como fatores de crescimento. Algumas proteínas que induzem EMT incluem o fator de transformação de crescimento Beta
(TGFβ), o fator de dispersão/fator de crescimento de hepatócito (SF/HGF), o fator de crescimento de fibroblasto (FGF),
os membros da família do fator de crescimento epitelial (EGF) e o fator de crescimento insulinalike 1 e 2 (IGF1 e 2).
O TGFβ está envolvido em diversos processos fisiológicos e é responsável por regular a diferenciação e a proliferação
celular, inibindo a progressão do ciclo da célula epitelial, promovendo a apoptose e a migração celular, que, em conjunto,
contribuem significativamente para a função supressora dos carcinomas durante o início da progressão. Atualmente,
acreditase que o TGFβ tem exercido duplo papel na progressão e metástase do câncer, sendo considerado um importante
supressor de proliferação em células epiteliais cancerosas nos primeiros estágios da carcinogênese, mas induzindo
metástases em estágios avançados, por meio da indução da motilidade e da invasão celular. Assim, o TGFβ é,
simultaneamente, um importante supressor da proliferação de células epiteliais e um regulador positivo da progressão
tumoral e das metástases. Células que adquirem um fenótipo mesenquimal não respondem aos efeitos supressores de TGFβ.
Além disso, membros da família TGFβ desempenham papéis importantes na iniciação da EMT em uma variedade de
sistemas biológicos e situações fisiopatológicas, por meio da ativação das principais vias de sinalização e de reguladores de
transcrição. Esses diversos estímulos desencadeiam uma infinidade de vias de transdução de sinal que convergem em
vários indutores de EMT, incluindo Snail, Slug, Zeb1, Zeb2 e Twist, muitos dos quais frequentemente superexpressos
principalmente em tumores mamários.
Figura 2.14 No carcinoma invasivo, ocorre a perda da polaridade de células epiteliais. A composição da membrana basal
também muda, alterando as interações entre célula e matriz extracelular. As células se desprendem do tumor primário e,
por meio da corrente sanguínea, migram para órgãos distantes. Ao se adaptarem ao novo microambiente, as células
metastáticas passam pelo processo da transição mesenquimalepitelial (EMT) e, portanto, revertem seu fenótipo
mesenquimal novamente para o fenótipo epitelial. Adaptada de Kalluri e Weinberg, 2009.
13
Em modelo de neoplasia mamária, a inibição do Twist mostrou não ter efeito no crescimento do tumor primário, no
entanto reduziu potencialmente o número de lesões metastáticas no pulmão.
Transição epitélio-mesenquimal e células-tronco tumorais
A EMT também contribui com a suscetibilidade de invasão, por conferir propriedades de célulastronco às células
tumorais. Cada vez mais é aceito que o processo de EMT pode conferir às células tumorais capacidade de migração e
invasão, associadas ao perfil metastático. Além disso, nos últimos anos, tem sido demonstrado que nem todas as células
tumorais no interior da massa tumoral apresentam o mesmo potencial de iniciação tumoral. Sugerese que uma pequena
subpopulação de células, denominadas célulastronco tumorais (CCT), apresenta características de autorrenovação, e estas
células são capazes de iniciar e manter o crescimento do tumor primário e de metástases.
Estudos recentes têm estabelecido uma associação entre o mecanismo de EMT e as propriedades características de
célulastronco tumorais. Em neoplasias mamárias, por exemplo, além de conferir potencial migratório e invasivo, a
indução de EMT em células epiteliais mamárias melhora significativamente sua autorrenovação e a capacidade de iniciação
do tumor, induzindo a expressão de marcadores de célulastronco tumorais.
Mais recentemente, a presença de subpopulações de CTT em tumores de pulmão, próstata, cérebro, cólon e em linhagens
de células malignas provenientes de diferentes origens foi identificada por proteínas de superfícies específicas. O CD133 é
considerado um marcador importante para a identificação e o isolamento de CTT, presentes em uma variedade de tumores.
Células tumorais, caracterizadas como CTT, têm a capacidade de iniciar o tumor. Células CD133
+ estão presentes em
câncer de cérebro humano e, principalmente, em gliomas caninos.
Outro biomarcador de CTT é o Oct4, um fator de transcrição também conhecido como POU5F1, que é um dos
responsáveis pela autorrenovação e manutenção da pluripotência das célulastronco embrionárias. O gene OCT4 é expresso
em célulastronco embrionárias, células germinativas e célulastronco adultas. Estudos recentes demonstraram que a
proteína Oct4 está presente principalmente nas CTT de osteossarcoma canino.
O CD44 é outro importante biomarcador que caracteriza CTT na mama, no cólon, na próstata, na cabeça e no pescoço,
em tumores do pâncreas, no melanoma e na leucemia. Interessantemente, as célulastronco de neoplasia mamária
superexpressam a molécula de adesão CD44 e apresentam baixa ou nenhuma expressão da molécula de adesão CD24.
Estudos demonstram que células (CD44
+
/CD24
–low
) apresentam características tumorigênicas e metastáticas em tumores de
mama. Além disso, em tumores humanos e caninos, um elevado nível de atividade do aldeído desidrogenase (ALDH) é
uma característica comum de células cancerosas estaminais em tumores e em célulastronco somáticas normais. Muitos
estudos associam a expressão de ALDH
+ CD44
+
/CD24
–/low
com um fenótipo de célulastronco tumorais de mama.
Heterogeneidade intratumoral
A pequena população de CTT se divide de forma assimétrica, dando origem a uma célula semelhante a ela própria
(autorrenovação) e a outra diferenciada, o que, ao longo das divisões sucessivas, dá origem a células em diferentes estados
de diferenciação (Figura 2.15). Desse modo, os tumores apresentam células em diferentes estágios de proliferação e
diferenciação, o que contribui para a heterogeneidade intratumoral.
A heterogeneidade intratumoral é caracterizada por subpopulações de células tumorais geneticamente distintas, que estão
organizadas em diferentes locais subanatômicos dentro do tumor. Cada subpopulação apresenta um perfil gênico e proteico
distinto, diferindo, portanto, quanto à agressividade e à sensibilidade ao tratamento.
O princípio da heterogeneidade tumoral é importante em Oncologia, já que muitas vezes considerase um tumor
homogêneo, quando, na realidade, constituído por vários tipos de células com características e comportamentos distintos.
Fatores intrínsecos e extrínsecos podem contribuir com a heterogeneidade intratumoral, os quais incluem mutações em
genes específicos, alterações cromossômicas, expressão de proteínas específicas, metabolismo energético, estímulos
citotóxicos, perfusão sanguínea,oxigenação, bioquímica das membranas, entre outros.
Dependendo do grau de heterogeneidade, ou seja, do tipo e da quantidade de subpopulações celulares, o tumor poderá
apresentar comportamentos variados ao longo de toda a sua massa, influenciando na progressão tumoral e na resposta à
terapia.
A heterogeneidade tumoral constitui um obstáculo a uma terapia simples, já que um tratamento que tem como alvo
terapêutico uma população celular com determinadas características pode não ser eficaz na eliminação de populações
celulares neoplásicas com propriedades distintas e, desse modo, falhar na erradicação do tumor. Por isso, é necessário
desenvolver novas abordagens terapêuticas, incluindo terapias combinadas, eliminando as células tumorais com fenótipos
distintos e, consequentemente, a massa tumoral em sua totalidade.
Figura 2.15 As célulastronco tumorais (CTT) geram um tumor com base em suas propriedades de autorrenovação e alto
potencial proliferativo. Adaptada de Dick, 2009.
14
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Introdução
Os processos vitais que incluem desde as reações de síntese até contração muscular, condução do impulso nervoso e
transporte ativo de membrana compartilham a energia gerada no acoplamento das reações. A energia total de um sistema
permanece constante, entretanto podese transferir energia de uma parte do sistema para outra ou podese transformála em
outra forma de energia. Os termos exergônico e endergônico são utilizados para indicar que um processo é acompanhado
por perda ou ganho de energia, respectivamente, em qualquer forma, não necessariamente como calor.
Os sistemas biológicos são essencialmente isotérmicos e usam seu potencial químico para impulsionar os processos
vitais. Para que se possa entender a importância da nutrição no metabolismo normal, é essencial entender como um animal
obtém, por meio de seus alimentos, o combustível necessário para absorção dessa energia. As reações metabólicas
raramente ocorrem de forma isolada; elas são, em geral, organizadas em sequências de múltiplos passos, denominadas vias.
Em uma via, o produto de uma reação serve como substrato para a reação subsequente. Diferentes vias também podem
formar intersecções, estabelecendo uma rede integrada de reações químicas com propósitos definidos. Essas redes de
reações são coletivamente denominadas metabolismo, que é caracterizado pela soma de todas as modificações químicas que
ocorrem nas células, nos tecidos e no organismo como um todo.
Ao se estudar o metabolismo, examinamse suas vias e seus componentes. Cada via é composta de sequências
multienzimáticas, e cada enzima, por sua vez, pode apresentar importantes características catalíticas ou regulatórias. Além
disso, as vias metabólicas para produção de energia (vias catabólicas) ou a síntese de produtos finais (vias anabólicas) são
reguladas de acordo com as necessidades da célula. Para manter os processos necessários para a vida, todos os organismos
devem obter suprimentos de energia livre. Os organismos autotróficos utilizam processos exergônicos simples. Por sua
vez, os organismos heterotróficos obtêm a energia livre ao acoplarem seu metabolismo à clivagem de moléculas orgânicas
complexas do ambiente.
Entre os processos metabólicos que ocorrem em uma célula, será enfatizada a respiração celular, que tem importância no
metabolismo da célula tumoral e é responsável pela produção de energia. A glicose é a principal fonte de energia para essas
células e sua quebra (glicólise) pode ocorrer de forma aeróbica (na presença de oxigênio) ou anaeróbica (na ausência de
oxigênio), fornecendo um saldo diferente de energia para a célula. Já no século 19, Louis Pasteur, durante seus estudos
sobre a fermentação da glicose por leveduras, descobriu que tanto a velocidade quanto a quantidade total de glicose
consumida são muitas vezes maiores em condições anaeróbicas do que aeróbicas.
A glicólise ocorre no citoplasma das células a partir da oxidação completa da molécula de glicose a CO2, produzindo
piruvato (ou ácido pirúvico), que, na presença de oxigênio, entra na mitocôndria e é utilizado no ciclo do ácido cítrico para
produção de 36 moles de adenosina trifosfato, nossa moeda corrente, ATP. Diferentemente da forma aeróbica, o rendimento
da glicólise em condições anaeróbicas gera apenas duas moléculas de ATP, levando à conversão do piruvato em lactato.
Portanto, para produzir a mesma quantidade de ATP, é necessário consumir aproximadamente 15 vezes mais glicose em
condições anaeróbicas do que aeróbicas (Figura 3.1).
Em outras palavras, a via glicolítica é utilizada em todos os tecidos para a quebra da glicose, com o objetivo de fornecer
energia, na forma de ATP e intermediários, para outras vias metabólicas. Em todos os organismos, o ATP desempenha um
papel fundamental na transferência de energia livre dos processos exergônicos para os processos endergônicos.
Metabolismo do câncer
Uma das principais características que diferenciam tecidos normais dos tumorais é o comportamento metabólico, sobretudo
em relação ao metabolismo da glicose. O metabolismo celular do câncer foi descrito pela primeira vez na década de 1920
pelo bioquímico Otto Warburg. Ele observou que, diferentemente das células normais, as células tumorais podem converter
glicose em lactato, mesmo na presença de oxigênio.
Figura 3.1 Esquema simplificado da respiração celular. A molécula de glicose é quebrada no citoplasma da célula, gerando
ácido pirúvico. Por meio do processo aeróbico, a respiração ocorre em três fases: a glicólise (no citoplasma); o ciclo do
ácido cítrico (na matriz mitocondrial); e a cadeia respiratória (nas cristas mitocondriais), produzindo 36 ATP. Na ausência de
oxigênio, as células utilizam a respiração anaeróbica pela conversão do ácido pirúvico em lactato, produzindo duas
moléculas de 2 ATP.
Essa importante diferença metabólica foi denominada “efeito Warburg” (Figura 3.2), e desde então foi reconhecida como
uma importante característica no processo neoplásico. Seguindo esta teoria, as células tumorais priorizam a respiração
anaeróbica em seu metabolismo, enquanto a maioria das células normais utiliza a respiração aeróbica para gerar energia a
partir da glicose e só produz lactato em condições anaeróbicas.
Mas por que as células tumorais, que precisam de uma grande quantidade de energia, preferem realizar a respiração
anaeróbica, que produz apenas 2 ATP, em vez da aeróbica, que permite a produção de 36 ATP?
Muitas hipóteses foram levantadas para justificar a preferência das células tumorais pela glicólise anaeróbica.
Inicialmente, o próprio Warburg sugeriu que as células tumorais apresentam um defeito na mitocôndria que impossibilitaria
ou dificultaria a respiração aeróbica e tornaria as células dependentes do metabolismo anaeróbico. No entanto,
posteriormente, foi demonstrado que a função mitocondrial está intacta na maioria das células tumorais. Hoje, acreditase
que essas células preferem realizar a respiração anaeróbica porque o processo traz diversas vantagens que resultam no
crescimento do tumor.
■
■
Figura 3.2 Esquema representativo do efeito de Warburg. Tecido normal produz lactato em grandes quantidades somente
na ausência de oxigênio (O2
). Em contraste, células tumorais tendem a metabolizar a glicose em lactato mesmo na
presença de oxigênio (glicólise anaeróbica). CAC = ciclo de ácido cítrico.
Após a glicólise anaeróbica, os animais com neoplasia convertem parte do lactato em glicose novamente, para a obtenção
de mais energia com gasto enérgico de seis fosfatos. O resultado final é o tumor ganhar energia e o paciente perder, o que
gera perda acelerada da massa corpórea, denominada caquexia. A caquexia é resultado de profundas alterações no
metabolismo de carboidratos, proteínas e lipídios que desencadeiam sérias debilidades e até mesmo a morte. Essas
alterações metabólicas podem persistir nos pacientes com remissão do tumor e recuperação clínica. As consequências da
caquexia são: resposta e toxicidade aumentadas à radiação, à cirurgia, à quimioterapia e aos fármacos ou procedimentos
auxiliares. Assim, é fundamental o conhecimento desse processo metabólico para escolher estratégias terapêuticas
eficientes.
Alterações no metabolismo celular permitem a sobrevivência em condições adversas
Durante o crescimento de tumores sólidos, ocorre a formação de novos vasos sanguíneos (angiogênese), visando ao
fornecimento de oxigênio e nutrientes para dar suporte ao metabolismo das células tumorais. Quando a angiogênese é
insuficiente, essas células precisam sobreviver em hipoxia (ambientes com baixa disponibilidade de oxigênio). Essas
condições adversas levariam à morte celular, mas, curiosamente, as células tumorais são capazes de se adaptar a ambientes
desfavoráveis, gerando, por exemplo, aumento do metabolismo celular e captação de glicose a seu favor. Fisiologicamente,
a angiogênese é em geral regulada por fatores pró e antiangiogênicos, mas, no tecido tumoral, ocorrem aumento dos fatores
próangiogênicos e diminuição dos antiangiogênicos, o que resulta na ativação do “interruptor angiogênico” (angiogenic
switch).
Em condições de hipoxia, ocorre aumento dos níveis do fator de transcrição induzido por hipoxia, denominado HIF1α,
que é mantido em baixos níveis em condições normais de oxigênio nos tecidos. Por sua vez, o HIF1α induz o aumento da
expressão de genes que promovem a sobrevivência celular, como proteínas angiogênicas que ativam a formação de novos
vasos sanguíneos, melhorando o fornecimento de nutrientes e oxigênio para o tumor.
O HIF1α também induz o aumento da expressão de genes responsáveis pela captação de glicose, como os
transportadores de glicose, além de proteínas envolvidas na glicólise anaeróbica. É importante destacar que os genes
relacionados com o metabolismo são os mais expressos por células tumorais e denunciam a relação com a agressividade do
tumor. Além disso, a superexpressão do HIF1α já foi descrita em muitos tipos de câncer, e este é considerado um
marcador de prognóstico desfavorável na espécie humana e também na canina.
Em resumo, a baixa disponibilidade de oxigênio e nutrientes no microambiente tumoral pode levar ao aumento da
captação de glicose, bem como de proteínas que promovem a glicólise na busca da sobrevivência e no crescimento do
tumor.
Respiração anaeróbica promove alterações vantajosas no microambiente tumoral
Como descrito anteriormente, o produto final da glicólise anaeróbica é o lactato e os íons de hidrogênio. Assim, o acúmulo
dessas moléculas no meio intracelular acidificaria de forma acumulativa o pH, resultando em morte celular. No entanto, a
célula tumoral consegue eliminar o lactato produzido, recuperando seu pH. O microambiente ácido resultante conferirá
vantagens ao tumor, pois muitos fármacos utilizados como tratamento quimioterápico tendem a se acumular no meio ácido,
ficando concentrados fora da célula (Figura 3.3).
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