese em grupos estatisticamente diferentes permite uma abordagem sucinta e prática do paciente oncológico. Vale a pena
ressaltar que mesmo com o estadiamento clínico definido convém sempre considerar a heterogeneidade do comportamento
biológico de cada neoplasia. Dessa maneira, o oncologista veterinário poderá planejar o melhor tratamento para seus
pacientes.
Figura 4.3 Análise histopatológica ilustrando presença de infiltração de mastócitos neoplásicos em linfonodo sentinela
(setas vermelhas). Imagem cedida por Daniel S. Sanches.
■
Figura 4.4 Análise histopatológica evidenciando comprometimento vascular por melanócitos neoplásicos (setas pretas).
Imagem cedida por Daniel S. Sanches.
Quadro 4.1 Sistema de estadiamento clínico de linfoma.
Localização anatômica
A. Generalizado
B. Alimentar
C.Tímico
D.Pele
E.Leucêmico(verdadeiro)*
F. Outros
Estádios
I.Envolvimentolimitadoaum único nódulooutecidolinfoideem um únicoórgão
II.Envolvimentode muitos linfonodosem umaregião(com ousem as tonsilas)
III.Envolvimentogeneralizadodelinfonodos
IV.Envolvimentodebaçooufígado(com ousem envolvimentodoestádioIII)
V. Manifestação nosangueouenvolvimento na medulaósseaouem outroórgãosistêmico(com ousem estádioIaIV dadoença)
*Nota: somenteenvolvimentode medulaósseaesangue. Adaptadode Owen LN,1980.
4
Fenômeno de migração de estadiamento ﴾stage migration﴿
Os critérios propostos pelo TNM são influenciados pela sensibilidade e especificidade dos métodos diagnósticos usados
para acessar as informações necessárias do estadiamento. Esse fato foi detectado na década de 1980 e denominado Will
Rogers Phenomenon. É caracterizado pela detecção precoce de focos de disseminação neoplásica e pela consequente
classificação dos pacientes em estádios mais avançados em relação aos métodos convencionais.
■
Um estudo da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Cornell avaliou o efeito de migração de
estadiamento na caracterização de 59 casos de linfoma não Hodgkin canino. Todos os pacientes foram estadiados
sequencialmente por meio de exame físico, hemograma, radiografia torácica e abdominal, ultrassonografia abdominal e
análise citológica da medula óssea. Após a realização de todos os exames, 90% dos animais foram classificados com
estádios IV ou V. Entretanto, quando apenas avaliados por exame físico e hemograma, somente 31% foram agrupados
nesses estádios.
O stage migration tem sido considerado um potencial viésem grande parte dos estudos epidemiológicos humanos que
avaliam a sobrevida ou a eficiência da inserção de novas técnicas terapêuticas nas políticas públicas. O estadiamento de um
indivíduo por um método mais sensível reflete em uma percepção diferente do médico sobre seu paciente, mas não
necessariamente implica a alteração da sobrevida deste pela doença. Esse fato implica que é possível: atribuir ao paciente
um prognóstico pior do que realmente ele apresenta; estimar uma melhor resposta terapêutica a um grupo de pacientes
enquanto essa se deve apenas a sua melhor condição clínica; e promover diferentes indicações terapêuticas para pacientes
conforme o acesso de cada um aos diversos métodos diagnósticos.
Um exemplo de stage migration na Medicina Veterinária foi o estudo realizado por Eberle et al.
5 Nesse estudo, foi feita
uma comparação entre o uso de radiografia e tomografia para diagnosticar metástase pulmonar em cães com
osteossarcoma. Nódulos pulmonares foram detectados por meio de radiografias em apenas 5% dos casos, enquanto a
tomografia mostrou metástase pulmonar em 28% dos cães. Apesar de a tomografia ter mostrado mais sensibilidade na
detecção de metástase pulmonar, a detecção precoce de metástase por esse método diagnóstico não influenciou a taxa de
sobrevida dessa população.
O fenômeno da migração do estadiamento mostra a necessidade de padronização diagnóstica na Medicina Veterinária
para classificar de forma mais fidedigna os pacientes nos agrupamentos TNM.
Exemplos práticos de estadiamento clínico
Com o intuito de visualizar melhor a proposta do sistema TNM, exemplificase a seguir:
• Hemangiossarcoma: cães diagnosticados com hemangiossarcoma esplênico apresentando diferentes estádios. Tumores
T1, como mostrado na Figura 4.5, apresentam um prognóstico melhor do que tumores T2 e T3 (Figuras 4.6 e 4.7), que já
seriam considerados estádios II e III, respectivamente (Quadro 4.2)
• Carcinoma broncogênico: felino diagnosticado com carcinoma broncogênico primário com metástase intratorácica
(Figura 4.8) e também em dígito (Figuras 4.9 e 4.10). Em virtude do estado avançado da doença (Quadro 4.3), foi
iniciado tratamento sistêmico com quimioterapia em vez de ressecção cirúrgica de massa pulmonar. De acordo com a
literatura, a síndrome digitopulmonar felina está associada a prognóstico ruim, tendo um tempo médio de sobrevida de 67
dias
• Melanoma oral: cão com melanoma em cavidade oral (Figura 4.11) com diagnóstico histopatológico positivo para
metástase em linfonodo regional (Figura 4.12) tratado com mandibulectomia (Figura 4.13). Com base na extensão
anatômica da doença do cão (Quadro 4.4), ele seria classificado como estádio III (T3, N1, M0). Segundo MacEwen et
al.
7
, o tempo médio de sobrevida para cães com esse estádio tratados somente com cirurgia é de aproximadamente 3
meses.
Quadro 4.2 Sistema de estadiamento clínico de hemangiossarcoma canino.
Tumor primário
T0: sem evidênciadetumor
T1: tumor < 5cm dediâmetroecon뗨㡜nadoaoórgãodeorigem
T2: tumor ≥ 5cm dediâmetro, rompidoouqueinvadatecidos subcutâneos
T3: tumorqueinvadeestruturasadjacentes, incluindo musculatura
Linfonodo regional
N0:ausênciade metástaseem linfonodoregional
N1:presençade metástaseem linfonodoregional
N2:presençade metástaseadistânciaem linfonodo
Metástase a distância
M0:ausênciade metástaseadistância
M1:presençade metástaseadistância
Estádios
I:T0ouT1, N0, M0
II:T1ouT2, N0ou N1, M0
III:T2ouT3, N0, N1ou N2, M1
AdaptadodeWithrow e Vail,2013.
6
T = tumorprimário; N = linfonodoregional; M = metástaseadistância.
Figura 4.5 Aspecto macroscópico de hemangiossarcoma esplênico não rompido e com menos de 5 cm de diâmetro.
Imagem cedida por Rodrigo Ubukata.
Figura 4.6 A. Aspecto macroscópico de hemangiossarcoma esplênico rompido e com mais de 5 cm de diâmetro. B.
Presença de sangramento intraabdominal durante procedimento cirúrgico. Imagens cedidas por Rodrigo Ubukata.
Figura 4.7 Aspecto macroscópico de hemangiossarcoma esplênico rompido, com mais de 5 cm de diâmetro e com invasão
nas estruturas adjacentes. Imagem cedida por Rodrigo Ubukata.
Figura 4.8 Radiografia de tórax de um felino evidenciando áreas focais de acentuada opacificação intersticial, tendendo a
nodular, mais evidentes nos campos pulmonares caudodorsal e cranial, compatíveis com carcinoma broncogênico primário
de pulmão com metástase intratorácica.
Figura 4.9 Radiografia de dígitos de membro pélvico felino evidenciando aumento das dimensões de partes moles junto à
falange média e distal do quarto dígito com ausência do processo ungueal.
Figura 4.10 Presença de lesão ulcerada, invasiva, edemaciada e com perda ungueal em dígito de felino. Lesão decorrente
de processo metastático de carcinoma broncogênico primário.
Figura 4.11 Poodle, fêmea, 12 anos de idade, com presença de massa aderida, firme e com mais de 5 cm de diâmetro
localizada em região mandibular direita.
Figura 4.12 Análise histopatológica evidenciando infiltrado em linfonodo regional por melanócitos neoplásicos (setas
vermelhas). Imagem cedida por Daniel S. Sanches.
Figura 4.13 Pósoperatório imediato de mandibulectomia unilateral completa em decorrência de diagnóstico de melanoma
invasivo em cavidade oral.
Quadro 4.3 Estadiamento clínico de neoplasias em laringe, traqueia e pulmões (todas as espécies).
Tumor primário
T0: sem evidênciadetumor
Tx: tumordiagnosticadopelapresençadecélulas malignasem secreçõesbroncopulmonares, mas nãodetectadopor radiogra뗨㡜aoubroncoscopia
T1: tumor solitárioenvoltoporpulmãooupleuravisceral
T2: tumores múltiplosdequalquer tamanho
T3: tumorqueinvadeestruturasadjacentes
Linfonodo regional
N0:ausênciade metástaseem linfonodoregional
N1:presençade metástaseem linfonodobrônquico
N2:presençade metástaseadistânciaem linfonodo
Metástase a distância
M0:ausênciade metástaseadistância
M1:presençade metástaseadistância
Estádios
Nãoépreconizadoatéo momentooagrupamentoem estádios.
Adaptadode Owen LN,1980.
4
T = tumorprimário; N = linfonodoregional; M = metástaseadistância.
Quadro 4.4 Estadiamento clínico de tumores orais (cães e gatos).
Tumor primário
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
T0: sem evidênciadetumor
T1: tumor < 2cm dediâmetro
T2: tumor com 2a4cm dediâmetro
T3: tumor > 4cm dediâmetro
Linfonodo regional
N0:ausênciade metástaseem linfonodoregional
N1:presençade metástaseem linfonodoregional
N2: linfonodosaderidos
Metástase a distância
M0:ausênciade metástaseadistância
M1:presençade metástaseadistância
Estádios
I:T1, N0, M0
II:T2, N0, M0
III:T2, N1, M0ouT3, N0, M0
IV:qualquerT,qualquer N, M1
Adaptadode Owen LN,1980.
4
T = tumorprimário; N = linfonodoregional; M = metástaseadistância.
Considerações finais
A avaliação do prognóstico de um animal é um processo que envolve a caracterização de muitas faces da biologia tumoral,
do paciente e da terapêutica utilizada. O estadiamento clínico e patológico, embora tenha limitações, é uma forma fácil,
prática e que usa critérios bem definidos e globalmente aceitos para decidir o tratamento e prognóstico de pacientes.
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Introdução
A citologia aspirativa por agulha fina (CAAF), conhecida na literatura inglesa como fine needle aspiration biopsy ou fine
needle aspiration citology, tem se revelado um procedimento simples, seguro, pouco invasivo, de relação custobenefício
muito atraente e uso cada vez mais frequente na investigação de lesões nodulares superficiais e cavitárias, tanto em
pacientes humanos como em animais. Clínicos, cirurgiões, radiologistas, patologistas, patologistas clínicos e
administradores hospitalares devem reconhecer, cada vez mais, a necessidade de implantação da infraestrutura necessária à
prestação desse serviço e, com a crescente evolução dos meios e métodos empregados no campo da formação de imagens,
até mesmo um aumento na demanda por investigação citológica de preparações citoscópicas obtidas por CAAF. Contudo,
embora a aplicação cada vez mais ampla da CAAF deva ser encorajada, problemas de ordem técnica inerentes à obtenção e
interpretação de preparações citoscópicas poderão abalar sua credibilidade. Além do mais, sua prática cristaliza uma nova
especialidade dentro da patologia, com linguagem, algoritmos e critérios diagnósticos próprios. Nesse contexto, para
conferir cada vez mais credibilidade a esse importante campo da investigação patológica e assegurar uniformização dos
desempenhos dos diferentes laboratórios de diagnóstico clinicopatológico, os patologistas e os profissionais e as
sociedades de áreas correlatas devem agir no sentido de estabelecer linhas gerais de treinamento dos procedimentos
técnicos da CAAF, obtenção, análise e interpretação das preparações citoscópicas e confecção dos laudos
citológicos/citopatológicos. Conceitualmente, a CAAF deve integrar uma sequência concatenada de eventos, incluindo
anamnese e exame físico do paciente, citologia aspirativa da lesão nodular, confecção e coloração da preparação citoscópica,
exame citoscópico e sua interpretação e descrição dos achados (laudo). Dessa forma, é fundamental que clínicos,
cirurgiões, radiologistas, patologistas e patologistas clínicos trabalhem em equipe, formando um time. Ao clínico cabe o
papel ulterior de determinar qual tratamento e qual manejo serão mais adequados ao paciente, com base na integração de
informações obtidas a partir dos achados clínicos, imaginológicos e citopatológicos.
A CAAF é um procedimento de amostragem de células, de uma lesãoalvo, com a ajuda de uma agulha de calibre situado
entre 22 e 25 G, ou menor, acoplada ou não a uma seringa de 10 a 20 mℓ, estéril e descartável. Virtualmente, qualquer
massa palpável ou visível por meio de imagens pode ser submetida a uma CAAF. Entretanto, a citologia aspirativa não
deve ser utilizada de modo indiscriminado e, assim, linfonodos pequenos e clinicamente insignificantes, placas cutâneas
difusas e assimétricas e outras anormalidades menores não são indicações verdadeiras para esse procedimento.
Não há absolutamente qualquer contraindicação para CAAF em lesões corpóreas superficiais, mas pacientes não
cooperativos podem não ser candidatos desejáveis à sua prática. Citologias aspirativas de lesões e órgãos cavitários em
pacientes com distúrbios da coagulação sanguínea ou em terapia anticoagulante devem ser precedidas de consulta médica.
As contraindicações especificamente inerentes à CAAF dos pulmões incluem enfisema avançado, hipertensão pulmonar
grave, hipoxemia marcada e não corrigida por oxigenoterapia e assistência ventilatória mecânica. Adicionalmente, pacientes
com suspeita de feocromocitoma, tumor do corpo carotídeo, cisto equinocócico e lesões altamente vascularizadas devem
ser submetidos à citologia aspirativa com muita precaução. A CAAF de tumores malignos ovarianos não é recomendada, a
menos que a condição deplorável do paciente indique uma intervenção cirúrgica subsequente. Da mesma forma, a citologia
aspirativa de tumores testiculares primários malignos é controversa e não é defendida por muitos citopatologistas.
Com relação às possíveis complicações, as citologias aspirativas superficiais se limitam, ocasionalmente, a ensejar a
formação de um pequeno hematoma, e, mesmo em pacientes com defeitos hemostáticos menores, o sangramento pode ser
controlado por intermédio da aplicação de pressão local. Pneumotórax é uma complicação muito rara na citologia aspirativa
de mama e de nódulos axilares e supraclaviculares. Nos casos de CAAF transtorácica, a ocorrência de pneumotórax pode
ser da ordem de 20 a 30%, mas muitos são de pequena monta, e somente 5 a 10% dos casos podem requerer
descompressão torácica.
Na citologia aspirativa da cavidade abdominal, algumas complicações podem ocorrer, mas são raras, e incluem
peritonite, pancreatite, hemorragia, infecções e implantação de células tumorais no trajeto da agulha. Nesse último caso, a
questão da semeadura de células tumorais no trajeto da agulha tem atraído muito a atenção nas literaturas médica e
veterinária. Na literatura médica, há relatos de frequência de implante de células tumorais da ordem de 0,003 a 0,009% nos
aspirados por agulha fina. Dentro do mesmo contexto, outros estudos têm demonstrado não haver diferenças na taxa de
sobrevivência de pacientes portadores de malignidades submetidos à CAAF comparados àqueles que não o foram.
No aspecto essencialmente técnico, o infarto tecidual após a manobra com agulha fina revelase um problema incomum,
mas que pode interferir em uma possível interpretação histopatológica subsequente. Portanto, diante de uma situação em
que a lesão tenha sido previamente aspirada, essa informação deverá ser comunicada ao histopatologista.
No campo da competência pessoal, os patologistas/citopatologistas que analisam, interpretam e reportam os achados nas
CAAF devem ter profundo conhecimento em patologia cirúrgica e interesse constante e inabalável competência em
citopatologia. A competência no domínio da técnica citoaspirativa e a correta interpretação dos achados citoscópicos
dependem de habilidade, motivação e treinamento individualizados. Além disso, o serviço consagrado à CAAF deve ser
concebido, sempre, como um trabalho em grupo, multidisciplinar, tal qual um time. Como referido, o treinamento do
patologista é fundamental, mas a educação do corpo clínico e dos demandadores do serviço em relação aos méritos e às
limitações da CAAF é igualmente importante.
Na questão das informações requeridas, os dados clínicos devem incluir nome ou número do paciente, raça, sexo, idade,
localização e tamanho da lesão, tumor, nódulo, ou linfonodo, características físicas e de imagens da lesão (sólida ou cística,
solitária ou múltipla), sintomas apresentados, evolução da lesão e do quadro e possível diagnóstico clínico ambulatorial.
Qualquer história passada ou presente de doenças infecciosas, malignidades e uso de quimioterapia ou radioterapia deve ser
registrada. Vale lembrar a necessidade imperativa, em todas as circunstâncias, da discussão entre o patologista e o clínico,
antes da consecução da CAAF.
Com relação à condução propriamente dita da biopsia aspirativa por agulha fina, poderão conduzila com maior sucesso
os patologistas, clínicos e radiologistas. Nos casos de lesões superficiais, um citopatologista bem treinado é o profissional
mais indicado para realizar a CAAF. Também tem sido demonstrado que os resultados mais seguros no uso da CAAF são
obtidos quando o profissional que examina e interpreta as preparações citoscópicas é o mesmo que conduz a aspiração por
agulha fina. Por sua vez, bons resultados também podem ser alcançados se a aspiração, o exame e a interpretação das
preparações citoscópicas forem conduzidos por técnicos proficientes, não necessariamente o mesmo. Para a realização de
CAAF de lesõesalvo mais profundas e/ou cavitárias, cuja localização por meio de recursos de imagens se faz imperiosa,
radiologistas experimentados são mais indicados na condução técnica da biopsia aspirativa. Nesse último caso, deve ser
feita exceção aos pneumologistas bem treinados nas técnicas transbrônquica e transtorácica de aspiração por agulha fina.
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