foram tratados com a excisão em bloco e aqueles que foram tratados com quimioterapia adjuvante apresentaram tempos de
sobrevida maiores (240 dias em média). Os cães portadores de condrossarcoma apresentaram o melhor prognóstico, com
média de sobrevida de 1.080 dias.
Neoplasias da pelve
Apesar de raro, a principal neoplasia óssea da pelve em cães é o OSA, correspondendo a quase 6% dos casos. O ílio é a
porção mais acometida (Figura 45.7), seguido das regiões acetabular e isquiática. Ele é mais diagnosticado em fêmeas de
raças gigantes ou de grande porte e com idade média a avançada. É relatado um maior número de casos em cães das raças
Rottweiler (Figura 45.8), Pastoralemão, Doberman Pinscher e Boxer. Seu comportamento biológico é semelhante ao
descrito para tumores os apendiculares.
Figura 45.7 Radiografia da região pélvica em projeção ventrodorsal mostrando intensa lise óssea em corpos vertebrais do
sacro, na primeira vértebra coccígea e no corpo do ílio direito (seta) em um cão sem raça definida de 7 anos de idade. O
exame histopatológico, após a hemipelvectomia, revelou a presença de um osteossarcoma.
Animais com OSA pélvico podem apresentar tremores e atrofia muscular, dificuldade de se levantar, claudicação,
impotência funcional do membro pélvico ipsilateral à pelve acometida, dor, incontinência urinária e fecal, além de apatia e
anorexia. Exames radiográficos e citológicos podem ser suficientes para a determinação do diagnóstico, entretanto a
biopsia do tecido tumoral e a avaliação histopatológica são as melhores formas para obtenção do diagnóstico definitivo.
Radiografias torácicas devem ser realizadas antes do tratamento com o objetivo de detectar doença metastática. No entanto,
exames como TC e RM permitem o diagnóstico muito mais precoce e detalhado dessas lesões.
A terapia cirúrgica radical associada aos protocolos de quimioterapia e radioterapia representa a melhor forma de
tratamento para o OSA pélvico. Cirurgicamente, indicase a realização da pelvectomia. Embora seja um procedimento
cirúrgico exigente e desafiador, os resultados em relação à função locomotora e aparência do animal têm sido excelentes. A
hemipelvectomia foi primeiro descrita em pacientes veterinários em 1992 e, em um estudo retrospectivo no qual foram
descritas 100 intervenções, sendo 84 em cães e 16 em gatos, observouse que eles se adaptaram de forma aceitável e
relativamente precoce, com poucas complicações.
Neoplasias dos ossos do crânio
Diversas neoplasias podem acometer os ossos do crânio dos cães. Entre elas, os mais relatados são os
osteocondrossarcomas multilobulares e os OSA. Raros relatos descrevem casos de condrossarcomas. Os tumores ósseos
cranianos em gatos são bastante incomuns.
Figura 45.8 Radiografias da região pélvica em projeção lateral (A) e ventrodorsal (B) mostrando intensa lise óssea em
corpo do ílio esquerdo (seta) em um cão da raça Rottweiler de 10 anos de idade. O exame histopatológico, após a
hemipelvectomia, revelou a presença de um condrossarcoma.
Apesar de o tumor ósseo craniano ser o mais comumente relatado em cães, o osteocondrossarcoma multilobular é
bastante raro e, tipicamente, originase nos ossos membranosos do crânio. Seu comportamento biológico é variável e,
geralmente, é caracterizado por uma massa firme de crescimento lento. Ele tende a ocorrer em cães de porte médio a grande
e de meiaidade a idosos. É potencialmente metastático e agressivo localmente, causando uma diversidade de sinais clínicos
neurológicos na dependência da localização da massa. Sinais clínicos oculares e deformações da face e cabeça são
comumente descritos. Sua aparência ao exame radiográfico e tomográfico é característica, apresentandose com bordas
nitidamente demarcadas com áreas limitadas de lise do osso adjacente; além disso, observase aspecto granular
frequentemente chamado de “aspecto de pipoca” (popcorn ball). O tratamento de escolha é a remoção cirúrgica com
margens de segurança, que determina, na maioria dos casos, um prognóstico melhor. Não há relatos concretos dos reais
benefícios das terapias adjuvantes.
Em um relato de 39 cães com osteocondrossarcoma multilobular, a idade média foi de 8 anos e o peso de 29 kg.
Entretanto, não se observou predileção por sexo ou raça. Aproximadamente metade deles apresentou recidiva local ou
metástases.
No geral, o prognóstico é reservado, com taxas de sobrevida após o tratamento cirúrgico de aproximadamente 21 meses.
O osteossarcoma da calvária é raro em cães, mas pode representar até 12% de todos os OSA do esqueleto axial (Figura
45.9). O comportamento biológico do OSA nesta região é semelhante ao descrito para o esqueleto apendicular. As
diretrizes terapêuticas também são semelhantes, mas raros relatos estão disponíveis na literatura veterinária.
A cirurgia radical para tratamento das neoplasias ósseas é uma das bases da terapia mais efetiva, entretanto
frequentemente não pode ser praticada nas massas cranianas por questões anatômicas. Nesse caso, a obtenção de
informações derivadas das modalidades de diagnóstico por imagem é fundamental. A craniectomia pode ser praticada no
tratamento de tumores primários da calvária, preservandose os tecidos adjacentes. As margens cirúrgicas de segurança
devem ser de 1 a 2 cm. Nesses casos, a preservação da musculatura temporal é fundamental para a reconstrução dos
defeitos criados, entretanto depende se ela foi invadida pelo tumor ou não. Alguns casos necessitam de reconstrução da
calvária e diversas técnicas de cranioplastia foram descritas utilizando polimetilmetacrilato, telas de polipropileno, telas de
titânio e enxerto de submucosa intestinal suína com o objetivo de proteger o tecido encefálico exposto. Técnicas avançadas
e modernas de prototipagem têm sido descritas na atualidade e prometem revolucionar as cirurgias ósseas reconstrutivas.
Esses modelos confeccionados a partir de imagens de TC apresentam grande potencial como substitutos em formato
personalizado e, ainda, podem ter propriedades osteocondutoras.
Figura 45.9 Radiografias lateral (A) e frontal (B) do crânio de um cão, fêmea, sem raça definida, 6 anos de idade,
apresentando sinais de lise óssea no osso frontal (setas). A biopsia óssea constatou a presença de um osteossarcoma.
Com os recentes avanços das técnicas de diagnóstico por imagem, cirurgia oncológica, técnicas anestésicas e cuidados
pósoperatórios, as cirurgias cranianas têm ganhado aceitação, com índices de sucesso significativamente maiores.
Frequentemente, os tumores ósseos cranianos comprimem o tecido encefálico, mas raramente o invadem.
Modalidades de terapias adjuvantes como a radioterapia têm sido descritas com resultados promissores. A radioterapia
com intenção de cura deve ser considerada nos casos nos quais a remoção cirúrgica é inviável. A radiocirurgia estereotáxica
baseiase na liberação de altas doses aos volumesalvos com taxas significativamente baixas em áreas adjacentes e,
geralmente, envolve 1 a 3 doses de radiação. Essa técnica já é utilizada rotineiramente na Medicina e tende a estar
progressivamente mais disponível na Medicina Veterinária.
Neoplasias vertebrais
O termo neoplasia vertebral envolve uma variedade de tumores que podem acometer os diferentes segmentos da coluna
vertebral. Em geral, os tumores são classificados em benignos e malignos, e os malignos podem ser primários ou
secundários. Os secundários, por sua vez, podem ser metástases ou infiltração de tecidos adjacentes.
As massas tumorais localizadas na coluna vertebral representam um desafio diagnóstico e terapêutico para o veterinário,
tendo como principais dificuldades a coleta de amostras e a remoção dos tumores sem a interferência na função dos órgãos
(locomotora e neurológica).
Os efeitos secundários das neoplasias (sintomas) podem ser inaceitáveis para os proprietários, e os pacientes acabam
sendo eutanaziados sem nem mesmo ter o tratamento iniciado. Por isso, até hoje, pouco está descrito na literatura.
O tumor vertebral primário mais comum em cães e gatos é o OSA e corresponde a 16% das neoplasias que acometem o
esqueleto axial. Outros tumores primários em cães incluem condrossarcoma, mieloma múltiplo, fibrossarcoma,
osteocondroma, hemangiossarcoma e tumor de células plasmáticas. Já os carcinomas podem ser encontrados como
neoplasias vertebrais secundárias. A região cervical é o local mais comum, entretanto tumores hematopoéticos, como o
mieloma múltiplo, e algumas metástases tendem a afetar mais de uma vértebra.
Comumente, pacientes com neoplasia vertebral apresentam faixa etária superior a 5 anos, com variação de 5 meses a 12
anos. Com relação ao sexo, as cadelas são comumente mais acometidas pela maioria dos OSA do esqueleto axial, exceto
aqueles localizados na costela ou coluna vertebral, nos quais notase uma predileção pelos machos. Além disso, mais de
50% são animais de raças grandes, sendo Golden Retriever, Labrador Retriever e Pastoralemão as mais descritas.
Gatos com linfoma espinal têm em média 3,5 a 4 anos de idade, já as demais neoplasias da coluna vertebral surgem em
gatos mais velhos com média de 7 a 12 anos. Os mais afetados são os domésticos de pelo curto.
Dor e déficits neurológicos são os sinais mais comuns, entretanto são relatados casos de OSA nos quais o animal não
apresentava sinais neurológicos a despeito da dor. O decréscimo da função neurológica é causado por compressão da raiz
nervosa ou da medula espinal. Controversamente, eles podem ser lentamente progressivos ou apresentaremse de forma
subaguda.
Os sinais clínicos são dependentes da localização da neoplasia, e síndromes espinais variadas são observadas. Neoplasias
localizadas no segmento espinal C1C5, por exemplo, resultam em sintomatologia relacionada com a interferência no
neurônio motor superior, podendo causar ataxia proprioceptiva e paresia ou paralisia dos quatro membros. Conhecimentos
de neuroanatomia e neurodiagnóstico são fundamentais neste cenário. Não raramente são observados sinais clínicos
confusos e não característicos ou claros.
O diagnóstico das neoplasias vertebrais é marcadamente desafiador e pode depender de modalidades de diagnóstico por
imagem e coleta do fluido cerebrospinal. Várias alterações radiográficas podem ser observadas em cães com tumores
vertebrais, como lise do corpo vertebral, alteração no diâmetro do forame intervertebral e do canal vertebral, presença ou
ausência de proliferação óssea. O corpo e o arco vertebral são mais frequentemente acometidos que os processos espinais
dorsais e que os transversos. Já os osteocondromas apresentamse como lesões benignas bem circunscritas e envolvem
com maior frequência o processo espinal e a lâmina dorsal (Figura 45.10).
A mielografia, a TC e a RM são bastante úteis no diagnóstico da lesão e no planejamento terapêutico. Entretanto, o
mielograma por si só não consegue diferenciar a lesão intraduralextramedular de uma lesão intramedular, mas algumas
alterações na mielografia incluem redução do espaço subaracnóideo e deslocamento unilateral ou assimétrico da medula
espinal. Recursos mais avançados de imagem como TC e RM são importantes para determinar as margens do tumor,
anteriormente à remoção cirúrgica ou realização do planejamento de radioterapia, ou ambas. Outro meio de diagnóstico é a
cintigrafia nuclear que pode ser benéfica para identificar o local de uma ou múltiplas lesões, entretanto não diferencia OSA
multifocal de múltiplas lesões metastáticas.
Por ser uma neoplasia de comportamento agressivo, é importante que sejam pesquisadas metástases, uma vez que a
doença metastática é encontrada em 25% dos cães com OSA vertebral.
O diagnóstico definitivo das neoplasias vertebrais requer a avaliação histopatológica do tecido afetado. Isso geralmente
não é possível sem uma intervenção cirúrgica. No entanto, a biopsia por agulha fina guiada por ultrassonografia ou por TC,
em alguns casos, pode proporcionar tal oportunidade. A retirada de amostra para biopsia pela laminectomia é
contraindicada em humanos em razão do risco de recidiva local do tumor, mas tem sido praticada com frequência na rotina
veterinária.
O diagnóstico diferencial varia de acordo com a localização do tumor e a duração e o início dos sinais clínicos, uma vez
que outras afecções também podem causar mielopatia progressiva, como doença do disco intervertebral, seringomielia,
espondomieolopatia cervical caudal, mielopatia degenerativa e a síndrome da cauda equina. Muitas vezes, esses diferenciais
são mais frequentes quando comparados às neoplasias, e a sintomatologia pode ser muito semelhante.
A terapia para cães e gatos com tumores vertebrais pode ser dividida em tratamento de suporte e definitivo. A terapia de
suporte é direcionada para tratar as sequelas da neoplasia como dor e edema, enquanto a definitiva tem o objetivo de
remover o tecido neoplásico. As opções de tratamento definitivo incluem ressecção cirúrgica, estabilização ou ambas, além
de radiação e quimioterapia. Essas opções dependem se o tumor é benigno, maligno ou se tem poder metastático, se ele foi
excisado por completo ou não.
Figura 45.10 Osteocondroma em cão. A. Cão da raça Dálmata apresentando paraparesia não ambulatória de início agudo.
B. Exame de mielografia mostrando elevação e bloqueio da coluna de contraste entre os espaços intervertebrais L1L2
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(seta). C. Imagem fotográfica intraoperatória da massa tumoral (asterisco), que comprimia ventralmente a medula espinal.
Vários sistemas de estadiamento têm sido descritos para o tratamento de tumores vertebrais em humanos, os quais
podem ser aplicados para a Medicina Veterinária. Esse sistema consiste em dividir a vértebra em 12 zonas iguais, de modo
semelhante a um relógio, e se basear nessas zonas para fazer a ressecção do tumor de acordo com a área afetada. Assim, há
três principais tipos de estadiamento cirúrgico: vertebrectomia, ressecção sargital e ressecção da lâmina dorsal. A
abordagem cirúrgica depende da localização (cervical, torácica, lombar ou sacral) e da extensão do tumor.
O tratamento de uma única vértebra acometida pode ser focado na ressecção cirúrgica. A vertebrectomia tem sido
descrita em cães desde 1997, entretanto pouco se sabe sobre a utilidade dessa técnica em casos clínicos. Em razão da
elevada morbidade associada ao procedimento, somente os cirurgiões com extensa experiência devem considerar essa
cirurgia. Ela pode ser realizada em um ou dois estágios e, na maioria dos casos, é preferível efetuálaem duas etapas.
Posteriormente, devese fazer a reconstrução e a estabilização.
A ressecção sargital é recomendada para tumores localizados no centro do corpo vertebral, no pedículo ou no processo
transverso. Pode ser realizado também em duas etapas, combinando o acesso dorsal e ventral, permitindo visibilidade de
300° da vértebra.
Em adição ao tratamento do tumor ou mesmo como método único de suporte, podese fazer a descompressão da medula
espinal (laminectomia e hemilaminectomia) e das raízes nervosas, o que pode resultar em melhora clínica do paciente. A
quimioterapia pode ser realizada primariamente para tumores hematopoéticos e OSA.
Independentemente do regime terapêutico, a média de sobrevida dos cães com OSA vertebral foi de 55 a 155 dias e, em
raros casos, mais de 1 ano. Em outro estudo, 15 cães com OSA foram tratados com combinação de cirurgia e radiação ou
quimioterapia, ou ambos, e obtiveram média de sobrevida de 4 meses.
A radioterapia ou tratamento adjunto é uma alternativa útil para tumores vertebrais. É indicado para tumores não
excisados em sua totalidade e para pacientes cuja cirurgia não é recomendada. Pode ser usada para eliminar a neoplasia ou
como paliativo para aliviar a dor e os sinais resultantes da osteólise ou da compressão medular. Em um estudo de OSA
axial em cães, a média de sobrevida com radiação definitiva foi de 265 dias comparada à média dos animais que receberam
radiação paliativa; além disso, 46% dos cães desenvolveram metástases e 55% morreram de doença local. Já o uso da
quimioterapia parece não ter efeito preventivo do surgimento de metástases e na sobrevida dos cães.
A quimioterapia é indicada no tratamento do linfossarcoma e do mieloma múltiplo. Entretanto, com exceção do linfoma,
tumor de células plasmáticas e osteossarcoma, existem informações limitadas da quimioterapia para tratamento dos
tumores.
Os agentes bifosfonatos podem ser usados como tratamento adjuvante de tumores vertebrais que causam lise óssea.
Esses fármacos inibem a reabsorção óssea sem inibir a mineralização primária por meio da indução de apoptose dos
osteoblastos, resultando em diminuição da osteólise, estabilização ou melhora da mineralização e alívio da dor. Estudos in
vitro com o OSA canino mostram que os bifosfonatos podem ter benefícios anticancerígenos. O bifosfonato mais
comumente usado na Oncologia Veterinária é o pamidronato.
O prognóstico para muitos casos de neoplasia vertebral é considerado ruim e, por muito tempo, representou motivo para
eutanásia, entretanto mais e mais pacientes têm sido tratados ou manejados paliativamente com sucesso na atualidade. A
cirurgia descompressiva pode causar alívio temporário dos sinais clínicos, entretanto pode predispor ao aparecimento de
fraturas ou luxações patológicas em virtude da desestabilização da coluna vertebral.
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Introdução
Tumores intraarticulares em cães e gatos são afecções neoplásicas raras, porém na maioria dos casos são de ocorrência
maligna. As principais neoplasias que acometem as articulações são os sarcomas de células sinoviais, sarcomas
histiocíticos, os mixomas sinoviais e condrossarcomas sinoviais, além dos lipossarcomas. As neoplasias benignas que são
diagnosticadas no espaço articular são os sinoviomas em gatos e os lipomas em cães.
No entanto, pode haver presença de tumores que ocorrem próximos à articulação (extraarticulares) e, em virtude do
comportamento invasivo, comprometem essa estrutura. Na maioria dos casos, a invasão intraarticular ocorre em razão da
presença de sarcomas ósseos classificados como tumores centrais ou medulares, periféricos ou periosteais. Os centrais ou
medulares são os mais comuns e são representados pelos osteossarcomas (OSA) e fibrossarcomas. Os periosteais são
representados pelos condrossarcomas, fibrossarcomas e OSA, os quais são menos agressivos quando comparados com os
tumores de origem medular.
Existem ainda outros tumores extraarticulares que podem invadir a articulação, como o rabdomiossarcoma, o
hemangiossarcoma, os sarcomas histiocíticos, os plasmocitomas, os sarcomas sinoviais e os sarcomas indiferenciados.
Porém, é raro o acometimento de uma articulação por neoplasias metastáticas.
Incidência
O sarcoma de célula sinovial é a neoplasia mais comumente encontrada nas articulações e é mais frequente em cães de
porte grande com idade média a avançada, com média de 9 anos. Observase uma proporção de três machos para cada duas
fêmeas e não há predisposição racial, apesar de estudos apresentarem frequência predominante em cães da raça Rottweiler.
A articulação do joelho é a mais comumente acometida, mas pode ocorrer no cotovelo, ombro e tarso.
Os outros tumores intraarticulares primários em sua maioria são raros e podem ocorrer em cães de pequeno, médio e
grande porte. Não há predileção para ocorrência em fêmeas ou machos e a média de idade é de 5 a 15 anos.
Um estudo realizado por Craig et al.
1 descreveu a presença de 39 casos de cães com mixoma sinovial, sendo as raças
Doberman Pincher (26%) e Labrador Retriever (26%) as mais afetadas por essa neoplasia, seguidas por Basset Hound
(10%), Rottweiler (8%) e Shetland (5%). A idade média foi de 8,5 anos e ocorreu maior incidência nas fêmeas (64%) do
que nos machos (36%). Os locais de desenvolvimentos dos tumores foram joelho (38%), dígitos (26%), tarso (20%),
cotovelo (8%), carpo (5%) e vértebras (3%).
Os tumores de origem óssea extraarticulares, que invadem o espaço articular, são mais comuns em cães de médio porte,
grandes e gigantes, e as raças mais acometidas são São Bernardo, Dinamarquês, Rottweiler, Setter Inglês, Pastoralemão,
Golden Retriever, Fila Brasileiro e Mastiff. A idade de maior ocorrência é em torno de 6 a 9 anos e os machos apresentam
frequência ligeiramente maior que as fêmeas.
Etiologia
■
A etiologia exata das neoplasias intraarticulares ou extraarticulares que invadem as articulações ainda permanece
desconhecida, porém traumas, processos inflamatórios crônicos, exposição constante à radiação ionizante, uso de implantes
ortopédicos para correção de fraturas, mutações genéticas e infartos ósseos são indicados como fatores de predisposição ao
desenvolvimento dessas neoplasias.
Comportamento biológico
As neoplasias intraarticulares malignas em cães e gatos apresentam comportamento localmente agressivo caracterizado por
tumefação periarticular dos tecidos moles, lise e destruição óssea em um ou ambos os lados da articulação. Pode ocorrer
invasão dos linfonodos satélites e das metástases a distância em parênquima pulmonar, fígado e baço.
Os sarcomas sinoviais podem iniciar seu desenvolvimento em áreas próximas às articulações, podem acometer tendões,
região da bursa, bainhas tendíneas e ligamentos e, posteriormente, invadem as articulações, principalmente do joelho, tarso,
carpiano, escapuloumeral e cotovelo.
Em Medicina com humanos, é descrita também a invasão de tendões, bainhas tendíneas, estruturas bursais, ligamentos e
articulações. Sua maior incidência é em jovens na faixa etária de 15 a 35 anos e observase pequena predominância em
pacientes do sexo masculino.
Já o comportamento das neoplasias extraarticulares de origem óssea que podem invadir as articulações depende muito
da origem e da classificação. Por exemplo, neoplasias de origem central ou medular são mais agressivas que os tumores
ósseos de origem periosteais. Entre essas neoplasias, o OSA é altamente invasivo e metastático, causando no local de
desenvolvimento da lesão tumefação das estruturas adjacentes (músculo, tendões, subcutâneo e pele), além de lise óssea,
fissuras e microfraturas, que podem ocasionar fraturas patológicas. Os principais locais de implantação das metástases são
linfonodos regionais, parênquima pulmonar, fígado, baço e outros ossos. Em Medicina, esses tumores apresentam
calcificação irregular em 15% dos pacientes e caráter recidivante, além da ocorrência de metástase em linfonodos regionais
e a distância, principalmente em parênquima pulmonar. Quando os pacientes apresentam recidiva após a exérese cirúrgica,
o prognóstico é pior.
As neoplasias de caráter benigno intra ou extraarticular apresentam desenvolvimento lento, porém infiltrativo, no
entanto não têm caráter metastático regional ou a distância e se caracterizam principalmente pela recidiva local quando não
é possível a ressecção da lesão com margens adequadas de segurança.
Sinais clínicos
Os sinais clínicos das neoplasias intraarticulares primárias ou extraarticulares que invadem a articulação são semelhantes.
Os pacientes podem apresentar sinais clínicos agudos ou desenvolver sintomas no decorrer da evolução da doença
neoplásica.
Cães com neoplasias articulares manifestam anorexia e caquexia, aumento de volume regional, claudicação aguda ou
crônica e dor. Além disso, os pacientes posicionam o membro e o apoiam em forma de pinça, provavelmente em virtude do
acometimento do ligamento cruzado cranial e das formações osteofíticas, levando a desconforto e a instabilidade do joelho.
Em pacientes humanos, dor, aumento de volume, tumefação, hipertermia local e dificuldade de ambulação são os
principais sintomas clínicos relatados.
No caso de neoplasias metastáticas, esses pacientes podem apresentar aumento de volume dos linfonodos regionais,
dificuldade respiratória, efusão pleural em casos de metástases pulmonares e aumento de volume abdominal por formação
de ascite secundária às metástases em fígado ou baço.
Diagnóstico
O diagnóstico das neoplasias articulares geralmente segue os princípios preconizados nas neoplasias do esqueleto
apendicular, com algumas peculiaridades. Como citado anteriormente, as neoplasias articulares são raras e comumente não
constituem as primeiras posições nos diagnósticos diferenciais de claudicações. Esse fato torna o diagnóstico desafiador
para o médicoveterinário.
A maioria das neoplasias articulares não é identificada nas fases iniciais e, tipicamente, os pacientes são previamente
submetidos a terapias recorrentes com agente antiinflamatório em razão dos sinais de claudicação. Muitas vezes, a
claudicação recorrente acaba confundindo essa condição patológica com outras afecções ortopédicas, como a displasia
coxofemoral, a ruptura do ligamento cruzado cranial e a displasia do cotovelo. Há relatos de cães com diagnóstico de
ruptura crônica do ligamento cruzado cranial que, após a artrotomia e a coleta de material para exame histopatológico,
foram diagnosticados com sarcoma de célula sinovial.
Geralmente, é observado aumento de volume periarticular. Essas massas apresentam crescimento lento na maioria dos
casos, mas podem apresentar um crescimento mais acelerado com o desenvolvimento da neoplasia e o grau de malignidade.
Comumente, são tumefações de tamanho variável e firmes à palpação, podendo apresentar áreas flutuantes e pouco
dolorosas.
Na maioria dos casos, a análise de histórico, anamnese, achados do exame físico e ortopédico não é suficiente para
presumir o diagnóstico. Mesmo o exame radiográfico, muito utilizado para direcionar o diagnóstico das neoplasias ósseas,
não é considerado extremamente valioso nesses casos. Radiografias bem detalhadas da articulação acometida podem
sugerir a presença de alterações articulares, as quais frequentemente são inespecíficas, podendo ser confundidas com
fenômenos degenerativos decorrentes de osteoartrose. Contudo, algumas lesões são evidentes e podem, de fato, sugerir a
presença de uma neoformação articular.
Diferentemente das neoplasias do esqueleto apendicular, os achados radiográficos das neoplasias articulares não são
característicos, podendo ser encontrados diferentes padrões, como lesões de aspecto explosivo, líticas, proliferativas ou
mistas. As neoformações que não invadem ou acometem as superfícies articulares ósseas podem ser muito discretas e
inespecíficas ao exame radiográfico. É também comum o acometimento de ambos os lados das articulações envolvidas.
Outras modalidades de diagnóstico por imagem são fundamentais na determinação de uma neoplasia articular. A
realização da tomografia computadorizada e/ou da ressonância magnética é muito útil no diagnóstico mais preciso da
presença de possíveis neoformações articulares. As imagens adquiridas são mais específicas, com riqueza de detalhes, o
que facilita sobremaneira a diferenciação das afecções articulares mais comuns. A tomografia computadorizada é utilizada
rotineiramente para o diagnóstico da displasia do cotovelo em cães, enquanto a ressonância magnética pode ser muito
valiosa na análise dos tecidos não ósseos da articulação. Essas modalidades de diagnóstico têm se tornado cada vez mais
populares em Medicina Veterinária.
Mais recentemente, tem sido utilizada a artroscopia, que permite visualização direta do compartimento articular e, muitas
vezes, a coleta de material para exame complementar.
Os exames de diagnóstico por imagem são úteis, mas frequentemente não é possível fechar o diagnóstico. Dessa forma,
a coleta de fragmentos articulares ou da massa neoformada é imprescindível para a determinação do diagnóstico definitivo.
Nos aumentos de volume evidentes, podese utilizar desde a citologia aspirativa com agulha fina até a coleta de fragmentos
de biopsia e análise histopatológica posterior. Algumas neoplasias podem ser diagnosticadas por meio da análise citológica
do líquido sinovial, entretanto as alterações sinoviais, frequentemente, não são específicas.
As biopsias articulares (tecido ósseo ou mole) não são procedimentos simples, pois envolvem, muitas vezes, uma
artrotomia. Dessa forma, necessitam de sedação ou anestesia dos pacientes. Nas lesões nas quais se prevê a artrotomia
exploratória, é obrigatória a realização do procedimento em ambiente cirúrgico, respeitandose todos os princípios de
antissepsia. Quando o tumor é evidente e acomete as porções mais externas à articulação, pode ser possível a realização de
uma biopsia ambulatorial (mediante sedação) ou mesmo a citologia por agulha fina. A utilização de trépanos ósseos ou
agulhas para biopsia facilita a coleta das amostras. Apesar de não ser amplamente utilizado na rotina veterinária de
pequenos animais, o fluoroscópio pode ser útil na realização de procedimentos de coleta menos invasivos, especialmente
em lesões menos visíveis e palpáveis.
É importante salientar que os resultados dos exames de citologia devem ser interpretados com prudência, uma vez que os
sarcomas não se esfoliam facilmente. São relatados cerca de 70% de diagnósticos corretos em citologias por agulha fina,
entretanto um resultado negativo não exclui a possibilidade de neoplasia.
Antes de iniciar o tratamento, é recomendada a pesquisa por metástases, visto que a maioria das neoplasias articulares é
maligna. As metástases não são comuns nos sarcomas de células sinoviais, mas metástases para pulmões, linfonodos e
fígado são relatadas nos sarcomas histiocíticos. A realização de exames radiográficos ou tomográficos da cavidade torácica
é fundamental para a verificação de possíveis metástases pulmonares. Na ocasião do exame radiográfico, são recomendadas
três posições (lateral esquerda e direita e ventrodorsal). A ultrassonografia abdominal é o exame de escolha para a pesquisa
de metástases em órgãos abdominais. A seriação desses exames muitas vezes é necessária, pois micrometástases não
visibilizadas podem apresentar crescimento no decorrer do tempo.
Após o tratamento, que na maioria dos casos é cirúrgico, a massa neoplásica deve ser encaminhada para o exame
histopatológico (Figura 46.1) e imunohistoquímico, mesmo que se tenha realizado a biopsia incisional antes da ressecção
cirúrgica. A imunohistoquímica tem sido utilizada efetivamente como ferramenta de diferenciação das principais
neoplasias articulares, especialmente entre os sarcomas sinoviais, histiocíticos e mixomas.
Alguns OSA de ossos longos podem estar localizados próximos às articulações, mas raramente acometem essas
estruturas. De qualquer forma, devem ser considerados diagnóstico diferencial, pois podem causar reação do periósteo
adjacente e extenso edema de tecidos moles. As artrites e artroses de qualquer natureza podem ser confundidas com
neoplasias articulares, mas há diversas ferramentas diagnósticas para diferenciálas. As fraturas articulares mal tratadas
podem causar alterações crônicas que eventualmente poderão ser confundidas, mas o histórico do paciente poderá revelar a
presença dessa lesão. Não são comuns as fraturas patológicas secundárias às neoplasias articulares, diferentemente ao que é
observado em pacientes com neoplasias ósseas malignas, especialmente os OSA do fêmur em cães. Os cistos sinoviais
apresentamse como massas bem circunscritas aderidas à cápsula articular ou bainha tendínea e devem ser diferenciados
das neoplasias articulares.
Figura 46.1 Sarcoma sinovial em articulação do cotovelo. Cão da raça Golden Retriever, fêmea, 6 anos. É possível notar a
proliferação de células neoplásicas que têm forma discretamente alongada (componente fibroblástico) ou epitelioides
(componente sinovioblástico). Elas proliferamse formando lençol celular e algumas cavidades/fendas pelas células
sinovioblásticas (coloração: hematoxilina e eosina de harris; aumento de 100 ×). Imagem cedida por Juliana Werner.
Estadiamento
Não são relatadas formas de estadiamento específicas para as neoplasias articulares, entretanto algumas adaptações podem
ser feitas baseadas no estadiamento das neoplasias ósseas em cães e gatos.
Tratamento
O tratamento das neoplasias articulares não é bem estudado e descrito, entretanto, por serem condições geralmente
malignas, a cirurgia radical é a forma mais utilizada na atualidade.
Com o avanço das modalidades de diagnóstico por imagem e das cirurgias preservadoras e reconstrutivas, esperase que
os tumores articulares possam ser tratados de forma diferente. Na Medicina Humana, utilizamse os exames de tomografia
computadorizada e ressonância magnética para determinar a real extensão das neoplasias articulares, tanto para os tecidos
moles como para as estruturas ósseas. Associados aos avanços nas terapias neoadjuvantes e adjuvantes, conseguese ter
sucesso na preservação da função do membro nesses pacientes. É utilizada uma ampla gama de sistemas protéticos para
auxiliar a reconstrução da função articular associados a conhecimentos de microcirurgia para as reconstruções de tecidos
moles, incluindo vasos sanguíneos, tendões e estruturas nervosas.
Em Medicina Veterinária, muitos fatores ainda limitam a utilização desses princípios. A excisão está relacionada com
altas taxas de recidiva. A amputação alta é o procedimento cirúrgico mais comumente realizado no tratamento das
neoplasias articulares, especialmente em razão do baixo custo, da simplicidade da técnica e da reduzida taxa de
complicações. Geralmente, os pacientes toleram muito bem a amputação, com exceção daqueles portadores de outras
afecções ortopédicas ou neurológicas que não permitam a deambulação em três membros. É importante salientar que a
qualidade de vida é ótima em pacientes amputados, assim como é observado em cães e gatos tratados para neoplasias
ósseas malignas.
A cirurgia radical objetiva a obtenção de ampla margem de segurança, e as técnicas cirúrgicas e os princípios utilizados
seguem as exigências das amputações das neoplasias ósseas malignas.
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