além de fornecer o estadiamento oncológico preciso, uma vez que representa um diferencial quando comparado à
linfadenectomia aleatória, em que o patologista deve examinar os linfonodos sem a devida convicção de que sejam estes os
que drenam o sítio neoplásico primário.
Além disso, a aplicação da técnica permite tratamento mais adequado, com bons índices de controle neoplásico e
aumento na sobrevida dos animais.
Bibliografia
BESERRA, H. E. O.; GRANDI, F.; IBANEZ, F. J. et al. Sentinel lymph node identification: the importance of new methodologies and
preclinical studies in dogs. Braz. J. Vet. Pathol., v. 6, n. 1, p. 5, 2013.
BRENET, O.; LALOURCEY, L.; QUEINNEC, M. et al. Hypersensitivity reactions to Patent Blue V in breast cancer surgery: a
prospective multicentre study. Acta. Anaestesiol. Scand., v. 57, n. 1, 2013.
ELGOHARY Y. M.; METWALLY G.; SAAD R. S. Prognostic significance of intratumoral and peritumoral lymphatic density and blood
vessel density in invasive breast carcinomas. Am. J. Clin. Pathol. v. 129, p. 578586, 2008
MATOS, A. J. F.; FAUSTINO, A. M. R.; LOPES, C. et al. Detection of lymph node micrometastases in malignant mammary tumours in
dogs by cytokeratin immunostaining. Vet. Record, v. 158, p. 626630, 2006
PINHEIRO, L. G. P.; MORAES, M. O.; SOARES, A. H. et al. Estudo experimental de linfonodo sentinela na mama da cadela com azul
patente e Tecnécio Tc99m. Acta. Cirurg. Bras., v.18, n. 6, 2003.
PINHEIRO, L. G. P.; OLIVEIRA FILHO, R. S.; VASQUES, P. H. D. et al. Hemosiderin. A new marker for sentinel lymph node
identification. Acta. Cirurg. Bras., v. 24, n. 6, 2009.
RAHAL, S. C.; HOSSNE, W. S.; TEIXEIRA, E. M. S. Uso da fluoresceína na identificação dos vasos linfáticos superficiais das glândulas
mamárias em cadelas. Cienc. Rural, v.25, n.2, 1995.
SCHLOPPMANN, S. F.; BIRNER, P.; STUDER, P. Lymphatic microvessel densitiy and lymphovascular invasion assessed by
antipodoplanin immunostaining in human breast cancer. Anticancer Res., v. 21, 2001.
SCHUMAN, S.; WALKER, G.; AVISAR, E. Processing sentinel nodes in breast cancer when and how many? Arch. Surg., v. 146, n. 4,
2011.
SHIBATA, M. A.; AMBATI, J.; SHIBATA, E. et al. Mammary cancer gene therapy targeting lymphangiogenesis: VEGFC siRNA and
soluble VEGF receptor2, a splicing variant. Med. Mol. Morphol., v. 45, n. 4, p. 179184, 2012.
SZCZUBIAŁ, M.; ŁOPUSZYNSKI, W. Prognostic value of regional lymph node status in canine mammary carcinomas. Vet. Comp.
Oncol., v. 9, n. 4, p. 296303, 2011.
Introdução
A imunohistoquímica é uma técnica que permite a localização e a visualização de um antígeno in situ, em cortes
histológicos processados de forma rotineira, ou seja, em material fixado em formol e incluído em parafina, bem como em
tecidos de congelação e preparados citológicos.
A vantagem da técnica de imunohistoquímica é a associação da visualização do antígeno a ser pesquisado com sua
localização no tecido, o que difere de métodos que têm a capacidade de determinar a presença do antígeno e quantificálo
(p. ex., citometria de fluxo, Western blot), porém sem a possibilidade de se conhecer o tipo celular que o expressa.
De forma resumida, o método imunohistoquímico se baseia no uso de anticorpos primários contra antígenos a serem
identificados em tecidos, em cortes histológicos.
Em 1981, Hsu et al. descreveram a técnica conhecida como método Avidina Biotina Peroxidase (ABC), que se baseia na
aplicação de um anticorpo secundário biotinilado, direcionado contra a espécie animal em que foi produzido o anticorpo
primário, e, no posteriormente, uso de um complexo contendo avidinabiotina e peroxidase. Este, pela afinidade entre a
avidina e a biotina, ligase ao anticorpo secundário biotinilado. As moléculas de peroxidase recebem elétrons de um
cromógeno (Diaminobenzidina – DAB ou AEC – 3amino, 9etil carbazol), que se coram de castanho (DAB) ou vermelho
(AEC), sendo este o resultado final da imunohistoquímica.
1
Anticorpos
Os anticorpos primários são de dois tipos: monoclonais ou policlonais. O primeiro deles reage contra um único epítopo
antigênico, sendo produzido, normalmente, em camundongos e coelhos. Os anticorpos policlonais reagem contra diferentes
epítopos, do mesmo antígeno, e a maior parte é produzida em coelhos.
Os anticorpos monoclonais são mais específicos do que os policlonais, porém a chance de reação cruzada com as
diferentes espécies animais é menor do que a dos policlonais, o que pode dificultar o uso de anticorpos monoclonais
comerciais, a maioria direcionada contra epítopos de tecidos humanos, no estudo imunohistoquímico em Medicina
Veterinária.
Os anticorpos secundários devem ser direcionados contra a espécie em que foi produzido o anticorpo primário,
produzido em uma terceira espécie animal. Por exemplo: pesquisa do imunofenótipo nos linfomas caninos. O anticorpo
primário direcionado contra linfócitos T pode ser monoclonal, produzido em camundongos; o secundário – antiimunoglobulinas de camundongo – pode ser produzido em caprinos, suínos ou equinos.
Esses anticorpos secundários, também denominados sistemas de detecção, podem ser biotinilados (usados nos kits
comerciais ABC, LSAB) ou ligados a um polímero que tem a ele aderido moléculas de peroxidase ou fosfatase alcalina.
Diagnóstico
O uso de métodos para melhor exposição de antígenos nas amostras teciduais, antes da reação antígenoanticorpo
propriamente dita, revolucionou a imunohistoquímica diagnóstica. Métodos de recuperação de epítopos baseados em calor
(HeatInduced Epitope Retrieval, ou HIER) melhoraram a qualidade da imunocoloração de diversos anticorpos primários
utilizados no diagnóstico das doenças oncológicas. Várias opções de HIER são descritas, como vaporizador, panela de
pressão e forno de microondas. Em geral, na bula dos anticorpos primários vendidos comercialmente, há orientação sobre
qual método de recuperação antigênica deve ser utilizado para cada anticorpo em particular.
No entanto, a maioria dos anticorpos utilizados na rotina diagnóstica em pequenos animais é fabricada para funcionar em
tecidos humanos, sendo fundamental padronizar os tipos de recuperação antigênica (soluções básicas ou ácidas) para que se
obtenha uma adequada reação cruzada do anticorpo primário com o tecido animal.
Existem outros métodos de recuperação antigênica, por exemplo, por digestão enzimática com a utilização de proteinase
K. Há também, porém em número bem reduzido, anticorpos primários que não necessitam de recuperação antigênica. É
importante que o patologista esteja familiarizado com a padronização das diversas técnicas de realização do exame imunohistoquímico para a adequada análise da imunocoloração específica para cada anticorpo.
Ainda existem anticorpos primários que somente reagem em cortes de congelação, que não foram submetidos à fixação
em formol. Este procedimento é mais difícil de ser aplicado na rotina de um serviço de patologia e tem seu uso limitado.
Uma boa técnica histológica é essencial para o diagnóstico das neoplasias. A formalina, o mais comum e prático fixador
de amostras teciduais disponível, permite boa análise histológica e adequada preservação da antigenicidade para a análise
imunohistoquímica. O ideal é utilizar formalina tamponada a 10% (Tabela 9.1) como fixador universal. Para fixar
amostras teciduais, é necessário que o fixador tenha um pH semelhante ao do sangue. Isso evita que uma solução ácida ou
alcalina venha a alterar os tecidos e prejudicar futuras análises diagnósticas ou prognósticas, especialmente em exames de
imunohistoquímica e de biologia molecular.
Outro fator importante é o período de fixação na formalina tamponada a 10%. Geralmente, um período de 24 a 72 h é o
ideal para que as reações de imunohistoquímica e de biologia molecular apresentem bons resultados. Amostras teciduais
que permanecem por tempo prolongado na formalina perdem a reatividade. O inverso também é verdadeiro; amostras
pouco fixadas sofrem autólise e destruição dos epítopos antigênicos.
Tabela 9.1 Receita para confecção de solução de formalina tamponada a 10%.
Reagentes Quantidade (preparo de 1 ℓ) Quantidade (preparo de 10 ℓ)
Soluçãodeformaldeído(37%) 270 mℓ 2.700 mℓ
Água 쬡ltrada 730 mℓ 7.300 mℓ
Fosfato monobásicodesódio 4g 40g
Fosfatodibásico(anidro)desódio 6,5g 65g
Atualmente, no diagnóstico oncológico, a técnica de imunohistoquímica pode ser usada no diagnóstico de neoplasias
indiferenciadas, no imunofenótipo das células neoplásicas, na determinação da origem de metástases, como fator
prognóstico e avaliação da terapêutica instituída.
Muitos anticorpos utilizados no diagnóstico oncológico usam a nomenclatura CD. A abreviação CD originase do inglês
cluster of dif erentiation ou cluster of designation e significa grupo de diferenciação, sendo introduzida na literatura para
racionalizar a descrição e a identificação de moléculas da superfície celular utilizadas como alvo de imunofenotipagem.
Inicialmente, foi utilizada para leucócitos e, posteriormente, ampliada para outras populações celulares. Fisiologicamente,
as moléculas CD atuam, principalmente, como receptores encontrados na membrana celular, e outras têm função, por
exemplo, de adesão celular. O número de moléculas CD descrito na literatura médica humana atualmente é superior a 350.
Nem todos os anticorpos produzidos contra moléculas CD funcionam em tecido fixado em formalina e incluído em
parafina. Dos anticorpos que não funcionam em blocos de parafina destacamse alguns marcadores para as doenças
histiocíticas e linfoides dos cães e gatos.
A Tabela 9.2 apresenta uma lista dos principais anticorpos primários utilizados no diagnóstico oncológico pela técnica de
imunohistoquímica.
O exame imunohistoquímico é um exame complementar que pode fornecer informações adicionais, não devendo ser
utilizado como única ferramenta diagnóstica das neoplasias. A solicitação de um exame de imunohistoquímica deve ser
baseada em um diagnóstico presuntivo, com um diagnóstico morfológico sólido feito pelo exame histopatológico. Também
deve ser indicado para avaliação de fatores prognósticos, como nos mastocitomas caninos, e preditivos, frente a um
diagnóstico já estabelecido.
A técnica de imunohistoquímica deve ser aplicada na forma de painéis de anticorpos primários (marcadores), mas, por
meio de outras técnicas, o diagnóstico pode ser feito por exclusão, com a negatividade para os anticorpos testados, por
exemplo, por falta de um anticorpo primário específico para determinado tipo celular.
Tabela 9.2 Principais anticorpos primários utilizados no diagnóstico das neoplasias.
ACTH Marcadordegrupodetumoresde hipó쬡se
Actinamuscular alfa Mio쬡lamentocitoplasmáticocom expressãoem músculoliso, células mioepiteliaise mio쬡broblastose neoplasias
relacionadas (liomiossarcomaetumores cutâneosdeparedeperivascular)
Alfainibina Marcadordetumoresdecélulasdagranulosaetumoresdocórtexadrenal
BCL-2 Oncoproteínacodi쬡cadapelogene BCL-2envolvidocom açãoantiapoptótica. Utilizadaparadistinçãoentrelinfoma
foliculare hiperplasialinfoidefolicular reativa
Calponina Marcador mioepitelial
Calcitonina MarcadordecélulasCdatireoideecarcinoma medulardatireoide
Calretinina Marcadorde mesotelioma, tumoresdecélulasdeSertoli-Leydigeameloblastomas
CD117 Proto-oncogeneC-KITouproteínatirosinoquinasekit, marcadordetumorgastrintestinalestromal, mastocitoma
(painelprognósitco)eseminoma
CD11 d Marcadordesarcoma histiocíticoeritrofagocitário
CD163 Marcadordesarcoma histiocítico
CD1a Marcadorde histiocitoma(especí쬡coanticanino,utilizadoem tecidocongelado)
CD20 Marcadordelinhagem linfoide B,persistindoem algunsplasmócitos. Marcadordelinfomas B ealguns
plasmocitomas
CD204 Marcadordesarcoma histiocítico
CD3 ReceptordelinfócitosTcadeiaépsilon. MarcadordelinfomasdecélulasT
CD31 Moléculadeadesãocelularendotelialplaquetária. Marcadorde hemangiossarcoma
CD45 Marcadorde neoplasias hematopoéticas. Utilizadoparadiferenciar neoplasias linfoidesdeoutralinhagem
CD45RA Antígenodelinhagem B eTnaive.Especí쬡coanticanino,utilizadoem painéisdiagnósticosdeTVTeplasmocitoma
(CD45positivo)e histiocitoma(CD45RA negativo)
CD56 Moléculadeadesãodecélulas neuraise neuroendócrinas.
CD79a Expressãoem células linfoidespré-B, linfócitos B maduros,persistindoem algunsplasmócitos. Marcadorde
linfomas B ealgunsplasmocitomas
CD10 Marcadorparasubgrupodelinfomas, carcinomadecélulas renaisecélulas mioepiteliais nodiagnósticodiferencial
delesõesbenignase malignasda mama
Citoqueratina Clone34bE12. Marcadordecarcinomadecélulasescamosasedecélulasbasaisdepróstata
Citoqueratina 19
Citoqueratinadebaixopeso molecularexpressaem epitéliosescamosos,basaleductal. Utilizadaem painéis
diagnósticosdetumorespancreáticos, hepáticos,datireoideeovarianos
Citoqueratina 20 Marcadordeepitéliointestinalegástrico,urotélio, célulasde Merkele neoplasias relacionadas
Citoqueratina 7 Marcadordeepitélioductal,glandular,escamososuper쬡cialedetransiçãoe neoplasias relacionadas
Pancitoqueratina Clone AE1AE3. Marcadordecarcinomasem geral
Cromogranina Marcadordetumores neuroendócrinos
Desmina Marcadordetumoresde musculaturalisaeesquelética(liomiossarcomaserabdomiossarcomas)
E-caderina Moléculadeadesãocelulare marcadordecélulasdeLangerhans na maioriados histiocitomas
NSE Utilizadaem painéisparaodiagnósticodos melanomas,gangliomas,gliomasedofeocromocitoma
Fator de vonWillebrand (Fator VIII) Marcadordecélulasendoteliais,utilizado nodiagnósticode hemangiossarcomas
FSH Marcadordegrupodetumoresde hipó쬡se
Gastrina Marcadordegrupodetumoresdecélulasdeilhotaspancreáticasegastrinomas
GFAP Proteínaácida 쬡brilarglial. Utilizadaem painéisdiagnósticosdetumoresdebainha neuralperiféricaetumores
neurais
Glucagon Marcadordegrupodetumoresdeilhotaspancreáticas
HLA-DR Complexoprincipalde histocompatibilidade MHCII. Utilizadoem painéisdiagnósticosde neoplasias histiocíticase
TVT
Insulina Marcadordegrupodetumoresdeilhotaspancreáticas
Ki67 Antígenodeproliferaçãocelular. Marcadordeproliferaçãocelular (célulasem fases não G0)
Lisozima Marcadordegranulócitos, histiócitoseleucemias mieloides
Melan A Marcadorde melanomasetumordocórtexadrenaledeestromaovariano
MyoD Marcadorderabdomiossarcoma
MUM1 Marcadordeplasmocitomae mieloma múltiplo
Neuro쬡lamentos Marcadordetumores neuronais
PTH Marcadordeadenomaecarcinomadeparatireoide
Pax5 Proteínaativadoraespecí쬡cadecélula B (BSAP). Marcadordelinfomasdecélulas B
PNL2 Marcadorde melanomas
Polipeptídio pancreático Marcadordetumorespancreáticos
PSA Marcadordetumoresprostáticos
Receptor de androgênio Marcadordetumoresprostáticos
Receptor de estrógeno Tumoresde mamaealguns carcinomas
Receptor de progesterona Tumoresde mamaealguns carcinomas
S-100 Marcadordecélulas neurogliais,ependimárias, melanocíticasecélulasdeSchwann
Sinapto쬡sina Marcadordetumores neuroendócrinos
Somatostatina Marcadordegrupodetumoresdecélulasdeilhotaspancreáticaseoutros tumores neuroendócrinos
Tireoglobulina Marcadordetumores folicularesdatireoide
Triptase Marcadordeleucemiase mastocitoma
TTF-1 Fatordetranscriçãotireoidiano. Marcadordecarcinomasdepulmãoetireoide
Uroplaquina Marcadordecarcinomaurotelial
Vimentina Marcadordesarcomasem geral
WT-1 Produtodegenesupressordetumor. Marcadorde mesoteliomaetumoresepiteliaisovarianos
Adaptadade Dabbs D,2006.
2 NSE = enolase neuronalespecí쬡ca;FSH = hormôniofolículo-estimulante;PTH = paratormônio;PSA = antígenoprostáticoespecí쬡co.
Nas neoplasias indiferenciadas e na determinação do imunofenótipo de certos tipos de câncer, um painel com anticorpos
primários deve ser usado.
Para instituir um painel de anticorpos primários de neoplasias indiferenciadas, estas devem ser classificadas de acordo
com o tamanho e o tipo de célula, e a experiência do patologista é fundamental para que o número de anticorpos primários
usados seja o menor possível. Nas Figuras 9.1 a 9.4, encontramse as indicações de painéis de diagnóstico de algumas
neoplasias de cães e gatos.
As neoplasias primárias e suas metástases mantêm a expressão de filamentos intermediários, que são estruturas, como
os microtúbulos e microfilamentos, que formam uma rede de sustentação no citoplasma celular, sendo específicos para
cada tipo celular, o que permite o uso de anticorpos primários contra essas proteínas na caracterização de tumores
malignos, especialmente os anaplásicos.
Figura 9.1 A e B. Organogramas de anticorpos utilizados no diagnóstico imunohistoquímico de linfomas de células B e T.
Figura 9.2 Organograma de anticorpos utilizados no diagnóstico imunohistoquímico de plasmocitomas cutâneos.
Figura 9.3 Organograma de anticorpos utilizados no diagnóstico imunohistoquímico de mastocitoma cutâneo canino.
Figura 9.4 Organograma de anticorpos utilizados no diagnóstico imunohistoquímico de histiocitoma canino.
Existem cinco tipos de proteínas de filamentos intermediários. A maioria das células mesenquimais contém a vimentina
como um dos principais filamentos intermediários; as células musculares têm a desmina; e os astrócitos, a proteína ácida
fibrilar glial (GFAP). As células epiteliais contêm um sistema de filamentos intermediários mais complexos composto de
citoqueratinas.
Alguns tumores histologicamente indiferenciados podem ser submetidos à técnica de imunohistoquímica a fim de,
inicialmente, determinarse a origem epitelial (uso de painel de anticorpos anticitoqueratinasCK) ou mesenquimal
(anticorpo antivimentina) (Figura 9.5). A partir desse ponto, podese aprofundar na origem do tipo de epitélio
(citoqueratina positivo) por meio do uso de anticorpos contra citoqueratinas de diferentes pesos moleculares, específicas
para cada tipo de epitélio (Tabela 9.3), ou de proteínas relacionadas ao tecido mesequimal (alfaactina muscular, por
exemplo em linhagem muscular lisa), se vimentina positivo.
Para tumores de origem epitelial, podese citar o uso de citoqueratinas (CK7 e CK20) na diferenciação do sítio primário
dos carcinomas, e principalmente de adenocarcinomas (Tabela 9.4). Esses dois tipos de citoqueratina apresentam
distribuição peculiar em epitélios de revestimento normais e nos carcinomas correspondentes. Quando avaliada
simultaneamente e de maneira racional, a imunorreatividade de CK7 e CK20 pode contribuir na identificação do sítio
primário de vários carcinomas e adenocarcinomas.
Figura 9.5 Canino. Massa na região óssea (sacro). Metástase óssea. Carcinoma de origem primária desconhecida. A.
Células neoplásicas negativas para vimentina. B. Células neoplásicas positivas para pancitoqueratina (AE1/AE3). C.
Pancitoqueratina (AE1/AE3), com mais detalhe das células positivas (seta) em meio à matriz óssea. Imunohistoquímica,
polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por VetMol.
Tabela 9.3 Painel de anticorpos para tumores de origem epitelial, de acordo com o tipo tumoral.
Tumor MNF116 AE1/AE3 CK7 CK20 CK5/6 34βE12 E-caderina Vimentina
Ameloblastoma
acantomatoso
P N N N P P P P
Adenocarcinoma
desacoanal
P P N N N BM P N
Adenocarcinoma
ceruminoso
P P P N Células
basais
Células
basais
P V
Tumorde
folículopiloso
P V N N V P P N
Carcinoma
basocelularP
P BM N N P BM P N
Carcinoma
espinocelular
P P BM N P BM P N
Adenocarcinoma
sebáceo
Célulasbasais N N N Células
basais
P P N
Adenocarcinoma
perianal
Célulasbasais N N N Células
basais
P P N
Carcinomarenal P P V N N V P P
Adenocarcinoma
pulmonar
P P P N V
# V
#
P P
Adenocarcinoma
gastrintestinal
P* P BM** P N V P V
Adenocarcinoma
mamário
P P V N Células
basais
Células
basais
P V
Carcinoma
hepatocelular
BM N N N N N P N
Carcinomabiliar P P P BM N BM P N
Carcinoma
pancreático
P P P N N N P N
Carcinoma
endometrial
P P P P N BM P N
* nãogástrico;**gástrico;#diferenciaçãoescamosa;P = positivo; N = negativo; V = variável; BM = baixa marcação.
Tabela 9.4 Uso de CK7 e CK20 no diagnóstico dos adenocarcinomas
Local Porcentagem(%)
CK7+ CK20+
Ovário mucinoso 90
Céls.detransição 65
Pâncreas 65
Colângio 65
Gástrico 40
Exclui carcinoideespinocelulare hepatocelular,pequenas célulaspulmonar,
ovário não mucionoso, renal
< 5
CK7+ CK20-
Ovário não mucinoso 100
Tireoide 100
Mama 90
Pulmão 90
Útero 85
Mesotelioma 65
Céls.detransição 35
Pâncreas 30
Colângio 30
Exclui colorretal,ovário mucinoso, seminoma < 5
CK7-CK20+
Colorretal 80
Céls. Merkel 70
Gástrico 35
Exclui mama, carcinoidepulmonar, colângio, célulasescamosas,pulmonares
(todosos tipos), hepatocelular,ovário,pâncreas, renal,decélulasdetransição,
útero
< 5
CK7-CK20-
Adrenal 100
Seminoma 95
Próstata 85
Hepatocelular 80
Renal 80
Carcinoide GIepulmonar 80
Pequenas célulaspulmonares 75
Escamosodoesôfago 70
Escamosodecabeçaepescoço 70
Mesotelioma 35
Exclui mama, colângio,pulmão,ovário,pâncreas, célulasdetransição < 5
Adaptadade Dabbs D,2006.
2
Em relação às neoplasias de origem mesenquimal, é importante a diferenciação entre os tumores considerados sarcomas
cutâneos e subcutâneos de partes moles
3 daqueles que não estão nesta categoria, já que os sarcomas de partes moles têm
baixo potencial metastático, porém são localmente agressivos. Neste caso, a avaliação das margens cirúrgicas é mais
importante que o tipo específico de sarcoma de partes moles.
Entre os sarcomas com maior potencial metastático e pior prognóstico, é possível citar os sarcomas histiocíticos, o
hemangiossarcoma, o osteossarcoma e o melanoma. Podese usar um painel para diferenciação do tipo celular, com o uso
de marcadores miogênicos (desmina, alfaactina muscular, calponina e miogenina) (Figura 9.6), de origem vascular e
parede perivascular (fator VIII, CD31, Fli1 e alfaactina muscular) (Figura 9.7), além dos associados à bainha neural
(S100, GFAP e CD56) (Figura 9.8).
As neoplasias melanocíticas são comumente diagnosticadas em cães, e o melanoma é referido como a neoplasia maligna
mais comum em cavidade oral nos caninos. Os principais marcadores para o diagnóstico das lesões melanocíticas de cães e
gatos são o Melan A ou MART1, anticorpo monoclonal que reconhece proteína específica de diferenciação melanocítica, o
PNL2, também denominado antígeno melanocítico, e o S100, proteína expressa em muitas células, incluindo os
melanócitos (Figuras 9.9 e 9.10).
Como fator prognóstico dos melanomas, a taxa de proliferação celular, avaliada pelo anticorpo Ki67, é indicada. O valor
de corte para o Ki67 é de 19,5 para melanomas orais
4
, e para as lesões melanocíticas cutâneas, acima de 15% de
positividade para o Ki67 confere pior prognóstico.
5,6
Nos cães, o diagnóstico de tumores de células redondas, baseado na histopatologia, é desafiador. Neoplasias de células
redondas podem apresentarse morfologicamente semelhantes, principalmente em tumores pouco diferenciados. O uso da
imunohistoquímica nesses casos é de grande auxílio para o diagnóstico diferencial e consequente determinação do
prognóstico e tratamento mais adequado.
A imunofenotipagem dos linfomas caninos é importante para a classificação histológica e o fator prognóstico. Os
principais marcadores para a imunofenotipagem dos linfomas caninos e felinos, resistentes à fixação por formalina, são o
CD20, o CD79A e o Pax5, para os linfomas de células B (Figuras 9.11 e 9.12), e CD3 para os linfomas de células T
(Figura 9.13). Atualmente, não há um marcador de linhagem específica para células NK em cães e gatos, sendo utilizado
para o auxílio da imunofenotipagem desses linfomas (de células NK) o anticorpo Granzima B.
Figura 9.6 Canino. Rabdomiossarcoma metastático. Positividade citoplasmática esparsa nas células neoplásicas para
desmina. Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por VetMol.
Figura 9.7 Canino. Fêmur hemangiossarcoma ósseo. A. Corte histológico corado por HE, onde se observam células
fusiformes neoplásicas e grande quantidade de eritrócitos. B. Células fusiformes neoplásicas positivas para vimentina. C.
Células fusiformes neoplásicas positivas para fator VIII. Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina.
Imagem cedida por VetMol.
Figura 9.8 Canino. Pele, subcutâneo, tumor maligno de bainha neural periférica. A. Positividade membranosa e
citoplasmática para CD56. B. Positividade citoplasmática para GFAP. Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração
hematoxilina. Imagem cedida por VetMol.
Figura 9.9 Canino. Melanoma acral. A. Imunorreatividade positiva para PNL2. B. Imunorreatividade positiva para Melan A.
C. Imunorreatividade positiva para S100. Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem
cedida por VetMol.
Como marcadores para os plasmocitomas caninos, são utilizados o MUM1 (expresso em 90% dos plasmocitomas), o
CD20 e o CD79A com padrões de positividades variáveis (Figura 9.14).
A proliferação de mastócitos está associada à mutação do protoocogene cKIT, que é responsável pela produção de uma
proteína KIT (CD117), que estimula a proliferação dessas células. Essa proteína também é conhecida como fator de
crescimento dos mastócitos.
Um grupo de pesquisadores
7,8
realizou estudos correlacionando o padrão de imunocoloração da proteína KIT nos
mastocitomas cutâneos e subcutâneos com o comportamento biológico desses tumores nos cães. Foram determinados três
padrões da proteína KIT (CD117) nos mastócitos neoplásicos, padrão KIT 1 (imunocoloração membranosa; Figura 9.15
A), padrão KIT 2 (citoplasmática focal perinuclear associada à perda de marcação membranosa; Figura 9.15 B) e padrão
KIT 3 (marcação citoplasmática difusa; Figura 9.15 C). Os padrões 2 e 3 da proteína KIT estão associados ao aumento do
risco de recidiva tumoral e/ou à metástase. Os mastocitomas cutâneos e subcutâneos caninos com padrão KIT1, na maioria
dos casos, não estão associados a prognóstico ruim.
■
Associado à análise da proteína KIT, o Ki67 (clone MIB1) também tem valor prognóstico nos mastocitomas cutâneos e
subcutâneos caninos (Figura 9.16). A metodologia de contagem de células positivas para o Ki67 foi descrita por Webster et
al.
7 e é altamente reprodutível na rotina diagnóstica. Nesta metodologia, com o auxílio de um retículo de 1cm
2 10 × 10 em
objetiva de 40, são contados os núcleos positivos para o Ki67. Quando no campo de um retículo houver mais de 23 células
positivas para Ki67 em mastocitomas cutâneos e 22 células positivas nos mastocitomas subcutâneos, a chance de
recorrência local e metástase será maior. Quando estes números não somarem em um único retículo, será avaliado o
resultado da média de 5 campos (40 ×) em uma área de maior proliferação celular no infiltrado tumoral.
Nos felinos, até o momento da publicação deste capítulo, não havia um consenso entre os estudos do valor prognóstico
dos marcadores KIT (CD117) e Ki67.
Figura 9.10 Canino. Melanoma acral amelanótico. Presença de células fusiformes com nucléolos evidentes e ausência de
pigmento de melanina (HE). Células neoplásicas positivas para Melan A. Imunohistoquímica, polímero, DAB,
contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por VetMol.
Marcadores
O diagnóstico imunohistoquímico das doenças histiocíticas nos cães e gatos é complicado, pois vários marcadores
amplamente utilizados na medicina humana não apresentam reação cruzada com o tecido dessas espécies. Ainda, muitos
marcadores linhagemespecíficos somente funcionam em cortes de congelação. A seguir, serão descritos os principais
marcadores para as doenças histiocíticas neoplásicas em cães e gatos que funcionam em tecido fixado em formol e incluído
em parafina.
• Marcadores para o histiocitoma (Figura 9.17) e a histiocitose cutânea de células de Langerhans: CD18 (+), MHC II (+),
lisozima (+), Ecaderina (±). Essas neoplasias não expressam CD204, CD163, Thy1 (CD90), CD45RA e CD3, sendo
estes marcadores úteis na construção de painéis diagnósticos para a diferenciação de sarcoma histiocítico, histiocitose
reativa e linfomas cutâneos de células T
• Marcadores para o sarcoma histiocítico de células dendríticas: MHC II (+), CD18 (+), lisozima (+), CD204 (±), CD163
(–). A molécula de superfície CD204, apesar de ser um receptor macrofágico, assim como o CD163 (Figura 9.18),
apresentou positividade em uma série de sarcomas histiocíticos de células dendríticas em estudo recente
9
• Marcadores para o sarcoma histiocítico de origem macrofágica: CD18 (+), MHC II (+), lisozima (+), CD204 (+),
CD163 (±)
• Sarcoma histiocítico eritrofagocitário: CD11 d (+), CD18 (+), MHC II (+), lisozima (+), CD204 (±), CD163 (±)
• Histiocitose felina progressiva: CD18 (+), MHC II (+), lisozima (+), Ecaderina (±)
• Histiocitose pulmonar de células de Langerhans: CD18 (+), MHC II (+), lisozima (+), Ecaderina (+) (Figura 9.19).
Em sítios extrapulmonares, o marcador Ecaderina pode ser negativo.
Não há marcadores específicos para o tumor venéreo transmissível (TVT), no entanto eles expressam consistentemente
CD45RA, lisozima e MCH II (Figura 9.20) e são negativos para os marcadores de linhagem celular T e B.
Em relação aos tumores de mama em cadelas, a reação de imunohistoquímica pode ser realizada para fins prognósticos.
Gama et al.
10
relataram quatro tipos de fenótipos moleculares dos tumores de mama em caninos, com base na classificação
humana. Foram utilizados cinco anticorpos diferentes (receptor de progesteronaRP; receptor de estrógeno alfaRE, HER2; p63; citoqueratina 5 e caderinas). Os tumores com piores prognósticos, relacionados com menor sobrevida e tempo livre
da doença, foram os basais RE (–), HER2 (–) e p63 (+). Esse painel não é feito de rotina na Medicina Veterinária, mas
bemaceito e utilizado na Medicina Humana.
Figura 9.11 Felino. A. Intestino, linfoma de células T, células linfoides neoplásicas com poucas atipias, HE. B. Positividade
para o anticorpo CD3. Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por VetMol.
Figura 9.12 Canino. Linfoma de células B. A. Baço. Positividade nuclear para Pax5. B. Linfonodo. Positividade
membranosa para o anticorpo CD20. Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida
por VetMol.
Figura 9.13 Canino. Pele, linfoma cutâneo epiteliotrópico. A. Notase a intensa infiltração de células linfoides T CD3
positivas no epitélio folicular. B. Notase a infiltração de células linfoides T CD3 positivas na epiderme com formação de
microabscesso de Pautrier (*). Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por
VetMol.
Figura 9.14 Canino. Massa cutânea com diagnóstico de neoplasia maligna de célula redonda indiferenciada. Painel imunohistoquímico para plasmocitoma. A. Observase infiltrado neoplásico composto de células arredondadas, HE. B. Células
neoplásicas positivas para MUM1 (marcador de plasmócitos). C. Células neoplásicas positivas para CD79A (marcador de
células linfoides B e persistente em alguns plasmócitos). D. Células neoplásicas positivas para CD20 (marcador de células
linfoides B, persistentes em alguns plasmócitos). E. Células neoplásicas negativas para CD3, com raros linfócitos T reativos
infiltrando a neoplasia. Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por VetMol.
Figura 9.15 Mastocitoma cutâneo canino, positividade para CD117 (cKIT ou proteína KIT). A. Padrão de marcação KIT 1
(membranoso). B. Padrão de marcação KIT 2 (citoplasmática focal perinuclear associada à perda de marcação
membranosa). C. Padrão de marcação KIT 3 (citoplasmático difuso), de acordo com Webster et al.
7
Imunohistoquímica,
polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por VetMol.
Figura 9.16 Mastocitoma cutâneo canino. Avaliação da taxa de proliferação celular com o anticorpo primário Ki67 (clone
MIB1). A. Mastocitoma de baixo grau de malignidade/grau II de Patnaik. Positividade nuclear para Ki67. Baixa proliferação
celular com menos de 23 células positivas, avaliadas em 5 campos (objetiva de 40 ×) com auxílio de retículo de 10 × 10
mm (1cm2
). B. Mastocitoma de baixo grau de malignidade/grau II de Patnaik, positividade nuclear para Ki67. Alta
proliferação celular com mais de 23 células positivas, avaliadas em um único campo (objetiva de 40 ×) com auxílio de
retículo de 10 × 10 mm (1cm2
). Contagem feita de acordo com Webster et al.
7
Imagem cedida por VetMol.
Figura 9.17 Canino. Pele, histiocitoma. A. Positividade membranosa e citoplasmática para o MHC II nas células
neoplásicas. B. Positividade membranosa em queratinócitos da epiderme e nas células neoplásicas para Ecaderina.
Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por VetMol.
Peña et al.
11
sugerem que o painel imunohistoquímico para tumores de mama incluam marcadores para células
mioepiteliais (p63 e/ou calponina); para células luminais (citoquerainas 8, 18 e 19); RE, RP e HER2. No último consenso
nacional sobre tumores de mama em cadelas (Belo Horizonte, dezembro de 2013), recomendouse um painel prognóstico
com o uso de anticorpos para RE, RP, COX2, Ecaderina e Ki67 (Figura 9.21). A pesquisa de metástases de carcinomas
mamários em linfonodos também pode ser feita com auxílio da pancitoqueratina (AE1AE3), que evidencia focos de
micrometástase.
Os tumores neuroendócrinos (NET, do inglês neuroendocrine tumors) são neoplasias de difícil diagnóstico
anatomopatológico, e o auxílio do exame imunohistoquímico é sempre recomendado. Os marcadores primários de todos
os NET são a cromogranina, o CD56 e a sinaptofisina.
Figura 9.18 Canino. Pele, sarcoma histiocítico, positividade citoplasmática granular de CD163 nas células neoplásicas.
Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por VetMol.
Os NET são um grupo de neoplasias malignas sólidas, com origem a partir de células neuroendócrinas encontradas em
todo o corpo. Alguns NET, denominados NET funcionais, podem produzir sintomas e comorbidades relacionadas com a
secreção de hormônios ou peptídios específicos (p. ex., diarreia, hipoglicemia). No entanto, muitos NET são chamados não
funcionais, porque eles são clinicamente silenciosos (assintomáticos) ou apenas produzem sintomas causados pela presença
da massa tumoral (p. ex., dor, obstrução, sangramento). Em cães e gatos, os NET são raros e, geralmente, multihormonais, isto é, têm o envolvimento de vários hormônios secretados pelo tumor. Os NET podem ser designados por
meio de uma variedade de termos, como “carcinoides”, “tumores carcinoides”, “tumores endócrinos”, ou tumores
neuroendócrinos gastrenteropancreáticos (GEPNET). A Tabela 9.5 apresenta os vários tipos de marcadores para os NET.
Figura 9.19 Felino, nódulo pulmonar. Histiocitose pulmonar de células de Langerhans, positividade difusa para Ecaderina
nas células histiocíticas. Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por VetMol.
Figura 9.20 Canino. Linfonodo, metástase de tumor venéreo transmissível. A. Marcação citoplasmática granular para
lisozima das células neoplásicas. B. Positividade membranosa para CD45RA das células neoplásicas. C. Positividade para
MHC II das células neoplásicas. Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por
VetMol.
Figura 9.21 Canino, tumor de mama. A. Positividade membranosa nas células neoplásicas para Ecaderina. B.
Positividade nuclear nas células neoplásicas para receptor de progesterona. C. Positividade citoplasmática nas células
neoplásicas para ciclooxigenase 2. Imunohistoquímica, polímero, DAB, contracoloração hematoxilina. Imagem cedida por
VetMol.
Considerações finais
Nos últimos anos, o uso da técnica de imunohistoquímica cresceu bastante na rotina diagnóstica oncológica veterinária.
Devese lembrar que esta é uma técnica viável, que é feita no mesmo material que foi utilizado para o diagnóstico
histopatológico da neoplasia (o mesmo bloco de parafina) e que auxilia no diagnóstico morfológico, na determinação de
fatores prognósticos e preditivos, importantes na tomada de decisão da conduta com o paciente oncológico.
Tabela 9.5 Vários tipos de tumor neuroendócrino e seus marcadores imunohistoquímicos.
Tipos Sítio primário Hormônio predominantemente
envolvido
MarcadoresIHQ
Carcinoide Estômago, intestinodelgadogrosso,
pâncreas
Serotonina CK (+), marcadoresprimários,
serotonina +
Gastrinoma Duodeno,pâncreas Gastrina Gastrina(+),polipeptídiopancreático
(±)
Insulinoma Pâncreas Insulina Insulina(+),50%multi-hormonal
(polipeptídiopancreático,gastrina,
glucagon, somatostatina, ACTH)
VIPoma Pâncreas Peptídiointestinalvasoativo Peptídiointestinalvasoativo(+)
Glucagonoma Pâncreas Glucagon Glucagon (+),polipeptídio
pancreático(±), insulina(±)
Somatostatinoma Pâncreas,duodeno Somatostatina Somatostatina +,polipeptídio
pancreático ±,gastrina(±), ACTH (±),
calcitonina(±)
ACTHoma Adrenal,pâncreas ACTH ACTH (+)
GRFoma Pâncreas, hipotálamo GRF GRF(+)
ACTH = hormônioadrenocorticotró쬡co; GRF = fatordeliberaçãodo hormôniodecrescimento.
Referências bibliográficas
1.
2.
3.
4.
5.
6.
7.
8.
9.
10.
11.
No comments:
Post a Comment
اكتب تعليق حول الموضوع