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11/21/25

 


N Europa, ao falarmos sobre paradigmas, ternos de usar

11 plurnl porque há duas abordagens teóricas bem diferenciadas:

1 111111·xi:;La a dos Novos Movimentos Sociais. Cada urna delas

11 H11hdivid em urna série de correntes teóricas explicativas. A

1 11 11x1Hl.11 · •nLra-se no estudo dos processos históricos globais,

1111 1•01il,rnclic;o s xistentes e nas lutas entre as diferentes clasrn•1111H. AH cnL gorias básicas construídas por seus analistas

111 1'1111 t'H Ho ·ini:;, contradic;oes, lutas, experiencias, conscien-

Apresentar;éío 15

1 111, conflitos, interesses de classes, reprodU<;ao da forga de tral1nl ho, Estado etc. As nogoes e conceitos desenvolvidos sao: expe­

' H ncia coletiva, campo de forgas, organiza�;ao popular, projeto

polilico, cultura política, contradigoes urbanas, movimentos so1•111is urbanos, meios coletivos de consumo etc. O paradigma dos

Novos Movimentos Sociais parte de explica<;oes mais conjuntu1·11 ÍH, localizadas em ambito político OU dos microprocessos da

vid cotidiana, fazendo recortes na realidade para observar a

poi fLica dos novos atores sociais. As categorias básicas deste

p11 radigma sao: cultura, identidade, autonomia, subjetividade,

11Lores sociais, cotidiano, representagoes, interagao política etc.

( >H conceitos e nogoes analíticas criados sao: identidade coletivn, representagoes coletivas, micropolítica do poder, política de

I' rupos sociais, solidariedade, redes sociais, impactos das intern<;oes políticas etc.

Nos anos 80 o paradigma norte-americano desenvolveu um

intenso debate com urna das correntes européias - a dos Novos

Movimentos Sociais -, o que levou a alteragoes nas duas aborda1wns. O resultado foi a criagao de urna nova corrente teórica envolvendo americanos e europeus, que passou a predominar na

/\ mérica e na qual a grande enfase está no processo político das

rnobilizagoes e nas bases culturais que lhes dao sustentagao

(c•m vez da enfase nas bases económicas, característica da abordagem norte-americana entre os anos 70 e parte dos 80). Estruturu das oportunidades políticas foi a categoria-chave desenvolvida.

O paradigma latino-americano concentrou-se, em sua quaH ' totalidade, nos estudos sobre os movimentos sociais libertários

ou emancipatórios (índios, negros, mulheres, minorias em geral); nas lutas populares urbanas por bens e equipamentos

·oletivos, ou espago para moradia urbana (nas associagoes de

moradores e nas comunidades de base da Igreja), e nas lutas

pela terra, na área rural. As teorias que orientaram a produgao

u respeito foram as dos paradigmas europeus, tendo predominancia nos anos 70 a vertente marxista e nos anos 80 a abordagem dos Novos Movimentos Sociais. Os estudos baseados nas

L orias marxistas destacaram certas categorias: hegemonia, conLradigoes urbanas e lutas sociais. Os estudos que aplicaram o

paradigma dos Novos Movimentos Sociais :as categorias da au-

16 Teorias dos movimentos sociais

tonomia e da identidade tiveram maior destaque. Mas houve

certa releitura daquelas teorias, resultando também na criac;ao

de outras categorias de análise tais como: novos sujeitos históricos, campo de forc;a popular, cidadania coletiva, espoliac;ao urbana, exclusao social, descentralizac;ao, espontaneidade, redes

de solidariedade, setor terciário privado e público etc.

As novas categorias esboc;am, delineiam e ao mesmo tempo

podem ser o suporte para a elaborac;ao de um paradigma próprio e específico para a América Latina, ainda a ser construído

em sua plenitude, mas que está presente no debate incipiente

que se observa nas entrelinhas dos trabalhos e congressos academicos. Este debate tem suscitado vários dilemas. Um deles se

refere a enfase na estrutura (dada pelos marxistas em relac;ao

as classes sociais) versus a enfase no ator social (dada pelos

europeus dos Novos Movimentos Sociais). Este debate já ocorreu na segunda metade dos anos 80 entre americanos e europeus, resultando em outro dilema: qual o objetivo e o significado básico dos movimentos - construir estratégias (americanos)

ou identidades (europeus)? Nos anos 90 os americanos abandonaram o dilema e construíram outro eixo paradigmático: a estrutura das oportunidades políticas, responsável pelo surgimento

dos vários ciclos de movimentos sociais, em diferentes contextos

e lugares históricos.

Na América Latina a controvérsia se deu quanto a opc;ao

paradigmática, colocando de um lado estruturalistas e de outro

interacionistas. Os primeiros postulavam ser necessário antes

mapear as condic;oes estruturais, causas, conseqüencias e iníluencias dos movimentos, a partir de urna análise que enfocasse

s desigualdades sociais, as discriminac;oes, a repressao e a explorac;ao, dando-se atenc;ao também as ideologias, frustrac;oes,

qu ixas, reclamac;oes e demandas, assim como as possibilidades

d' conscientizac;ao e organizac;ao dos grupos e movimentos. Este

t. i po d análise enfatizava o potencial de transformac;ao dos movim nLos sociais. Os segundos enfatizavam os conflitos políticos,

HH 'Hlr l gias de mobilizac;ao, as relac;oes de poder, o papel das

licl1 r-Hn�as, as alianc;as, a func;ao das ac;oes estratégicas etc.

1 lc1¡.;l.arnva-s a capacidade dos movimentos de construir identidacl11H pol11.i 'HH por meio de processos discursivos e postulava-se a

Apresentar;ao 17

1111possibilidade de entender as ac;oes políticas como deduc;oes

dlrctas das estruturas económicas.

Outro dilema presente no paradigma latino-americano diz

t'oHpeito a controvérsia quanto ao terreno onde se deslocam OS

111ovimentos sociais. Uns advogam a enfase nos fatores sociopo11 Licos e outros nos político-económicos. Os primeiros se filiam a

rnrrente dos N ovos Movimentos Sociais e destacam o processo

e I<' construc;ao da identidade política dos movimentos e seu poi C111cial de resistencia (cultural). Os segundos enfatizam a quesl 110 do poder político segundo as concepc;oes do paradigma mar­

)( ÍHLa. Na América do Norte, as teorias que resultaram das dis1·11ss6es com os europeus nos anos 80 - e que levaram a reformulnc;ao da teoria da Mobilizac;ao de Recursos - também deram

pt·ioridade máxima ao processo político, em especial ao jogo de

poder entre a sociedade civil e as estruturas governamentais,

1·1 Hultando deste jogo as estruturas das oportunidades políticas,

11 Herem abordadas no capítulo III.

Situar os problemas gerados pela globalizac;ao da economia

1111 discussao do paradigma latino-americano e dos movimentos

11ociais no Brasil se faz necessário em virtude das conseqüen1•1ns que tem acarretado no cenário da.organizac;ao da populac;ao

c•rn geral. O estímulo que as políticas económicas neoliberais

L1•m dado ao setor informal da economia levou ao surgimento de

c•xtensas redes produtivas comunitárias nos países latino-amer•icanos, onde a mao-de-obra é farta mas tem alto custo social

(quando utilizada na economía formal). A economia informal

provoca a reduc;ao deste custo por vários fatores, destacando-se

" quase completa eliminac;ao dos custos sociais. Ela opera com

11 m grande conjunto de trabalhadores que nao tem seus direitos

Hociais respeitados. Opera ainda com trabalhadores nao-sindi­

('alizados, por isso está livre das press6es sindicais. Mas este

Hotor terciário, tao contraditório, tem tido também grande preH •nc;a de ONGs - Organizac;oes Nao-Governamentais. Elas deH nvolvem projetos com as populac;oes demandatárias de bens

I' servic;os, organizando-as em movimentos sociais. Para entrar

1•rn operac;ao, tais projetos necessitam de verbas, qualificac;ao,

11valiac;6es para que ganhem continuidade etc. Ou seja, a ac;ao

1•oletiva de pressao e reivindicac;ao, antes presente na maioria

18 Teorías dos movimentos sociais

dos movimentos sociais latino-americanos, converteu-se nos anos

90 em ac;oes voltadas para a obtenc;ao de resultados, em projetos de parceria que envolvem diferentes setores públicos e

privados. Para complicar o cenário, a globalizac;ao e as mudanc;as na conjuntura política do Leste Europeu levaram a alterac;oes nas políticas da cooperac;ao internacional. As agendas das

instituic;oes internacionais deixaram de priorizar o desenvolvimento de projetos na América Latina - por considerarem que

a transic;ao para a democracia já se completara - e mudaram

o sentido de seus programas. Em vez de auxílios ou subsídios

económicos, passam a fornecer apenas suporte técnico para os

movimentos e as ONGs nacionais. Estes devem demandar subsídios financeiros a seus governos e, fundamentalmente, gerar

receitas próprias. N este contexto, o panorama das lutas sociais

se alterou completamente, a mobilizac;ao cotidiana e os atos de

protestos nas ruas diminuíram e a militancia decresceu. Os

movimentos e as ONGs que sobreviveram se qualificaram para

a nova conjuntura em termos de infra-estrutura e do uso de

modernos meios de comunicac;ao, como a Internet. A tecnologia

chegou aos movimentos sociais e a institucionalizac;ao de setores e áreas das demandas e lutas é urna necessidade imperiosa para a sua sobrevivencia. Toda esta discussao será apresentada na terceira parte <leste livro, onde assinalamos que

urna teoria consistente para explicar os movimentos sociais latino-americanos está ainda por se construir. O que ternos sao

esboc;os explicativos.

Destacamos ainda nesta apresentac;ao a forma como organizamos a análise das teorias. Privilegiou-se o aspecto histórico, tanto na ordem de apresentac;ao do desenrolar das diferenLes teorias como na análise das obras de alguns autores. Embora tenhamos tentado abranger a quase totalidade dos principais autores de urna dada abordagem, alguns foram destacados

apresentados mais detidamente por terem um papel emblem Lic dentro de determinada teoria. Nao é nosso objetivo fazer

11 rn •) ociologia dos autores ou um quadro teórico explicativo do

rnnjunLo de suas proposic;oes. Ao contrário: o recorte é dado

tH' l:IH L •orias e os autores nelas se inserem enquanto exemplos.

M111-1, ('In a lguns casos, acompanhar a trajetória de produc;ao de

Apresentai;iío 19

d1•I t 1·rni nado autor foi urna forma de acompanhar as mudanc;as

d11 p roblemática, na prática e no debate teórico. Assim como os

1 1 11 1virnentos, que se apresentam em ciclos e apresentam enfapa rticulares a cada momento histór ico, as categorías criatl1111 para sua análise e os conceitos produzidos também sao

tl11L11d.os historicamente. Outro aspecto que nos levou a destacar

tl111111s autores foi a própria busca de diferenciac;ao nas expli1 11 ·o s teóricas dentro de um mesmo paradigma. Assim, a lite­

' 11 I 11 ra americana se refere muitas vezes ao paradigma dos N ovos

Movimentos Sociais como um todo. Ocorre que entre Touraine,

Mt· lucci e Offe (para citar apenas os autores mais conhecidos

d11qu le paradigma) existem grandes diferenc;as teórico-metotlolog icas. Só a análise individualizada permite destacá-las.

c·1·oscente-se a isto o fato de grande parte da literatura utili1,11da nao ter sido traduzida para o portugues e ser de difícil

i1t•n¡,.¡so no Brasil dado seu custo, falta de divulgac;ao ou de domí1110 de idiomas estrangeiros pelos estudantes. Este livro tem

l 11 m bém grande preocupac;ao em ser um vefculo didático para

e l.udantes universitários e interessados na temática dos movi111onLos sociais em geral. Por isso está repleto de referencias

l1 1hliográficas. Sempre procuramos explicitar a posic;ao de urna

1 e11 1 ria ou autor por meio do destaque de seus principais argu1 1 1t1nLos, das críticas existentes, do debate gerado e, finalmente,

c l11 nossa posic;ao a respeito. Consideramos que <levemos infor11111r o leitor de forma que este tenha acesso a argumentos e

t't 1 1' rencias bibliográficas qlie lhe possibilitem construir sua

pnípria opiniao.

Nos anos 90 os movimentos sociais tem sido diagnosticados

por alguns autores como estando em declínio, em crise, como

1

11•rLencentes ao passado etc. Mas se consultarmos o mercado

1t<'1tdemico editorial veremos que nunca houve tantas publica­

·cws como agora. O que se passa? Um deslocamento entre a

l 11oria e a prática? O diagnóstico de crise estava equivocado? A

p roduc;ao atual é apenas memória de ex-militantes sobre temprn; passados? Os movimentos estao se transformando em novos

l 11 1 1omenos e os analistas continuam a ve-los como movimentos?

c hamos que estas indagac;oes contem, em si mesmas, parte

c l 11H respostas. Os movimentos sociais sao fenómenos históricos

20 Teorias dos movimentos sociais

decorrentes de lutas sociais. Colocam atores específicos sob as

luzes da ribalta em períodos determinados. Com as mudarn;as

estruturais e conjunturais da sociedade civil e política, eles se

transformam. Como numa galáxia espacial, sao estrelas que se

acendem enquanto outras esta.o se apagando, depois de brilhar

por muito tempo. Sao objetos de estudo permanente. Enquanto

a humanidade nao resolver seus problemas básicos de desigualdades sociais, opressao e exclusa.o, haverá lutas, haverá movimentos. E deverá haver teorias para explicá-los: esta é a nossa

principal tarefa e responsabilidade, como intelectuais e cidadaos

engajados na luta por transformac;oes sociais em direc;ao a urna

sociedade mais justa e livre.

Finalmente, o último ponto decisivo para que este livro se

tornasse realidade. Ele era um projeto acalentado desde 1985,

quando desenvolvemos urna pesquisa na Faculdade de Arquitetura da Universidade de Sao Paulo e a apresentamos como tese

de livre-docencia em 1987 naquela mesma universidade. Na ocasiao chegamos a produzir alguns papers introdutórios a respeito (alguns deles foram incorporados ao capítulo V do livro Movimentos sociais e lutas pela moradia, Gohn, Loyola, 1991). Mas

foi somente em 1996, a partir de um programa de estudos e pesquisa como Visiting Scholar na N ew School for Social Research,

em Nova York, com o apoio do CNPq - para o qual manifesto

meu agradecimento -, que

.

pudemos ter condic;oes de acesso a

material bibliográfico e de tempo físico para realizar todas as

leituras e análises necessárias. Contei neste trabalho com a

gentil colaborac;ao do Prof. Andrew Arato, do Departamento de

Sociologia da Graduate Faculty of Political and Social Science,

da N ew School, a quem expresso minha gratidao. Agradec;o

também a UNICAMP por me ter concedido o afastamento para

m us estudos no exterior; e a Edic;oes Loyola pelo imprescindível apoio editorial que tem me propiciado desde 1992.

0 PARADIGMA

NORTE-AMERICANO


--- · �- -�-

CAPÍTULO 1

1

AS TEORIAS CLÁSSllCAS

SOBRE AS A<;ÓES COLETIVAS

A abordagem clássica sobre os movimentos sociais nas cien­

' 11� HOciais norte-americanas está associada ao próprio desen1 1lvirnento inicial da sociología naquele país. Embora ela tenha

1tll t'!lpassado suas fronteiras, e seus autores nao sejam de nacio1111l i dade exclusivamente americana, foi nos Estados Unidos que

1·111 rnais se desenvolveu, tendo hegemonía neste país por vár ias

r l1•1·11das e de lá se espalhando para outros países. A importancia

111 H u estudo nos días atuais tem dois motivos: como memória

lt1Ht.órica das primeiras teorías dos movimentos sociais e a¡;6es

1 ol<•Livas; e como busca das referencias e matrizes teóricas de

v1 1t' ios conceitos que esta.o sendo retomados nos anos 90 pelo própt'io paradigma norte-americano.

Existe certo consenso em considerar o período da abordagem

1 l 11Hsica como aquele que predominou até os anos 60 deste sé­

' 1!10. Ela nao foi homogenea, houve diferentes enfases, o que nos

lnvn a considerar cinco grandes linhas, e su.as características

rnrnuns sao: o núcleo articulador das análises é a teoría da a¡;ao

· ocial, e a busca de compreensao dos comportamentos coletivos

1 n la a meta principal. Estes comportamentos, por sua vez,

,.1·11m analisados segundo um enfoque sociopsicológico. A enfase

'"' a¡;ao institucion.al, contraposta a nao-institucional, também

111·a urna preocupa¡;ao prioritária e um denominador que dividía

11H dois tipos básicos de a¡;ao: a do comportamento coletivo insti23

24 O paradigma norte-americano

tucional e a do nao- institucional. A ac;ao nao-institucional era

definida como aquela nao guiada por n� existentes

mas formada pelo encontro de situac;oes indefinidas ou desestruturadas, entendidas como quebras da ordem vigente. Estes

processos ocorreriam antes que os órgaos de controle social, ou

de integrac;ao normativa adequada, atuassem; restaurando a or7

dem antiga ou criando urna nova, que absorveria os reclamos

contidos nas agitac;oes coletivas. Durante todo o processo o que

se observava eram tens6es, descontentamentos, frustrac;oes e

agress6es dos indivíduos que participavam das ac;oes coletivas

(v. Cohen/Arato, 1992: 495).

Os autores clássicos analisavam os movimentos em termos

de ciclos evolutivos em que seu surgimento, crescimento e propagac;ao ocorriam por intermédio de um processo de comunicac;ao

que abrangia contatos, rumores, reac;oes circulares, difusa.o das

idéias etc. fAs insatisfac;oes que geravam as reivindicac;oes eram

vistas comb respostas as rápidas mudanc;as sociais e a desorganizaQao social subseqüente. A adesao aos movimentos seriam respostas cegas e irracionais de indivíduos desorientados pelo processo de mudanc;a que a sociedade industrial gerava. Nessas abordagens dava-se, portanto, grande importancia a reac;ao psicológica

dos indivíduos diante das mudanc;as, reac;ao considerada como

comportamento nao-racional ou irracional.

Assim, os comportamentos coletivos eram considerados pela

abordagem tradicional norte-americana como fruto de tens6es

sociais. A idéia da anomia social estava sempre muito presente,

assim como explicac;oes centradas nas reac;oes psicológicas as

frustrac;oes e aos medos, e nos mecanismos d

'

e qúebra da ordem

social vigente. Estes elementos, aliados as ideologías homogeneizadoras, eram precondic;oes importantes para a emergencia

dos movimentos sociais. O sistema político era visto como urna

sociedade aberta a todos, plural, permeável. Mas os movimentos

sociais nao teriam a capacidade de influenciar aquele sistema

clevido a suas características espontaneas e explosivas. Som nLc os partido,s políticos, os grupos de interesses e alguns líderes

t.criam tal capacidade. Cohen e Arato destacam que a abordagem

rll1HHica trabalhava com urna concepc;ao de democracia elitista

11 plurulisLa m que se observam: eleic;oes livres, competic;ao e

As teorías clássicas sobre as afoes coletivas 25

p11 rLicipac;ao ativa de minor ias por meio de partidos e grupos d

111L resses. Toda ac;ao coletiva extra-institucional, motivada por

fi wLes crenc;as ideológicas, parecia ser an�idemocr ática. e amea1,'lldora para o consenso que deveria existir na sociedade civil.

Podemos dividir em cinco grandes corren tes teóricas i;_ abord 11gem clássica sobre a ac;ao coletiva,, e ern tres delas os movi1 11 ' ntos sociais sao especificados. E�bora apoiada em vários

t 1HLudos anteriores, sabemos das dificuldades que toda classifi­

<'nc;ao envolve. Buscamos apenas sistematizar a produc;ao antel'ior. Observamos que nas primeiras fases do período clássico

1 1orte-americano encontramos vários trabalhos sobre as "ac;oes

1·oletivas": Zald ( 1988), Tilly ( 1983), Tarrow ( 1994), entre out t'OS. Mas eles nao se referem aquelas ac;oes em termos de "movimentos sociais". Assim, as cinco grandes correntes que lista1·1•mos a seguir foram agrupadas por nós; a tres delas chamamos teorias dos movimentos sociais; as outras duas, ac;oes colet 1vas, porque seus formuladores, originalmente, assim as caract.e rizaram. Elas sao:

1 - A Escola de Chicago e alguns interacionistas simbólicos do início <leste século. Como um dos produtos desta

corrente ternos a primeira teoría sobre os movimentos

sociais, no trabalho de Herbert Blumer ( 1949).

2 - A segunda corrente desenvolveu-se ao longo dos anos

40 e 50, com as teorias sobre a sociedade de massas de

Eric .Fromm ( 1941), Hoffer ( 195 1) -- também militante

de movimento social - e K. Kornhauser ( 1959). Este

último exerceu forte influencia sobre algumas produc;oes posteriores; ele caracterizava os movimentos como

formas irracionais de comportamento e os considerava

antimodernos.

3 - A terceira corrente predominou nos anos 50 com um

forte acento em variáveis políticas e está presente nos

trabalhos de S. Lipset ( 1950) e Heberle ( 195 1). Ela articulava as classes e relac;oes soc:iais de produc;ao na

busca do entendimento tanto dos movimentos revolucionários como da mobilizac;ao partidária, do comportam nto <l iante do voto e do poder político dos diferentes g ru-

26 O paradigma norte-americano

pos e classes sociais. Ela gerou a segunda grande teoría

específica sobre os movimentos sociais, expressa nos

trabalhos de Heberle.

4 - A quarta corrente foi urna combinac;;ao das teorías da

Escola de Chicago com a teoría da ac;;ao social de Parsons

e se fez presente nos trabalhos de Goffman (1959),

I

Turner e Killian ( 1957), N. Smelser ( 1962) e David

Aberle ( 1966). Eles analisaram desde formas elementares de comportamento coletivo até a construc;;ao das

ac;;oes coletivas em grande escala, retomando o approach

( psicossocial e deixando de lado os vínculos entre as

estruturas e a política, tao caros a corrente anterio�A

terceira grande teoría sobre os movimentos sociais na

abordagem dos clássicos decorre desta corrente, nos

trabalhos de Smelser.

5 - A quinta e última corrente da abordagem clássica, denominada organizacional-institucional, está representada pelos trabalhos de Gusfield ( 1955) e Selzinick

( 1952). Teve grande influencia nas teorías que substituíram o paradigma clássico, mas nao gerou, em sua

época, nenhuma teoría específica sobre os movimentos

sociais. Nos anos 90 foi retomada por alguns pesquisadores dos movimentos sociais, entre eles o próprio

Gusfield.

Observa-se que o recorte feito entre as diferentes correntes

nao é temporal, pois as teorías coexistiram no tempo, mas foi

construído segundo as enfases principais. A seguir passamos a

caracterizar as diferentes teorías.

1 - A Escola de Chicago e os interacionistas:

movimentos sociais como rea�oes psicológicas

as estruturas de priva�oes socioeconómicas

Resgatar a produc;;ao teórica existente sobre os movimmtos

HO •in iA passa, necessariamente, por um momento fundamental

d11 ·onHti tuiGaO da sociología como disciplina de investigac;;ao

<' 1111 Llli ·n: a Escola americana de Chicago. Sabemos que a Es-

As teorias clássicas sobre as a{:oes coletivas 27

l'Ola de Chicago durante quarenta anos ( 1910-1950) teve grande

111 portancia na valorizac;ao da sociologia como campo autónomo

d11 i nvestigac;ao. Fundada em 1892 por W. l. Thomas, a Escola

d1 Chicago gerou grande produc;ao no campo das relac;oes soci11 iH, dando origem a chamada tradic;ao do interacionalismo. Esta

p t"Oduc;ao emergiu num contexto histórico marcado por. grandes

1 ni nsformac;oes sociais, impulsionado pela idéia de progresso. A

11;14cola tinha urna orientac;ao reformista: promover a reforma

1wcial de urna sociedade convulsiona.da em direc;ao ao que se

1111 Lendia como seu verdadeiro caminho, harmonioso e estável.

In°

icialmente seus teóricos principais foram W. l. Thomas

( 1 966), Robert Park ( 1952) e George H. Mead (décadas de 30 e

1 0). Outros representantes importantes foram Everett C. Hughes

( 1 958) e Herbert Blumer ( 1939). A partir do desenvolvimento

du psicologia social surgiram vários outros teóricos, alguns dos

q uais continuaram a ter importancia após 1950, como Erving

( loffman ( 1959), Kurt Lang ( 1961) e Ralph Turner ( 1969).

O nexo fundamental que nos leva a um interesse pela Es1·ola de Chicago como urna das matrizes de produc;ao teórica

1 1xplicativa sobre os movimentos sociais é dado pela concepc;ao

d' mudanc;a social e pelo interesse particular de seus mestres

p<' los temas do "desenvolvimento de comunidade" e pelos procesos de participac;ao e educac;ao "para o povo". A participac;ao dos

l ndivíduos na comunidade teria um sentido integracionista, ou

H!'.ja, por meio daquela participac;ao, e utilizando-se de alguns me­

·n nismos educativos, acreditava-se que era possível ordenar os

p rocessos sociais. A sociología deveria buscar formular leis científi ·as para descobrir como a mudanc;a social ocorria. Deveriam ser

11Lil izados estudos comparativos e investigac;oes sobre as condi­

·o 'S particulares ocorridas onde se desenvolviam processos interncionistas, destacando-se aquelas relacionadas coro a,_particip_a­

<;1 o criativa dos indivíduos. O elemento da criatividade, visto

l'orno inerente aos indivíduos, era um dos pressupostos básicos

dn Escola. lsto implicava unir estudos institucionais (decorrentes

do método comparativo) e estudos psicossociais (decorrentes das

11nal ises sobre as atitudes humanas, comportamentos e reac;oes).

/\ i nierac;ao entre o indivíduo e a socie1qade era o enfoque básico.

28 O paradigma norte-americano

'.

A mudarn,;a social p assava, portanto, pela perspectiva da

reforma social. A sociologia enquanto ciencia forneceria o conhecimento. Como a reforma era necessária p ara o progresso, concluía-se que a sociologia também era útil p ara esta reforma. Os

agentes básicos neste processo de mudarn;as eram as lideranc;;as. Isto ocorria porque o binomio indivíduo-sociedade tendia a

privilegiar, ao final do processo, o primeiro termo e, conseqüentemente, a individualizac;;ao. Para Park, a sociedade era urna questao de comunicac;;ao e esta continha a possibilidade de maior

consciencia. Portanto, a necessidade era de líderes bem formados, que estimulassem a mudanc;;a por meio de seus próprios

exemplos, da realizac;;ao de suas próprias vidas e das relac;;oes

que estabeleceriam com os outros. A transformac;;ao passava

pela cooperac;;ao voluntária, vista como resultado natural da

interac;;ao grupal.

Em suma, as lideranc;;as seriam mais exemplos demonstrativos que agentes de prováveis sublevac;;oes. Na realidade seriam

elites reformistas, detentoras de um conhecimento científico útil.

Thomas chegou a propor "o desenvolvimento de técnicos sociais

para que o conhecimento fosse traduzido em p rogramas de ac;;ao

prática_ Quando as leis, que eram muito esperadas, fossem descobertas, esses técnicos poderiam ajudar a guiar a sociedade p ara

seu ideal democrático". As lideranc;;as teriam de desempenhar o

papel de reformadores sociais até que nao fossem mais necessárias. Isto porque, em sua trajetória de atuac;;ao, deveriam criar

instituic;;oes novas.

As instituic;;oes e a educac;;ao tornariam possíveis a autodirec;;ao do povo e sua cooperac;;ao. Obser amos que estes pressupostos estiveram bastante vivos e presentes nas concepc;;oes sobre

a mudanc;;a social preconizadas pelos movimentos sociais popular s nos anos 70 e parte dos 80, que seguiram a direc;;ao d�eologia

da Libertac;;ao na Igreja Católica da América Latina.

A articipac;;ao ativa e a interac;;ao eram elementos indisp •ns" s no cotidiano do trabalho <loo/líderes. Nao se admitia

que as lideranc;;as nao fossem engajadas ou que nao falassem e

viv 'HS m as necessidades dos grupos sociais considerados men oH · vu n�ados, dentro do marco referencial evolucionista que a

As teorias clássicas sobre as ar;oes coletiuas 29

1 1 1111•(1pqao mais ampla do grupo abrangia. Náo só os atos volun1 11 loH Linham grande espai;o. Também as a¡;oes espontaneas. As

1 11 IHO!.tS deveriam descobrir por si mesmas o comportamento

1 1 11 l'l •Lo no contexto da experiencia social. O conflito também era

1 1 1 1 1Hid rado natural e inevitável, decorrente do choque entre as

1 1 1ll 11ras e as diferentes realidades. Mas ele deveria ser trabal l 111do. Por quem? Pelos líderes, é claro. Surgem entao os movi1111111 Los sociais.

'rais movimentos seriam o resultado dos conflitos gerados

1 1t1,1· 1 as multidoes. Mas este resultado deveria ser equacionado

p1•loH líderes, como focos dinamizadores de mudani;as sociais.

1 lr1 l 1deres nao seriam causas - estopins -- dos movimentos,

11111H sim agentes apaziguadores) Suas tarefas seriam desmol11l 1 �ar o conflito, dissolver o movimento. Como? Transformand11 01:1 em instituii;oes sociais por meio do equacionamento das

d1•mandas em questao.

As mudani;as sociais seriam o clímax deste processo: choq 1111 encontro de grupos resultando numa acomodai;ao em ins1 1L11 ic;oes por meio do controle obtido por líderes. Os líderes,

p11 rn ser eficientes, deveriam compreender seus seguidores, inte1 1·a r-se suficientemente ao movimento e ser educados o bastante

p111·a tanto. Ou seja, { líder era u� instrumento básico da mudn n<,;a, da acomoda<;:ao, da reforma Os problemas surgiam quando os movimentos sociais nao conseguiam ser controlados por

1 1 •u s líderes, dando origem a descaminhos na direi;ao do movi111 •nLo. A solu<;:ao seria buscar, cada vez mais,(formar lideran¡;as

1'PHponsáveis.)

Resumindo os pontos básicos da teoria da mudan<;:a social

dn Escola de Chicago, diríamos que a educa¡;ao e a cria<;:ao de

t nHLiLui<;:oes sao seus eixos básicos. Os movimentos eram vistos

rnmo a<;:oes advindas de comportamentos coletivos conflituosos.

/\ •duca<;:ao, como um processo mais infonnal, que ocorria na

p 1·{ip ria vida urbana - a cidade moderna e seu contexto de luta

¡wla sobrevivencia seria a grande escola de conflitos e crises.

( :orno na fábula: para aprender seria preciso queimar as patas

1 10 L >ntar apanhar as castanhas. A solu<;:ao de quaisquer problet n:ts estaria na criatividade.

.o O paradigma norte-ameriéano

A criatividade e o individualismo eram coerentes com o

desenvolvimento do processo, e parte dele. Estes pressupostos

tiveram grande repercussao nas políticas de desenvolvimento

comunitário do pós-guerra e estiveram na base de várias propostas de educac;ao popular na América Latina nos anos 70 e

80. Eles serao retomados nos anos 90 pelas políticas neoliberais

da economia globalizada.

Do ponto de vista metodológico, a Escola de Chicago forneceu elementos para a pesquisa sobre movimentos sociais - a

partir de dados históricos e do umentais. Entretanto, dentro

dos objetivos de nosso trabalho, foi Blumer o grande teórico a

aplicar as análises do interacionismo simbólico para o estudo

dos movimentos sociais Alguns autores o consideram o pioneiro

na análise dos movimentos sociais. Dada a importancia de seu

trabalho, sua originalidade quando surgiu e se desenvolveu (anos

20 e década de 30), devido a sua importancia e contribuic;ao

para as décadas seguintes e em razao da retomada de seus

trabalhos nos anos 90, iremos nos deter de forma mais prolongada em suas formulac;oes sobre os movimentos sociais.

1.1 - Blumer - o grande teórico dos movimentos

sociais na abordagem clássica do

paradigma norte-americano

Blumer definiu os movimentos sociais comc{empreendimentos coletivos para estabelecer urna nova ordem de vida� Eles

surgem de urna situac;ao de inquietac;ao social, derivando suas

ac;oes dos seguintes pontos: insatisfac;ao com a vida atual, desejo e esperanc;a de novos sistemas e programas de vida. Esta

teoria, denominada das carencias sociais, será retomada nos

a nos 80 e 90, após intenso debate entre os pesquisadores do

assunto. Também Habermas retomou a tese central de Blumer

ao retratar a importancia dos movimentos sociais como possív is criadores de urna nova ordem social.

Para Blumer, "no início um movimento social é amorfo, orgn n izado pobremente, e indefinido; o comportamento coletivo é

pri rn i Livo e os mecanismos de interac;ao sao elementares. Com

o (,(•rnpo os movimentos se desenvolvem e adquirem as caracte-

As teorias clássicas sobre as a{:oes coletiuas 31

1 1 1 it•ns de urna sociedade: organizac;ao, forma, corpo de costu1 111 t• Lradic;oes, liderarn;as, divisao de trabalho duradoura, va111 1 1• (' regras sociais - em resumo, cultura, organizac;ao e um

1 1 1 1v1 1 'squema de vida" (Blumer, 1951: 199). Observa-se que o

l 1 11 in io comunidade-sociedade está presente nesta formulac;ao:

11 11iovimentos sociais seriam urna certa transic;ao entre estas

il 1 1 11 formas de organizac;ao social.

·

Os movimentos foram divididos por Blumer em tres catego1 1 11 genéricos, específicos e expressivos. Os primeiros incluíam

11 1 11ovimentos operário, dos jovens, das mulheres e pela paz.

l 11 v1•mos recordar que ele produziu essas formulac;6es nos anos

'I ) dt•ste século. Portanto, naquela época, tais movimentos já

l 1 1 d1nm algum destaque. O background da primeira categoría

il1 1r1ovimentos seria constituído por mudanc;as graduais e per1 1 11H ivas nos valores das pessoas, os quais poderiam ser deno111111 11dos tendencias culturais. Isto porque cada tendencia cull 111·1 11 Lem, atrás de si, um desejo de mudanc;a que está na cal 1n�·n das pessoas, em suas idéias, particularmente em relac;ao

,. 1·oncepc;ao que tem de si próprias, de seus direitos e privi11•1: 101-1, o que pode levá-las a desenvolver novas crenc;as e pontos

d1 vista ou a ampliar os já existentes, numa emergencia de

1 1 1 1vns escalas de valores a influenciar a forma como as pes1111H passam a olhar para si próprias. Maiores preocupac;oes

1 1 1 1 n a saúde, com a educac;ao, com a emancipac;ao da mulher, o

1111n •nto do cuidado com as crianc;as e o prestígio da ciencia,

!11d111-1 sao citados por Blumer como resultados do processo aci111 1 d scrito.

E:m resumo, os movimentos sociais seriam o resultado de

11111d· nc;as que operariam num ambito individual, e no plano

p 1rnl6gico. Tais mudanc;as provocariam as motivac;oes para o

11 rvi mento dos movimentos sociais genéricos, classificados na

p1 irn •ira categoría já assinalada. O processo de criac;ao e de1 1 11volvimento das motivac;oes, apesar de vir do exterior -

p111· H r de ordem cultural -, assenta-se em bases interiores,

111 div iduais. As novas concepc;oes dos indivíduos a respeito

d1•l1•H próprios chocar-se-iam com suas reais posic;oes na vida,

111q·1 1 ndo insatisfac;ao, disposic;ao e interesse pela busca de novas

rl l l'P<;O �s.

32 O paradigma norte-americano

Urna das características mais importantes dos movimentos

genéricos é o fato de serem indicadores de direc;ao. Quando surgem, seriam desorganizados e teriam objetivos vagos. A emancipac;ao da mulher, por exemplo, é citada como urna dessas bandeiras vagas, restrita a universos delimitados: na família, no casamento, na educac;ao, na indústria, na política. Ou seja, a enfase é no enquadramento dos movimentos nas instituic;oes sociais existentes. Eles teriam caráter episódico e poucas manifestac;oes. Seus líderes teriam papel importante nao tanto no controle sobre os movimentos sociais, mas no sentido de serem

portadores de novas vozes, pioneiros, muitas vezes até sem seguidores ou objetivos muito claros. Mas eles teriam o papel de

servir como exemplos e quebrar resistencias.

A segunda categoria de movimentos sociais, os específicos,

constituiriam formas desenvolvidas dos anteriores, os genéricos.

Eles representam a cristalizac;ao das motivac;oes de descontentamento, esperanc;as e desejos despertados pelos movimentos

genéricos. Blumer cita como exemplo o movimento antiescravagista, despertado pelo movimento humanitarista do século

XIX. Ao contrário dos genéricos, os específicos se caracterizariam

por ter metas e objetivos bem definidos, organizac;ao e estrutura

desenvolvidas, constituindo-se como urna sociedade. Eles possuiriam lideranc;as bem conhecidas - e reconhecidas - e seus

membros teriam consciencia do "nós". Além disso deteriam um

corpo de tradic;oes, valores, filosofias e regras.

Movimentos reformistas e revolucionários sao listados como

típicos dessa categoria. Eles tem urna trajetória evolutiva em

que o autor identifica alguns estágios: inquietac;ao individual,

inquietac;ao popular, formalizac;ao e institucionalizac;ao. No primeiro estágio o "agitador" - lideranc;a que internalizou a necessidade da mudanc;a - desempenha um papel fundamental. No

segundo estágio tomam forma os objetivos, no terceiro organizam-se as táticas, regras, políticas e disciplinas. O último estágio seria a cristalizac;ao da organizac;ao, estabelecida com personalidade definida e estrutura para desenvolver os propósitos do

movimento. O líder torna-se aqui um administrador.

A grande preocupac;ao de Blumer era entender os mecanismos e significados por meio dos quais os movimentos tornam-se

As teorias clássicas sobre as m;iíes coletivas 33

11 plos para crescer e se organizar. Ele identifica cinco mecanismos

11 ste processo, a saber: a agitac;ao, o desenvolvimento de um esprit

ti<' corps, de urna moral, a formac;ao de urna ideología e, finalmenl.1 -, o desenvolvimento de operac;oes táticas.

A agitac;ao é considerada de vital importancia, particularmente

nos estágios iniciais do movimento. Ela contribuí para o desenvolvi1 nento de novos impulsos e de novos desejos nas pessoas. Para que

n agitac;ao seja bem-sucedida ela deve despertaie e ganhar a atenc;ao

das pessoas, seduzi-las em seus sentimentos e impulsos, dando-lhes

d irec;ao por meio de idéias, sugestoes, críticas e promessas. Os tipos

<le agitadores e seus comportamentos também sao considerados por

Blumer. É importante destacar que ele nao atiribui urna conotac;ao

11 gativa ao agitador. Ao contrário, ele o ve como um dinamizador

ele mudanc;as. Este registro torna-se necessário porque algumas

t.corias do funcionalismo norte-americano utilizaram formulac;oes

de Blumer mas atribuíram conotac;oes negativas aos agitadores.

O desenvolvimento do espirit de corps é importante para criar

11 ma atmosfera de cooperac;ao entre os indivíduos de um moviinento social e para reforc;ar as novas concep1;6es de auto-leitura

de si próprios, concepc;oes geradas pelo proces:so de aprendizagem

1 1dquirido por meio da participac;ao nos movimentos. Trata-se do

i;entimento de pertenc;a, de identificac;ao com o outro e consigo

pi;-óprio, criando urna idéia do coletivo. O resultado deste procesHO gera fidelidade e solidariedade ao grupo e vigor e entusiasmo

para com o movimento. O espirit de corps pode se formar por tres

vias: nas relac;oes grupo a grupo de urna mesma categoria - esLudantes, por exemplo; nos relacionamentos iinformais desenvolvidos em associac;oes, por meio do compartilhar de experiencias

comuns; e por intermédio de cerimónias formais em que se cristal izam certos comportamentos. Reunioes, manifestac;oes, cerimoniais comemorativos, desfiles etc. sao citados como exemplos. Blumer

destacou, já nos anos 30, a importancia para os movimentos do

desenvolvimento de símbolos, como canc;oes, slogans, poemas, hinos,

gestos, indumentárias etc. Os estudiosos contemporaneos tem

chamado a este processo "a mística" dos movimentos sociais.

Na questao do desenvolvimento de urna moral, Blumer retoma a questao dos mitos, dos símbolos, da criac;áo de ídolos e heróis,

34 O paradigma norte-americano

personagens carismáticos, e o culto a certos textos tidos como sagrados, como O capital, no marxismo; Men Kampf, no nazismo etc.

A ideologia tem papel essencial na permanencia e desenvolvimento

do movimento. Ela se compoe de um corpo de doutrinas, crern;as

e mitos e é elaborada pelos intelectuais dos movimentos.

Quanto as táticas, elas envolvem tres linhas: adesao, manutenc;ao (dos adeptos), e construc;ao de objetivos. Elas irao depender

da natureza da situac;ao na qual o movimento está operando.

Blumer conclui que os cinco mecanismos considerados acima sao responsáveis pelo sucesso ou nao de um movimento.

Os movimentos específicos sao divididos por Blumer em duas

categorias: reformistas e revolucionários. As principais diferenc;as entre eles sao: o escopo e o alvo de seus objetivos, os procedimentos e as táticas. Como pontos em comum ternos seus ciclos

de vida e os cinco mecanismos que impulsionam seu desenvolvimento, tratados anteriormente.

Em relac;ao aos objetivos, os reformistas buscam mudanc;as

em pontos específicos enquanto os revolucionários querem reconstruir inteiramente a ordem social. D aí que para os reformistas a preservac;ao de um certo código ético-moral seja importante.

Para os revolucionários isso nao importa, porque esta.o em busca

de novos esquemas e valores morais. Blumer se perde num

intricado universo explicativo sobre a respeitabilidade do movimento reformista - que aceita as instituic;oes existentes e tenta

preservá-las, ao contrário dos revolucionários, que tentam destruí-las. Os reformistas estariam sempre tentando persuadir a

opiniao pública e os revolucionários estariam em busca da conversa.o dessa opiniao.

Os movimentos específicos podem ser vistos como urna

sociedade em miniatura e como tal representam a construc;ao e

a organizac;ao de comportamentos coletivos antes amorfos e indefinidos. Em seu crescimento, desenvolvem novos valores, novas

personalidades se organizam. Eles deixam como resíduos, atrás

de si, urna estrutura institucional e um corpo de funcionários,

novos objetivos e pontos de vista, e urna nova série de autoconcepc;oes.

As teorías clássicas sobre as a�oes coletiuas 35

Finalmente, como terceira e última categoria de movimentos sociais, os expressivos, Blumer inclui os religiosos e o que

'le denomina de movimento da moda. Eles nao tem objetivo de

mudanc;a e divulgam um tipo de comportamento expressivo que,

om o passar do tempo, torna-se cristalizado e passa a ter proíundos efeitos na personalidade dos indivíduos, e no caráter da

ordem social em geral. Os movimentos da moda atuariam nas

áreas da literatura, da filosofia, das artes etc. Eles nao possuem as características assinaladas nos demais movimentos.

Podemos observar que Blumer, apesar de suas idéias conservadoras, era um arguto analista da realidade social de seu tempo,

assinalando a importancia de fenómenos que só se tornaram

bastante visíveis muitas décadas depois, como o caso da mídia

- que ele percebe nos movimentos da moda.

2 - Segunda teoria sobre os movim.entos sociais no

paradigma clássico: sociedade de massas -

Fromm, Hoffer, Kornhauser

Eríc Fromm ( 1941), Hoffer ( 1951) e Komhauser ( 1959) foram

os príncipais representantes dessa teoría, que via os comportamentos coletivos como resultado de a¡;6es advindas de participantes

desconectados das rela¡;6es em a¡;oes normais e tradicionais. Tratava-se de urna corrente mais preocupada com o comportamento

coletivo das massas, vendo-o também como fruto da anomia e das

condi¡;oes estruturais de carencias e príva<;61es. Kornhauser ( 1959)

estudou o comportamento das pessoas em termos de anomia e

aliena¡; ao. Os autores desta corrente combinaram algumas formula¡;6es feítas no final do século passado e início deste por Le Bonn

( 1895), na Fran<;a, a respeito do comportamento cego e irracional

das massas, com imagens da massifica¡;ao e dos horrores

do fascismo. Le Bon estudara os motins durante a Revolu¡;ao Francesa, concluindo que os indivíduos sao capazes tanto de atos de .

heroísmo como de barbáríe, pois em episódios em que predomina

a espontaneidade das massas há sempre violencia, o que os leva

a perder o uso da razao crítica. (Le Bon será retomado nas teorías

contemporaneas, na obra de Oberschall.) A partir da fusa.o das

duas influencias assinaladas - Le Bon e o cenário do fascismo -,

36 O paradigma norte-americano

os autores desta corrente elaboraram um diagnóstico da natureza

dos movimentos sociais nos tempos modernos. Os movimentos eram

desenhados pelo desejo de pessoas marginalizadas de escapar para

a liberdade, dentro de novas identidades e utopías conforme assinalou Tarrow (1994: 82).

A nova corrente estava mais preocupada com o totalitarismo,

com os movimentos nao-democráticos, com a alienai;ao das massas, a perda de controle e de influencia das elites culturais, e com

o desamparo das massas para encontrar tipos substanciais de

racionalidade a elaborai;ao política, numa sociedade dominada

cada vez mais por tecnologías complexas. A corrente da sociedade de massas contribuiu para a elaborai;ao da teoría de Smelser

- a ser tratada logo a seguir - e para formulai;oes de Reich

( 1970), quando este afirmou que as massas "tinham se tornado

apáticas, incapazes de discriminai;ao, biopáticas e escravas, como

resultado da supressao de sua vitalidade" (Tarrow, 1994: 82).

Nos anos 90, esta corrente tem sido retomada por antigos pesquisadores dos movimentos sociais, como Gusfield ( 1996).

Offe (1988) destacou que esta corrente, assim como a de

que trataremos a seguir, formulou teorías sobre os comportamentos políticos "nao-convencionais", denominando-os de massas ou desviantes. Argumentava-se que "as mobilizai;oes políticas nao-institucionais eram conseqüencia das perdas infligidas

pela modernizai;ao económica, política e cultural a certas parcelas da populai;ao, que reagiam ante este impacto recorrendo a

modos de atuai;ao política desviante. As perdas se referiam ao

status económico, acesso ao poder político, integra¡;ao em formas

intermediárias da organizai;ao social e reconhecimento de valores culturais tradicionais" (Offe, 1988: 200).

3 - Terceira teoria sobre os movimentos socia1s no

paradigma clássico: abordagem sociopolítica -

Lipset e Rudolf Heberle

Nos anos 50, a conjuntura política internacional da Guerra

Fria e o surgimento de movimentos com fortes conotai;oes ideológicas estruturou um cenário em que, nos países do Primeiro

As teorias clássicas sobre as ac;oes coletivas 37

M 11 ndo, a discussao básica se resumia a desarticulac;ao da socieil 11d ', desorientada pelas inovac;6es da indústria ou pelo comporl 11111 nto coletivo das massas. Para alguns autores o tema Refor11111 ou Revoluc;ao era a agenda do momento, e a compreensao

doi; movimentos sociais deveria passar pela discussao política

d 11 q uestao.

S. Lipset e R. Heberle articularam a problemática das clast •H sociais e das relac;6es sociais de produc;ao - dais marcos

f11 ndamentais do paradigma das lutas sociais em sua versao

111urxista - para a compreensao de comportamentos coletivos

do Lipa político-partidário. O comportamento dos eleitores, a mohi l izac;ao partidária e o poder político dos diferentes grupos e

f'ncc;6es foram estudados para entender .processos de mudanc;a

ocial na América Latina, no caso de Lipset, e para entender

1· •voluc;6es e conflitos entre as nac;6es, como o nazi-fascismo etc.,

no caso de Heberle. As orientac;6es desta corrente sera.o retomadas nos anos 80 por Fantasia (1988) e MacNall (1988) em

HUa ligac;ao da análise de classes a teoria dos movimentos sociais,

l' por Tarrow (1994), no que concerne a preocupac;ao em compreender o comportamento político das redes dos movimentos

sociais.

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l�ADI MAS CLÁSSICOS E CONTEMPORÁNEO

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SUMÁRIO

APRESENTA<;AO . . .................. ................. .................................................... 9

PRIMEIRA PARTE

O PARADIGMA NORTE-AMERICANO

CAPÍTULO l. AS TEORIAS CLÁSSICAS SOBRE AS A<;óES COLETIVAS ..... .... 23

1-A Escota de Chicago e os interacionistas: movimentos sociais como

rea<;oes psicológicas as estruturas de priva¡;oes socioeconómicas ..... 26

2 - Segunda teoria sobre os movimentos sociais no paradigma clássico:

sociedade de massas - Fromm, Hoffer, Kornhauser ........................ 35

3 -Terceira teoría sobre os movimentos sociais no paradigma clássico:

abordagem sociopolítica - Lipset e RudolfHeberle.......................... 36

4 - Quarta teoría sobre os movimentos sociais no paradigma clássico: o

comportamento coletivo sob a ótica do funcionalismo - Parsons,

Turner, Killian e Smelser .. ................................... ............ ...... .... ......... 39

5 - Quinta teoría sobre os movimentos sociais no paradigma clássico: as

teorías organizacionais-comportamentalistas - Selzinick, Gusfield,

Messinger ..... ...... ............ ...... .... .............. ..... ..... .. . .. . .... ...... . ...... .. .. ... ...... 4 7

CAPÍTULO 11. TEORIAS CONTEMPORÁNEAS NORTE-AMERICANAS DA

A<;AO COLETIVA E DOS MOVIMENTOS SOCIA IS .. .......... ..... 49

1-Teoria da Mobiliza<;ao de Recursos: Olson, Zald e McCarthy ............ 49

2 - Principais críticas a teoría da Mobiliza<;ao de Recursos.................... 55

3 -A preocupa<;ao com as causas das mobiliza<;oes: Anthony Oberschall 61

4 -A abordagem histórica no paradigma norte-americano: Charles Ti.lly

- as seqüencias históricas e a análise dos recursos comunais ......... 64

CAPÍTULO 111. TEORIAS SOBRE MOVIMENTOS SOCIAIS NA ERA DA

GLOBALIZA<;AO: A MOBILIZA<;AO POLÍTICA - MP ......... . 69

1- Reformula<;ao da teoria da Mobiliza<;ao de Recursos e a busca de

novos caminhos: a enfase no l?rocesso político, a redescoberta da

cultura e da psicología social............................................................... 69

:l O d bale da MR com o paradigma europeJpeu dos Novos Movimentos

i;ociais na construc;ao da MP ..................... ............................................... 79

:J l•'ramcs de ac;oes coletivas: o conceito recrilcriado ................................... 87

� iclos de protesto e as estruturas de oporJ)ortunidades políticas -

Sidney Tarrow ............................................ ............................................... 92

5 - Debates, críticas e po!emicas a teoria da Na MP ..................................... 107

SEGUNDA PARTBTE

OS PARADIGMAS EUROPEUS SOBRE OSOS MOVIMENTOS SOCIAIS

CAPiTULO IV. O PARADIGMA DOS NOVOS Mrn\OVIMENTOS SOCIAIS ........ 121

1 - Características gerais ...... .................................. ....................................... 121

2 -As matrizes teóricas dos Novos Moviment�ntos Sociais: Weber, Marx,

Habermas, Foucault, Guattari, Goffman . n ........................................... 132

:J -A corren te francesa: Alain Tuuraine e o aci acionalismo dos atores

coletivos ............................................................... ...................................... 142

� -A corren te italiana: Alberto Melucci e a enf§nfase na identidade coletiva 153

5 -A corren te alema: Claus Offe e a abordageigem neomarxista ............... 163

APiTULO V. O PARADIGMA MARXISTA NA ANJ.NÁLISE DOS MOVIMENTOS

SOCIA IS..................................................................................... 1 71

a racterísticas gerais: as abordagens cláslássicas e a neomarxista ..... 171

2 Os fundamentos dos clássicos .................................................................. 176

:1 Análises contemporaneas neomarxistas do dos movimentos sociais ... .. 189

� As abordagens históricas contemporaneas!as na abordagem marxista 201

TERCEJRA PARTE rE

O PARADIGMA LATINO-AMlMERICANO

( APiTULO VI. CARACTERÍSTICAS E ESPECIFICIDA)ADES DOS MOVIMENTOS

LATINO-AMERICANOS ................ ........................................... 211

'J'1·11i Lória dos estudos anteriores: as teoriorias da modernizac;ao, da

11111rginalidade e da dependencia naAmériérica Latina ........................ 212

� 111 p<\Lt'S s sobre o porque do uso dos parad·adigmas europeus

1111H pt'Rquisas sobre os movimentos sociaisais .............. .......................... 214

:1 l1]11L11doH HObr os movimentos sociais naAmé1nérica Latina depois de 1970 218

1 () q1111 11m paradigma teórico latino-americaicano sobre os movimentos

111wl11IH d1•vo con1.1iderar em termos de categ@gorias históricas ................ 224

C l\Plllll O VII. UM/\ PROPOSTA TEÓRICO-METOC)DOLóGICA PARA A

/\NALISE. DOS MOVIMENTOS SOCPCIAIS NA AMÉRICA LATINA 241

l 'i111111111l11•1Hi<1 los l oricamente: o desenhoho de um objeto de estudo. 242

1111111 p111ponl11 11H1Lodológica para a análisei:se dos movimentos sociais:

• 11111111111111111•111111101·!1111 biísicas ................ ...... . .... ............................. ........ 255

3 - Principais categorias téóricas .......................... ................................... 263

11 - Fases de um movimento social ........................... .................... .. ... .. ...... 266

5 - Formas de expressao dos movimentos sociais: categorias e tipos . .... 267

AriTULO VIII. MOVIMENTOS SOCIAIS NO BRASIL NA ERA DA

PARTICIPA�AO: 1978-1989 ............................................... 273

1 - Primeiras abordagens nos anos 70 e 80 no Brasil: breve

historiografia dos estudos sobre os movimentos sociais ................... .' 273

2 - Principais categorias teóricas utilizadas na produc;;ao brasileira a

partir dos anos 70 ................................................................................ 281

3 - O cenário das !utas e suas interpretac;;éies analíticas: a década de 80 . 285

APÍTULO IX. MOVIMENTOS SOCIAIS E ONGs NO BRASIL NA ERA DA

GLOBALIZA�AO .. ... ........................................................... . 295

1 - O modelo de desenvolvimento brasileiro nos anos 90 ........................ 295

2 - O cenário das !utas e movimentos sociais nos anos 90:

novas práticas civis ......................................... .. .................. ......... .. .. .. .. 304

3 - Principais mudanc;;as acorridas nos movimentos sociais brasileiros

a partir da crise de mobilizac;;ao .......................................................... 320

CONSIDERA�ÓES FINAIS ............................................................................ 327

1- Conceito de movimento social na bibliografia geral das ciencias sociais 327

2 -A globalizac;;ao e a reconstruc;;ao dos paradigmas .. ............................. 338

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................... ................................................ 345

ANEXO. MAPEAMENTO DO CENÁRIO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS NO

BRASIL - 1972-1997 ..................................................................... 379

1º ciclo - Lutas pela redemocratizac;;ao do país e acesso a servic;;os

públicos: 1972-1984 ................................................................. 379

2º ciclo - Institucionalizac;;ao de movimentos: 1H85-1989 ..................... 381

3º ciclo - Emergencia de novos atores e desmobilizac;;ao dos movimentos

populares urbanos. Crescimento dos rnovimentos populares

rurais: 1990-1997 ..................................................................... 382


APRESENTA<:AO

Após mais de duas décadas de estudos e pesquisas sobre a

L mática/problemática dos movimentos sociais, elaboramos este

1 ivro com quatro objetivos básicos. Primeiro: sistematizar as principais teorias e os paradigmas correspondentes sobre os movimentos sociais na produc;ao das ciencias sociais contemporanea.

egundo: realizar um estudo comparativo entre estas teorias apreHentando suas diferenc;as, semelhanc;as e o debate que elas tem

desenvolvido entre si. Terceiro: caracterizar as linhas gerais do

paradigma explicativo que tem sido utilizado para o estudo dos

movimentos sociais na América Latina, apresentando algumas

i nadequac;oes no uso das teorias correntes, a partir da caracterizac;ao dos cenários sociopolíticos e económicos das lutas sociais

l atino-americanas. Quarto: delinear algumas tendencias que estao sendo construídas ao redor da temática/problemática dos movimentos sociais no Brasil a partir de transfonnac;6es ocasionadas

pela globalizac;ao da economía, da política (e dos Estados-nac;6es)

e das relac;6es socioculturais em geral.

Várias foram as motivac;oes e raz6es para a realizac;ao deste

livro. Inicialmente destacamos a quase completa ausencia de

textos na literatura brasileira que tenharn se dedicado ao estudo das teorías a respeito dos movimentos sociais. Com a excec;ao de alguns artigos - que trataram certas quest6es teóricas

nao como objetivo ou objeto principal, mas como referencia a

matriz paradigmática que informavam suas análises -, a maioria dos trabalhos tem omitido a questao teórica. Os trabalhos

9

10 Teorias dos mouimentos sociais

publ icados tem se dedicado a estudos de casos, abordando movimcntos de ambito local, regional ou nacional; uns poucos se

dedicaram a estudos comparativos; outros mapearam o universo das lutas, movimentos e organizac;oes em determinado período de tempo na história; a maioria entretanto adotou recortes

delimitados do tipo: relac;ao com a igreja, com os partidos políticos, com o Estado etc.

Em síntese, a produc;ao brasileira sobre os movimentos

sociais nas últimas duas décadas caracterizou-se por tres pontos. Primeiro - urna grande vitalidade de estudos de natureza

mais empírico-descritiva, centrados nas falas dos agentes. Embora pouco analíticos eles conferiram as ciencias sociais no Brasil

grande dinamismo e renovac;ao. Segundo - urna certa divisao

dos estudos nas áreas académicas e a localizac;ao da maioria

deles nos programas de pós-graduac;ao no país. Assim, a antropología estudou os movimentos indígenas; a política, a sociol ogia urbana e o planejamento urbano pesquisaram sobre os

movimentos sociais populares; o direito e a arquitetura acompanharam as questoes ligadas a terra e a moradia etc. Terceiro

- a utilizac;ao teórica do paradigma europeu, em suas várias

v rtentes, para a análise dos dados da realidade. O resultado,

por um lado, foi a utilizac;ao acritíca de teorias elaboradas no

exterior para a análise dos movimentos sociais no Brasil, e na

Am rica Latina, muitas vezes incorporando categorías que se

opo m no debate teórico; por outro lado, o quase completo silencio sobre o paradigma norte-americano, assim como o seu deba1 1 ·om os europeus, nos anos 80. Destaque-se ainda a ínfima

imporL ncia dada neste debate a produc;ao e a própria existenria dos movimentos na América Latina e no chamado "Terceiro

M 11 ndo".

/\ parLir dos anos 60, em várias regioes academicas do mundo m·id 111Lal, o estudo dos movimentos sociais ganhou espac;o,

d1-i111dnd(I status de objeto científico de análise e mereceu vá1 i111 111ori11H. 'rudo isto ocorreu porque, em parte, os movimentos

1:111d111rn111 viHibilidade na própria sociedade, enquanto fenóme1111 h i t 01·icoH ·oncrcLos. De outra parte houve o desenvolvimento

d1 l 1•1111 1 ohn• o Hocial, e as teorías sobre as ac;oes coletivas

1111d111111111 11ovoH pnLamares, em universos mais amplos, cons-

Apresenta<;ao 11

l l'll i ndo urna nova teoria sobre a sociedade civil. A este resp i Lo

M11l ucci ( 1996) observa: "Nos últimos trinta anos a análise dos

111ovimentos sociais desenvolveu-se dentro de um setor autóno1110 da formai;ao e pesquisa teórica dentro das ciencias sociais,

1 o aumento e a qualidade do trabalho na área tem sido favore1· 1c l os. Nao incidentalmente a autonomia relativa ao campo con1•PiLual desenvolveu-se paralelamente ao aumento da autonorn ia de formas nao-institucionais de a¡;ao coletiva em sistemas

rnmplexos. A área dos movimentos sociais é agora um setor ou

1wbsistema do social" ( 1996: 3).

Simultaneamente, o Estado, objeto central de investiga¡;ao

d grande parcela de cientistas sociais, passou, no plano da real idade concreta, a ser deslegitimado, criticado, e com a globali­

�nGao perdeu sua importancia como regulador de fronteiras nac icmais, controles sociais etc. Ocorreu um deslocamento de inte1' •sse para a sociedade civil, e nesta os movimentos sociais foram

wi ai;oes sociais por excelencia.

Entretanto, apesar do interesse dos cientistas sociais, e da

ocorrencia de ciclos efetivos de boom de diferentes movimentos

HOciais, cinco grandes questoes permaneceram na produi;ao acadcmica, como lacunas ou como problemas nao resolvidos, embora tenham estado presentes na literatura e alimentado grande

parte do debate a seu respeito. Elas sao: l. O próprio coriceito de

rnovimento social: afinal, o que sao esses movimentos? 2. O que

os qualificam como novos? 3. O que os distinguem de outras ai;oes

coletivas ou de algumas organiza¡;6es sociais como as ONGs? 4.

que ocorre de fato quando urna ai;ao coletiva expressa num

movimento social se institucionaliza? 5. Qual o papel dos movimentos sociais neste final de século? Sabemos que para alguns

analistas eles sao fenómenos-chave para o século que se aproxima. Para outros eles fariam parte do passado, urna problemática superada e equacionada por meio da institucionalizai;ao

das práticas sociais. Seriam portanto um tema do passado e

nao mais do presente ou da agenda do futuro; outros argumenLam que eles nao teriam realizado o papel que lhes atribuíram,

de transformadores das relai;oes sociais, de agentes do processo

de mudani;as sociais. E, entre o futuro e o passado, como eles

se situam de fato no presente?

12 Teorias dos movimentos sociais

Vários analistas tem afirmado que a teoriza9ao sobre os

m ovimentos sociais é a parte mais difícil, na qual se encontram

as grandes !acunas na produ9ao académica. Por que? Porque,

concordando com Melucci, eles sao "parte da realidade social na

qual as rela96es sociais ainda nao esta.o cristalizadas em estruturas, onde a a9ao é a portadora imediata da tessitura relacional

da sociedade e do seu sentido" (Melucci, 1994: 190). Ou seja, os

movimentos transitam, fluem e acontecem em espa9os nao-consolidados das estruturas e organiza96es sociais. Na maioria das

vezes eles esta.o questionando estas estruturas e propondo novas formas de organiza9ao a sociedade política. Por isso eles sao

inovadores - como já nos indicava Habermas nos anos 70 - e

sao lumes indicadores da mudan9a social. Citando ainda Melucci,

"eles sao urna lente por intermédio da qual problemas mais

gerais podem ser abordados, e estudá-los significa questionar a

teoria social e tratar questoes epistemológicas tais como: o que

a a9ao social? (Melucci, 1994: 190).

Este livro contém tres partes. A primeira aborda o paradigma norte-americano sobre as a96es e os movimentos sociais e

t m tres capítulos. O capítulo 1 trata das teorías clássicas americanas sobre a a9ao coletiva; o segundo é sobre a teoría da Mobil iza9ao de Recursos (MR) e o terceiro sobre as teorías de Mobiliza9ao Política (MP) contemporanea. A segunda parte aborda a

produ9ao teórica européia e abrange o capítulo IV, sobre a teoria dos Novos Movimentos Sociais (NMS) e o capítulo V, sobre

m; teorias marxistas de análise dos movimentos. A terceira parte

el •t r-se-á na análise do paradigma latino-americano. Ela se comp<) 1 de quatro capítulos, o sexto analisa a realidade latino-amel'ica na do ponto de vista da produ9ao de estudos sobre os movirnontos de suas diferen9as históricas; o sétimo explicita a nossa

p1·0¡>0Ala teórico-metodológica de análise sobre os movimentos

O('ÍllÍH; 1 o oitavo trata específicamente dos movimentos sociais

1 111 HrnHil na era da participa9ao (1978-1990). O capítulo IX abord 1 o l\1·11 Hil nos anos 90 e as tendencias atuais dos movimentos

rn·11tiH nn 1ra da globaliza9ao. Esta última temática será reto1 1 111d11 1111H ·onsid ra96es finais do livro.

l\11 11liH111· ni; p r digmas a respeito dos movimentos sociais

1 11 1 pl1n1 uhol'<lnr pt"liminarmente duas difíceis questoes: o pró-

Apresentai;iio 13

pl'io conceito de movimento social e as teorias a seu respeito.

' m1nto a primeira, poucos autores se dedicaram a definir ou a

c•on ituar o que entendem por movimentos sociais. Acrescente-

' a esta lacuna a profusa.o de tipos e espécies de movimentos

o ·iais que tem sido tratados da mesma forma, além da naodil' renciac;:ao entre movimentos propriamente ditas, lutas, pro1 oHLos, revoltas, revoluc;:oes, quebra-quebras, insurreic;:oes e ou1 r11 • formas de ac;:oes coletivas. Em relac;:ao a segunda questao,

1 111 várias teorias dos movimentos sociais, e cada urna tem tido

111n entendimento sobre o que eles sao e a que tipo de manifes1.uc; o social se referem. Para alguns trata-se de fenómenos empfricos, para outros sao objetos analíticos, teóricos. Neste livro

llllscamos explicitar as teorias, destacando os conceitos e ca1.ogorias utilizados. Desde lago afirmamos que nao há um conrni Lo sobre movimento social mas vários, conforme o paradigma

til, il izado.

Para nós um paradigma é um conjunto explicativo em que

Pncontramos teorias, conceitos e categorias, de forma que podernos dizer que o paradigma X constrói uma interpretac;:ao Y

Hobre determinado fenómeno ou processo da realidade social.

l1�1;La explicac;:ao deve diferir da de outros paradigmas. T. Kuhn

( 1 62), físico responsável pela difusa.o mundial do termo, afirrnou que na ciencia um paradigma surge toda vez que é difícil

e1n volver novas dados em velhas teorias.

Certamente o leitor já terá se perguntado sobre os critérios

d subdivisao dos paradigmas apresentados acima para a organizac;:ao deste livro. O uso de um critério geográfico-espacial foi

11m recurso pedagógico utilizado nao para definir o paradigma

m si mas apenas para localizá-lo diferencialmente, enquanto

·or:rente teórico-metodológica composta por teorias formuladas

H partir de realidades específicas. A América do Norte, a Europa

11 a América Latina possuem contextos históricos específicos, e

l u Las e movimentos sociais corresponden tes a eles. Este é o dado

importante que aglutinará as explicac;:oes. Os pesquisadores de

t·uda um destes blocas adotaram posturas metodológicas para

r alizar as análises de suas realidades nacionais, locais ou region- is. Na Europa e na América do Norte estas posturas geraram

t. •arias próprias. Na América Latina as posturas metodológicas

1'1 Teorias dos movimentos sociais

foram híbridas, geraram muitas informac;oes, mas o conhecimento produzido foi orientado basicamente pelas teorias criadas em outros contextos, diferentes de suas realidades nacionais, como o caso a ser analisado da teoría européia dos Novos

Movimentos Sociais.

Com o decorrer do tempo, o intercambio entre pesquisadores de diferentes países fez com que a produc;ao sobre as teorias

se alterasse. Ela foi se internacionalizando em func;ao da globalizac;ao da economía e das tendencias gerais dos processos sociais

nos anos 90. Vários analistas passaram a estudar múltiplas realidades nacionais e a recorrer a análise comparativa para entender as diferenc;as e semelhanc;as entre os processos. Urna das

tarefas enfrentadas foi a de separar o que sao tendencias gerais

e o que sao especificidades das realidades nacionais, impregnadas por hábitos culturais.

Estamos enfatizando as diferenc;as nos contextos históricos

para explicar os critérios adotados aquí quanto a nomeac;ao dos

paradigmas. Certamente, cada um dos paradigmas possui categorias de análise diferenciadas que constroem universos explicativos próprios. Assim, o paradigma norte-americano possui, em

uas diferentes vers6es, explicac;oes centradas mais nas estruiuras das organizac;oes dos chamados sistemas sociopolítico e

'COnómico; as categorias básicas de suas análises sao: sistema,

o rganizac;ao, ac;ao coletiva, comportamentos organizacionais, inL grac;ao social etc. A partir dessas categorias ele desenvolveu

vários conceitos e noc;oes analíticas, tais como, privac;ao cultural,

1:; ·olhas racionais, mobilizac;ao de recursos, institucionalizac;ao

do ·onílitos, ciclos de protestos, micromobilizac;oes, frames, oport.11 n i da des políticas etc.

 


ABSTRACT


PURPOSE: Therapy for cancer-associated venous thromboembolism (VTE) includes long-term anticoagulation, which may have substantial impact on the health-related quality of life (HRQL) of patients. We assessed patient-reported outcomes to characterize the HRQL associated with VTE treatment and to begin to examine those HRQL elements impacting anticoagulation adherence (AA).


METHODS: Participants were adult cancer patients with confirmed symptomatic acute lower extremity deep venous thrombosis. Patients were excluded if there was an indication for anticoagulation other than VTE, ECOG performance status >3, or life expectancy < 3 months. Participants were assessed with a self-reported adherence tool. HRQL was measured with a 6-domain questionnaire using a seven-point Likert scale. Evaluations were performed at 30 days and 3 months after enrollment. For the primary objective, an overall adherence rate was calculated at each time point of evaluation. For the HRQL domains, non-parametric testing was used to compare results between subgroups.


RESULTS: Seventy-four patients were enrolled. AA and HRQL at 30 days and 3 months were assessed in 50 and 36 participants, respectively. At 30 days the AA rate was 90%, and at 3 months it was 83%. In regard to HRQL, patients suffered frequent and moderate-severe distress in the domains of emotional and physical symptoms, sleep disturbance, and limitations to physical activity. An association between emotional or physical distress and AA was observed.


CONCLUSION: Patients with VTE suffer a substantial impairment of their HRQL. Increased emotional distress correlated with better long-term AA. These results can be used to inform additional research aimed at developing novel strategies to improve AA.


PMID:37801086 | DOI:10.1007/s00520-023-08073-y

17:43

PubMed articles on: Cancer & VTE/PE

Persistent underuse of extended venous thromboembolism prophylaxis in patients undergoing major abdominal cancer operations


J Surg Oncol. 2023 Oct 6. doi: 10.1002/jso.27473. Online ahead of print.


ABSTRACT


BACKGROUND: Guidelines recommend extended venous thromboembolism (VTE) prophylaxis for high-risk populations undergoing major abdominal cancer operations. Few studies have evaluated extended VTE prophylaxis in the Medicare population who are at higher risk due to age.


METHODS: We performed a retrospective study using a 20% random sample of Medicare claims, 2012-2017. Patients ≥65 years with an abdominal cancer undergoing resection were included. Primary outcome was the proportion of patients receiving new extended VTE prophylaxis prescriptions at discharge. Secondary outcomes included postdischarge VTE and hemorrhagic events.


RESULTS: The study included 72 983 patients with a mean age of 75. Overall, 8.9% of patients received extended VTE prophylaxis. This proportion increased (7.2% in 2012, 10.6% in 2017; p < 0.001). Incidence of postdischarge hemorrhagic events was 1.0% in patients receiving extended VTE prophylaxis and 0.8% in those who did not. The incidence of postdischarge VTE events was 5.2% in patients receiving extended VTE prophylaxis and 2.4% in those who did not.


CONCLUSION: Adherence to guideline-recommended extended VTE prophylaxis in high-risk patients undergoing major abdominal cancer operations is low. The higher rate of VTE in the prophylaxis group may suggest we captured some therapeutic anticoagulation, which would mean the actual rate of thromboprophylaxis is lower than reported herein.


PMID:37800390 | DOI:10.1002/jso.27473

17:43

PubMed articles on: Cancer & VTE/PE

Two Cases of Catheter-Related Venous Thrombosis Treated with Direct Oral Anticoagulants(DOAC)


Gan To Kagaku Ryoho. 2023 Sep;50(9):993-996.


ABSTRACT


The implantation of a totally implantable central venous(CV)access port is considered a risk factor for venous thromboembolism( VTE). In the treatment of catheter-related thrombosis(CRT), both European and American guidelines recommend anticoagulation therapy with catheters in place. We experienced 2 cases of upper extremity deep vein thrombosis (UEDVT)after the implantation of CV access ports through the left subclavian vein for adjuvant chemotherapy in patients with resected breast cancer. Both patients were successfully treated with direct oral anticoagulants(DOAC) while the port remained in place with a careful follow-up that included monitoring of serum D-dimer levels. The administration of DOAC to CRT that develops in patients undergoing postoperative adjuvant chemotherapy for breast cancer may be relatively safe, with a low potential for adverse events such as bleeding.


PMID:37800295

17:43

PubMed articles on: Cancer & VTE/PE

Computer image analysis with artificial intelligence: a practical introduction to convolutional neural networks for medical professionals


Postgrad Med J. 2023 Oct 4:qgad095. doi: 10.1093/postmj/qgad095. Online ahead of print.


ABSTRACT


Artificial intelligence tools, particularly convolutional neural networks (CNNs), are transforming healthcare by enhancing predictive, diagnostic, and decision-making capabilities. This review provides an accessible and practical explanation of CNNs for clinicians and highlights their relevance in medical image analysis. CNNs have shown themselves to be exceptionally useful in computer vision, a field that enables machines to 'see' and interpret visual data. Understanding how these models work can help clinicians leverage their full potential, especially as artificial intelligence continues to evolve and integrate into healthcare. CNNs have already demonstrated their efficacy in diverse medical fields, including radiology, histopathology, and medical photography. In radiology, CNNs have been used to automate the assessment of conditions such as pneumonia, pulmonary embolism, and rectal cancer. In histopathology, CNNs have been used to assess and classify colorectal polyps, gastric epithelial tumours, as well as assist in the assessment of multiple malignancies. In medical photography, CNNs have been used to assess retinal diseases and skin conditions, and to detect gastric and colorectal polyps during endoscopic procedures. In surgical laparoscopy, they may provide intraoperative assistance to surgeons, helping interpret surgical anatomy and demonstrate safe dissection zones. The integration of CNNs into medical image analysis promises to enhance diagnostic accuracy, streamline workflow efficiency, and expand access to expert-level image analysis, contributing to the ultimate goal of delivering further improvements in patient and healthcare outcomes.


PMID:37794609 | DOI:10.1093/postmj/qgad095

17:43

PubMed articles on: Cancer & VTE/PE

Artificial intelligence in the prediction of venous thromboembolism: A systematic review and pooled analysis


Eur J Haematol. 2023 Oct 4. doi: 10.1111/ejh.14110. Online ahead of print.


ABSTRACT


BACKGROUND: Accurate diagnostic and prognostic predictions of venous thromboembolism (VTE) are crucial for VTE management. Artificial intelligence (AI) enables autonomous identification of the most predictive patterns from large complex data. Although evidence regarding its performance in VTE prediction is emerging, a comprehensive analysis of performance is lacking.


AIMS: To systematically review the performance of AI in the diagnosis and prediction of VTE and compare it to clinical risk assessment models (RAMs) or logistic regression models.


METHODS: A systematic literature search was performed using PubMed, MEDLINE, EMBASE, and Web of Science from inception to April 20, 2021. Search terms included "artificial intelligence" and "venous thromboembolism." Eligible criteria were original studies evaluating AI in the prediction of VTE in adults and reporting one of the following outcomes: sensitivity, specificity, positive predictive value, negative predictive value, or area under receiver operating curve (AUC). Risks of bias were assessed using the PROBAST tool. Unpaired t-test was performed to compare the mean AUC from AI versus conventional methods (RAMs or logistic regression models).


RESULTS: A total of 20 studies were included. Number of participants ranged from 31 to 111 888. The AI-based models included artificial neural network (six studies), support vector machines (four studies), Bayesian methods (one study), super learner ensemble (one study), genetic programming (one study), unspecified machine learning models (two studies), and multiple machine learning models (five studies). Twelve studies (60%) had both training and testing cohorts. Among 14 studies (70%) where AUCs were reported, the mean AUC for AI versus conventional methods were 0.79 (95% CI: 0.74-0.85) versus 0.61 (95% CI: 0.54-0.68), respectively (p < .001). However, the good to excellent discriminative performance of AI methods is unlikely to be replicated when used in clinical practice, because most studies had high risk of bias due to missing data handling and outcome determination.


CONCLUSION: The use of AI appears to improve the accuracy of diagnostic and prognostic prediction of VTE over conventional risk models; however, there was a high risk of bias observed across studies. Future studies should focus on transparent reporting, external validation, and clinical application of these models.


PMID:37794526 | DOI:10.1111/ejh.14110

17:43

PubMed articles on: Cancer & VTE/PE

Development and validation of a new risk assessment model for immunomodulatory drug-associated venous thrombosis among Chinese patients with multiple myeloma


Thromb J. 2023 Oct 4;21(1):105. doi: 10.1186/s12959-023-00534-y.


ABSTRACT


BACKGROUND: Individuals with multiple myeloma (MM) receiving immunomodulatory drugs (IMiDs) are at risk of developing venous thromboembolism (VTE), a serious complication. There is no established clinical model for predicting VTE in the Chinese population. We develop a new risk assessment model (RAM) for IMiD-associated VTE in Chinese MM patients.


METHODS: We retrospectively selected 1334 consecutive MM patients receiving IMiDs from 16 medical centers in China and classified them randomly into the derivation and validation cohorts. A multivariate Cox regression model was used for analysis.


RESULTS: The overall incidence of IMiD-related VTE in Chinese MM patients was 6.1%. Independent predictive factors of VTE (diabetes, ECOG performance status, erythropoietin-stimulating agent use, dexamethasone use, and VTE history or family history of thrombosis) were identified and merged to develop the RAM. The model identified approximately 30% of the patients in each cohort at high risk for VTE. The hazard ratios (HRs) were 6.08 (P < 0.001) and 6.23 (P < 0.001) for the high-risk subcohort and the low-risk subcohort, respectively, within both the derivation and validation cohorts. The RAM achieved satisfactory discrimination with a C statistic of 0.64. The stratification approach of the IMWG guidelines yielded respective HRs of 1.77 (P = 0.053) and 1.81 (P = 0.063). The stratification approach of the SAVED score resulted in HRs of 3.23 (P = 0.248) and 1.65 (P = 0.622), respectively. The IMWG guideline and the SAVED score-based method yielded C statistics of 0.58 and 0.51, respectively.


CONCLUSIONS: The new RAM outperformed the IMWG guidelines and the SAVED score and could potentially guide the VTE prophylaxis strategy for Chinese MM patients.


PMID:37794471 | PMC:PMC10552366 | DOI:10.1186/s12959-023-00534-y

C

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Cardiotoxicity News

PubMed articles on: Cardio-Oncology

Cancer and Atrial Fibrillation Comorbidities Among 25 Million Citizens in Shanghai, China: Medical Insurance Database Study


JMIR Public Health Surveill. 2023 Oct 17;9:e40149. doi: 10.2196/40149.


ABSTRACT


BACKGROUND: With population aging, the prevalence of both cancer and atrial fibrillation (AF) have increased. However, there is scarce epidemiological data concerning the comorbid state of cancer and AF in low- and middle-income countries, including China.


OBJECTIVE: We aimed to evaluate the site-, sex-, and age-specific profiles of cancer and AF comorbidities in Chinese populations.


METHODS: Data from the Shanghai Municipal Health Commission database between 2015 and 2020 were screened, covering all medical records of Shanghai residents with medical insurance. Site-specific cancer profiles were evaluated for the population with AF relative to the age- and sex-adjusted population of residents without AF. The sex distribution and peak age of cancer diagnosis were also assessed.


RESULTS: A total of 25,964,447 adult patients were screened. Among them, 22,185 patients presented cancers comorbid with AF (median 77, IQR 67-82 years of age; men: n=13,631, 61.44%), while 839,864 presented cancers without AF (median 67, IQR 57-72 years of age; men: n=419,020, 49.89%), thus yielding a higher cancer prevalence among residents with AF (8.27%) than among those without AF (6.05%; P<.001).


CONCLUSIONS: Patients with AF are associated with increased prevalence, heightened male predominance, and younger peak age of cancer. Further studies are needed to determine whether early screening of specific cancers is cost-effective and beneficial for patients with AF.


PMID:37847541 | DOI:10.2196/40149

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PubMed articles on: Cardio-Oncology

Incident Cardiovascular Disease Risk Among Older Asian, Native Hawaiian and Pacific Islander Breast Cancer Survivors


Cancer Epidemiol Biomarkers Prev. 2023 Oct 16. doi: 10.1158/1055-9965.EPI-23-0679. Online ahead of print.


ABSTRACT


BACKGROUND: Cardiotoxicity among breast cancer survivors is associated with chemotherapy and radiation therapy. The risk of cardiovascular disease (CVD) among Asian, Native Hawaiian and Pacific Islander (ANHPI) breast cancer survivors in the US is unknown.


METHODS: We used the SEER-Medicare linked database to estimate the risk of CVD among older breast cancer survivors. ICD diagnosis codes were used to identify incident CVD outcomes. Cox proportional hazards models were used to estimate hazard ratios (HR) and 95% confidence intervals (CI) comparing ANHPI to Non-Hispanic White (NHW) breast cancer patients for CVD, and among ANHPI race and ethnicity groups.


RESULTS: A total of 7,122 ANHPI breast cancer survivors and 21,365 NHW breast cancer survivors were identified. The risks of incident heart failure and ischemic heart disease were lower among ANHPI compared to NHW breast cancer survivors (HRheart failure=0.72, 95%CI=0.61, 0.84; HRheart disease=0.74, 95%CI=0.63, 0.88). Compared to Japanese breast cancer patients, Filipino, Asian Indian and Pakistani, and Native Hawaiian breast cancer survivors had higher risks of heart failure. ischemic heart disease and death. Among ANHPI breast cancer survivors, risk factors for heart failure included older age, higher comorbidity score, distant cancer stage and chemotherapy.


CONCLUSIONS: Our results support heterogeneity in CVD outcomes among breast cancer survivors among ANHPI race and ethnicity groups. Further research is needed to elucidate the disparities experienced among ANHPI cancer survivors.


IMPACT: Filipino, Asian Indian and Pakistani, and Native Hawaiian breast cancer patients had higher risks of heart failure, ischemic heart disease and death among ANHPI breast cancer patients.


PMID:37843411 | DOI:10.1158/1055-9965.EPI-23-0679

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PubMed articles on: Cardio-Oncology

High-resolution and quantitative spatial analysis reveal intra-ductal phenotypic and functional diversification in pancreatic cancer


J Pathol. 2023 Oct 16. doi: 10.1002/path.6212. Online ahead of print.


ABSTRACT


A 'classical' and a 'basal-like' subtype of pancreatic cancer have been reported, with differential expression of GATA6 and different dosages of mutant KRAS. We established in situ detection of KRAS point mutations and mRNA panels for the consensus subtypes aiming to project these findings to paraffin-embedded clinical tumour samples for spatial quantitative analysis. We unveiled that, next to inter-patient and intra-patient inter-ductal heterogeneity, intraductal spatial phenotypes exist with anti-correlating expression levels of GATA6 and KRASG12D . The basal-like mRNA panel better captured the basal-like cell states than widely used protein markers. The panels corroborated the co-existence of the classical and basal-like cell states in a single tumour duct with functional diversification, i.e. proliferation and epithelial-to-mesenchymal transition respectively. Mutant KRASG12D detection ascertained an epithelial origin of vimentin-positive cells in the tumour. Uneven spatial distribution of cancer-associated fibroblasts could recreate similar intra-organoid diversification. This extensive heterogeneity with functional cooperation of plastic tumour cells poses extra challenges to therapeutic approaches. © 2023 The Authors. The Journal of Pathology published by John Wiley & Sons Ltd on behalf of The Pathological Society of Great Britain and Ireland.


PMID:37842959 | DOI:10.1002/path.6212

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PubMed articles on: Cardio-Oncology

Evolving cardiac biomarkers for immune checkpoint inhibitor related myocarditis in cancer patients


Int J Cardiol Heart Vasc. 2023 Oct 8;49:101278. doi: 10.1016/j.ijcha.2023.101278. eCollection 2023 Dec.


NO ABSTRACT


PMID:37842144 | PMC:PMC10570005 | DOI:10.1016/j.ijcha.2023.101278

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Welcome to the Rising Stars in Cardio-oncology Special Focus Issue


Future Cardiol. 2023 Oct 18. doi: 10.2217/fca-2022-0111. Online ahead of print.


NO ABSTRACT


PMID:37850469 | DOI:10.2217/fca-2022-0111

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Complications in patients with transfusion dependent thalassemia: A descriptive cross-sectional study


Health Sci Rep. 2023 Oct 11;6(10):e1624. doi: 10.1002/hsr2.1624. eCollection 2023 Oct.


ABSTRACT


BACKGROUND AND AIMS: One of the most common hemoglobinopathies globally related to blood transfusion and iron overload in the body is thalassemia syndrome. Increasing ferritin levels can cause severe damage to the patient's body organs. This study aims to evaluate the complications of iron overload on vital body organs in patients with transfusion-dependent beta-thalassemia.


METHODS: This descriptive cross-sectional study was performed in Iran University of Medical Sciences Hospitals on patients with a beta-thalassemia major with frequent blood transfusions. To evaluate the effect of iron overload on vital body organs, hematologic and blood analysis, echocardiography with measurement of pulmonary artery pressure (PAP) and ejection fraction (EF) tests, bone densitometry, and audiometric tests were performed for all patients.


RESULTS: Of the 1010 patients participating in this study, 497 (49%) were males, 513 were (51%) females aged 5-74 years, and the majority of participants (85%) were over 20 years old. This study demonstrated that increasing ferritin levels had no notable correlation with sex, cholesterol, low-density lipoprotein, parathyroid hormone, T4, and aspartate aminotransferase. However, elevating ferritin levels had significant correlations with increasing triglyceride, phosphorus, thyroid stimulating hormone, alkaline phosphatase, alanine transaminase, and PAP levels, age, hearing disorders, splenectomy, osteoporosis, and decreasing high-density lipoprotein, body mass index, calcium, and EF levels.


CONCLUSION: Improvement in beta-thalassemia patients' survival and quality of life can be due to multidisciplinary care in a comprehensive unit through regular follow-up and early complication detection.


PMID:37841947 | PMC:PMC10568004 | DOI:10.1002/hsr2.1624

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CDK4/6 inhibitors: basics, pros, and major cons in breast cancer treatment with specific regard to cardiotoxicity - a narrative review


Ther Adv Med Oncol. 2023 Oct 11;15:17588359231205848. doi: 10.1177/17588359231205848. eCollection 2023.


ABSTRACT


Breast cancer is characterized by the uncontrolled proliferation of breast cells, with a high incidence reported in 2020 to have affected over 2 million women. In recent years, the conventional methods of treating breast cancer have involved radiotherapy and chemotherapy. However, the emergence of CDK4/6 inhibitors has shown potential as a promising cancer therapy. Cyclin-dependent kinases (CDK) inhibitors are a class of molecules that impede the formation of an active kinase complex, thereby hindering its activity and consequently halting the progression of the cell cycle. It was discovered that they have a significant impact on impeding the progression of the cancer. This is evident with the Food and Drug Administration's approval of drugs such as palbociclib, ribociclib, and abemaciclib for hormone receptor-positive metastatic breast cancer in combination with specific endocrine therapies. In spite of enormous success in breast cancer treatment, certain obstacles have emerged, such as therapy resistance, side effects, and most of all, cardiotoxicity. Some of these drawbacks have been successfully overcome by dosage reduction, different combinations of the drugs, and the assessment of each patient's condition and suitability prior to treatment. Yet other drawbacks still require tenacious research, especially certain cases of cardiotoxicities. This article delves into the biological mechanisms of CDK4/6 in the cell cycle and cancer, as well as the clinical advantages and most common adverse events (AEs) associated with CDK4/6 inhibitors. The primary objective of this review is to provide a comprehensive analysis of cardiotoxic AEs and elucidate the underlying pathophysiological mechanisms responsible for the cardiotoxicity of CDK4/6 inhibitors.


PMID:37841752 | PMC:PMC10571689 | DOI:10.1177/17588359231205848

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ATP protects anti-PD-1/radiation-induced cardiac dysfunction by inhibiting anti-PD-1 exacerbated cardiomyocyte apoptosis, and improving autophagic flux


Heliyon. 2023 Oct 5;9(10):e20660. doi: 10.1016/j.heliyon.2023.e20660. eCollection 2023 Oct.


ABSTRACT


The synergy between radiotherapy and immunotherapy in treating thoracic cancers presents a potent therapeutic advantage, yet it also carries potential risks. The extent and nature of cumulative cardiac toxicity remain uncertain, prompting the need to discern its mechanisms and devise effective mitigation strategies. Radiation alone or in combination with an anti- Programmed cell death protein1 (PD-1) antibody significantly reduced cardiac function in C57BL/6J mice, and this pathologic effect was aggravated by anti-PD-1 (anti-PD-1 + radiation). To examine the cellular mechanism that causes the detrimental effect of anti-PD-1 upon cardiac function after radiation, AC16 human cardiomyocytes were used to study cardiac apoptosis and cardiac autophagy. Radiation-induced cardiomyocyte apoptosis was significantly promoted by anti-PD-1 treatment, while anti-PD-1 combined radiation administration blocked the cardiac autophagic flux. Adenosine 5'-triphosphate (ATP) (a molecule that promotes lysosomal acidification) not only improved autophagic flux in AC16 human cardiomyocytes, but also attenuated apoptosis induced by radiation and anti-PD-1 treatment. Finally, ATP administration in vivo significantly reduced radiation-induced and anti-PD-1-exacerbated cardiac dysfunction. We demonstrated for the first time that anti-PD-1 can aggravate radiation-induced cardiac dysfunction via promoting cardiomyocyte apoptosis without affecting radiation-arrested autophagic flux. ATP enhanced cardiomyocyte autophagic flux and inhibited apoptosis, improving cardiac function in anti-PD-1/radiation combination-treated animals.


PMID:37842574 | PMC:PMC10570000 | DOI:10.1016/j.heliyon.2023.e20660

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Social disparities in cardiovascular mortality of patients with cancer in the USA between 1999 and 2019


Int J Cardiol Cardiovasc Risk Prev. 2023 Oct 3;19:200218. doi: 10.1016/j.ijcrp.2023.200218. eCollection 2023 Dec.


ABSTRACT


BACKGROUND: Temporal trends of the impact of social determinants on cardiovascular outcomes of cancer patients has not been previously studied.


OBJECTIVES: This study examined social disparities in cardiovascular mortality of people with and without cancer in the US population between 1999 and 2019.


METHODS: Primary cardiovascular deaths were identified from the Multiple Cause of Death database and grouped by cancer status. The cancer cohort was subcategorized into breast, lung, prostate, colorectal, and haematological. The number of cardiovascular deaths, crude cardiovascular mortality rate, cardiovascular age-adjusted mortality rate (AAMR), and percentage change in cardiovascular AAMR were calculated by cancer status and cancer type, and stratified by sex, race, ethnicity, and urban-rural setting.


RESULTS: 17.9 million cardiovascular deaths were analysed. Of these, 572,222 occurred in patients with a record of cancer. The cancer cohort were older and included more men and White racial groups. Regardless of cancer status, cardiovascular AAMR was higher in men, rural settings, and Black or African American races. Cardiovascular AAMR declined over time, with greater reduction in those with cancer (-51.6% vs -38.3%); the greatest reductions were in colorectal (-68.4%), prostate (-60.0%), and breast (-58.8%) cancers. Sex, race, and ethnic disparities reduced over time, with greater narrowing in the cancer cohort. There was increase in urban-rural disparities, which appeared greater in those with cancer.


CONCLUSIONS: While most social disparities narrowed over time, urban-rural disparities widened, with greater increase in those with cancer. Healthcare plans should incorporate strategies for reduction of health inequality equitable access to cardio-oncology services.


PMID:37841449 | PMC:PMC10568337 | DOI:10.1016/j.ijcrp.2023.200218

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An online home-based exercise program improves autonomic dysfunction in breast cancer survivors


Front Physiol. 2023 Sep 29;14:1256644. doi: 10.3389/fphys.2023.1256644. eCollection 2023.


ABSTRACT


Introduction: Exercise interventions for breast cancer survivors have proved their potential to improve clinical, physical, and psychosocial outcomes. However, limited studies have explored exercise effects on autonomic dysfunction and the measurement of exercise tolerance and progression through daily heart rate variability (HRV). Purpose: To analyze the effects of a 16-wk exercise intervention on the autonomic modulation of breast cancer survivors, as well as to examine the evolution of daily measured HRV and its interaction with exercise sessions in this population. Methods: A total of 29 patients who had undergone chemotherapy and radiotherapy were randomly assigned to the exercise group or to the control group. The exercise intervention was delivered remotely through online meetings and consisted of supervised training resistance and cardiovascular exercise 3 times per week. During the intervention all patients measured their HRV daily obtaining the napierian logarithm of the root mean square of successive differences between normal heartbeats (lnrMSSD) and the napierian logarithm of the standard deviation of the interbeat interval of normal sinus beats (lnSDNN) values at four moments: day 0 (the morning of the training sessions), 24, 48, and 72 h after exercise. Results: The results revealed a significant interaction between group and months during the intervention period for lnrMSSD and lnSDNN (p < 0.001). Additionally, there were significant differences in lnSDNN recovery time between months (p < 0.05), while differences in lnrMSSD become apparent only 24 h after exercise (p = 0.019). The control group experienced a significant decrease in both variables monthly (p < 0.05) while exercise group experienced a significant increment (p < 0.05). Conclusion: HRV is daily affected by exercise training sessions in cancer patients. Although results strongly support the role of exercise as a post-chemotherapy and radiotherapy rehabilitation strategy for breast cancer survivors to improve autonomic imbalance, further research is necessary to validate these initial findings.


PMID:37841312 | PMC:PMC10570414 | DOI:10.3389/fphys.2023.1256644

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Clinical outcomes of takotsubo syndrome in patients with cancer: a systematic review and meta-analysis


Front Cardiovasc Med. 2023 Sep 29;10:1244808. doi: 10.3389/fcvm.2023.1244808. eCollection 2023.


ABSTRACT


BACKGROUND: Recent studies suggested a relationship between Takotsubo syndrome (TTS) and malignancy. However, clinical outcomes of TTS associated with cancer have not been assessed completely. This study was aimed to investigate the outcomes of patients with TTS and cancer.


METHODS: We performed a systematic review and meta-analysis to evaluate the clinical outcomes of TTS in patients with and without malignancy. We systematically reviewed and analyzed 14 studies (189,210 patients) published in PubMed and Cochrane Library databases until December 2022. The primary outcome was all-cause mortality at the longest follow-up.


RESULTS: The prevalence of current or previous malignancy in patients with TTS was 8.7% (16,461 patients). Patients with TTS and malignancy demonstrated a higher risk of mortality at the longest follow-up than those with TTS alone (odds ratio [OR], 2.41; 95% confidence interval [CI]; 1.95-2.98; P < 0.001). Moreover, cancer was significantly associated with an increased risk of in-hospital or 30-day mortality (OR 2.36; 95% CI, 1.67-3.33; P < 0.001), shock (OR 1.42; 95% CI, 1.30-1.55; P < 0.001), mechanical respiratory support (OR 1.68; 95% CI, 1.59-1.77; P < 0.001), arrhythmia (OR 1.27; 95% CI, 1.21-1.34; P < 0.001), and major adverse cardiac events (OR 1.69; 95% CI, 1.18-2.442; P < 0.001).


CONCLUSIONS: This study revealed significant associations between previous or active cancer and an increased risk of all-cause mortality and in-hospital adverse events in patients with TTS.


PMID:37840966 | PMC:PMC10570743 | DOI:10.3389/fcvm.2023.1244808

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Pyothorax and Constrictive Pericarditis after Chemoradiotherapy for Esophageal Cancer: A Case Report


Intern Med. 2023 Oct 13. doi: 10.2169/internalmedicine.2502-23. Online ahead of print.


ABSTRACT


A 75-year-old man underwent chemoradiotherapy for advanced esophageal cancer. After nine years, he was hospitalized for left pyothorax. Consequently, the patient underwent drainage and window opening surgery. He experienced cardiopulmonary arrest but was resuscitated. Based on cardiac catheterization data, the patient was diagnosed with constrictive pericarditis. Unfortunately, extracorporeal circulation did not improve his condition, and he ultimately died. An autopsy revealed adhesion between the pericardium and pleura, especially the pericardium in contact with the left thoracic cavity, which was markedly thickened. This suggests that constrictive pericarditis, a latent complication of chemoradiotherapy, is aggravated by pyothorax.


PMID:37839880 | DOI:10.2169/internalmedicine.2502-23

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Association of chronic kidney disease with cardiovascular disease in cancer patients: a cross-sectional study


Cardiorenal Med. 2023 Oct 14. doi: 10.1159/000534182. Online ahead of print.


ABSTRACT


INTRODUCTION: Due to the cardiotoxicity of cancer treatment and traditional risk factors for cardiovascular disease (CVD) such as obesity, diabetes, dyslipidemia, and hypertension, cancer patients are at higher risk of developing CVD. However, limited research exists on the correlation between chronic kidney disease (CKD) and CVD risk in cancer patients.


METHODS: This cross-sectional study selected cancer patients aged ≥20 years from the National Health and Nutrition Examination Survey (NHANES) conducted from 2015 to 2020. Multivariable logistic regression was used to assess the association between CKD and CVD in cancer patients. Additionally, subgroup analyses were conducted to investigate the association among different groups of cancer patients.


RESULTS: We included 1700 adult cancer patients (52.53% were female). After multivariable adjustment for covariates including traditional CVD factors, CKD was significantly associated with CVD, with an odds ratio (95% confidence interval) and P-value of 1.61(1.18,2.19) and 0.004. Subgroup analyses after multivariable adjustment showed a significant correlation between CKD and increased CVD risk in the following populations: age ≥60 years, males, White ethnicity, and individuals with or without traditional CVD factors (obesity, diabetes, dyslipidemia, and hypertension).


CONCLUSIONS: CKD remains a significant factor in the higher risk of CVD among adult cancer patients in the United States, even after adjustment for traditional CVD risk factors. Therefore, to reduce the risk of CVD in cancer patients, it is important to treat CKD as a non-traditional risk factor for CVD and actively manage it.


PMID:37839394 | DOI:10.1159/000534182

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Health position paper and redox perspectives on reactive oxygen species as signals and targets of cardioprotection


Redox Biol. 2023 Oct 6;67:102894. doi: 10.1016/j.redox.2023.102894. Online ahead of print.


ABSTRACT


The present review summarizes the beneficial and detrimental roles of reactive oxygen species in myocardial ischemia/reperfusion injury and cardioprotection. In the first part, the continued need for cardioprotection beyond that by rapid reperfusion of acute myocardial infarction is emphasized. Then, pathomechanisms of myocardial ischemia/reperfusion to the myocardium and the coronary circulation and the different modes of cell death in myocardial infarction are characterized. Different mechanical and pharmacological interventions to protect the ischemic/reperfused myocardium in elective percutaneous coronary interventions and coronary artery bypass grafting, in acute myocardial infarction and in cardiotoxicity from cancer therapy are detailed. The second part keeps the focus on ROS providing a comprehensive overview of molecular and cellular mechanisms involved in ischemia/reperfusion injury. Starting from mitochondria as the main sources and targets of ROS in ischemic/reperfused myocardium, a complex network of cellular and extracellular processes is discussed, including relationships with Ca2+ homeostasis, thiol group redox balance, hydrogen sulfide modulation, cross-talk with NAPDH oxidases, exosomes, cytokines and growth factors. While mechanistic insights are needed to improve our current therapeutic approaches, advancements in knowledge of ROS-mediated processes indicate that detrimental facets of oxidative stress are opposed by ROS requirement for physiological and protective reactions. This inevitable contrast is likely to underlie unsuccessful clinical trials and limits the development of novel cardioprotective interventions simply based upon ROS removal.


PMID:37839355 | DOI:10.1016/j.redox.2023.102894

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Empagliflozin treatment of cardiotoxicity: A comprehensive review of clinical, immunobiological, neuroimmune, and therapeutic implications


Biomed Pharmacother. 2023 Oct 13;168:115686. doi: 10.1016/j.biopha.2023.115686. Online ahead of print.


ABSTRACT


Cancer and cardiovascular disorders are known as the two main leading causes of mortality worldwide. Cardiotoxicity is a critical and common adverse effect of cancer-related chemotherapy. Chemotherapy-induced cardiotoxicity has been associated with various cancer treatments, such as anthracyclines, immune checkpoint inhibitors, and kinase inhibitors. Different methods have been reported for the management of chemotherapy-induced cardiotoxicity. In this regard, sodium-glucose cotransporter-2 inhibitors (SGLT2i), a class of antidiabetic agents, have recently been applied to manage heart failure patients. Further, SGLT2i drugs such as EMPA exert protective cardiac and systemic effects. Moreover, it can reduce inflammation through the mediation of major inflammatory components, such as Nucleotide-binding domain-like receptor protein 3 (NLRP3) inflammasomes, Adenosine 5'-monophosphate-activated protein kinase (AMPK), and c-Jun N-terminal kinase (JNK) pathways, Signal transducer and activator of transcription (STAT), and overall decreasing transcription of proinflammatory cytokines. The clinical outcome of EMPA administration is related to improving cardiovascular risk factors, including body weight, lipid profile, blood pressure, and arterial stiffness. Intriguingly, SGLT2 suppressors can regulate microglia-driven hyperinflammation affecting neurological and cardiovascular disorders. In this review, we discuss the protective effects of EMPA in chemotherapy-induced cardiotoxicity from molecular, immunological, and neuroimmunological aspects to preclinical and clinical outcomes.


PMID:37839109 | DOI:10.1016/j.biopha.2023.115686

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In-Hospital and readmission outcomes of patients with myeloproliferative neoplasms and atrial fibrillation: insights from the National Readmissions Database


J Thromb Thrombolysis. 2023 Oct 15. doi: 10.1007/s11239-023-02900-z. Online ahead of print.


ABSTRACT


INTRODUCTION: Patients with myeloproliferative neoplasms (MPNs) and atrial fibrillation (AF) are at increased risk of thrombosis and bleeding. However, the risk of thrombosis and bleeding in patients with AF and MPN compared with the general population with AF is unclear. Additionally, traditional risk scores (CHA2DS2-VASC and HAS-BLED) for risk/benefit estimation of thromboprophylaxis in AF do not account for MPN status. Therefore, we aimed to investigate bleeding and thrombosis risk in patients with MPN hospitalized for AF.


METHODS: We utilized the National Readmission Database (NRD) to identify patients with AF with and without MPN. Primary bleeding and thrombosis outcomes were in-hospital or 30-day readmission for bleeding or thrombosis, respectively. We propensity score (PS) matched patients with and without MPN. Risk of primary outcomes in MPN was assessed in PS matched cohort using logistic regression. Receiver operating characteristic (ROC) curve used to evaluate predictive ability of CHA2DS2-VASC and HAS-BLED of primary thrombosis and bleeding outcomes, respectively.


RESULTS: 24,185 patients without MPN were matched with 1,617 patients with MPN and variables were balanced between groups. Patients with MPN were at increased risk of meeting the thrombosis (OR 1.98, 95% CI 1.23-3.21) but not bleeding (OR 0.87, 95% CI 0.63-1.19) primary outcomes. In MPN, CHA2DS2-VASC predicted thrombosis (C-statistic 0.66, 95% CI 0.54-0.78) but HAS-BLED was a poor predictor of bleeding (C-statistic 0.55, 95% CI 0.46-0.64).


CONCLUSION: In patients with AF, MPN was associated with increased risk of bleeding and thrombosis. HAS-BLED scores did not accurately predict bleeding in MPN. Further investigation is needed to refine risk scores in MPN.


PMID:37839025 | DOI:10.1007/s11239-023-02900-z

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Angiotensin IV ameliorates doxorubicin-induced cardiotoxicity by increasing glutathione peroxidase 4 and alleviating ferroptosis


Toxicol Appl Pharmacol. 2023 Oct 12:116713. doi: 10.1016/j.taap.2023.116713. Online ahead of print.


ABSTRACT


BACKGROUND: Doxorubicin (DOX)-induced cardiotoxicity is an important cause of poor prognosis in cancer patients treated with DOX. Angiotensin IV (Ang IV) has multiple protective effects against cardiovascular diseases, including diabetic cardiomyopathy and myocardial infarction, but its role in DOX-induced cardiotoxicity is currently unclear. In this study, we investigated the effects of Ang IV on DOX-induced cardiotoxicity.


METHODS: The viability of primary cardiomyocytes was measured by Cell Counting Kit-8 assays and Hoechst 33342/propidium iodide staining in vitro. ELISAs (serum cTnT and CK-MB) and echocardiography were performed to assess myocardial injury and cardiac function in vivo. Phalloidin staining, haematoxylin and eosin staining and wheat germ agglutinin staining were conducted to detect cardiomyocyte atrophy. We also performed C11 BODIPY staining, measured the levels of Ptgs2 and malondialdehyde and detected the concentrations of ferrous ions, glutathione and oxidized glutathione to indicate ferroptosis.


RESULTS: Ang IV not only attenuated DOX-induced atrophy and cardiomyocyte injury in vitro but also alleviated myocardial injury and improved cardiac function in DOX-treated mice in vivo. Moreover, Ang IV reversed DOX-induced downregulation of glutathione peroxidase 4 (GPX4) and inhibited ferroptosis both in vitro and in vivo. Knockdown of GPX4 by siRNA abolished the cardioprotective effects of Ang IV. Furthermore, Ang IV increased GPX4 levels and ameliorated ferroptosis in RAS-selective lethal 3-treated primary cardiomyocytes.


CONCLUSIONS: Ang IV ameliorates DOX-induced cardiotoxicity by upregulating GPX4 and inhibiting ferroptosis. Ang IV may be a promising candidate to protect against DOX-induced cardiotoxicity in the future.


PMID:37838222 | DOI:10.1016/j.taap.2023.116713

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Multimodal Imaging of Cancer Therapy-Related Cardiac Dysfunction in Breast Cancer-A State-of-the-Art Review


J Clin Med. 2023 Sep 29;12(19):6295. doi: 10.3390/jcm12196295.


ABSTRACT


BACKGROUND: This review focuses on multimodality imaging of cardiotoxicity in cancer patients, with the aim of evaluating the effectiveness of different techniques in detecting and monitoring cardiac changes associated with cancer therapy.


METHODS: Eight studies were included in the review, covering various imaging modalities such as cardiac magnetic resonance imaging, echocardiography, and multigated acquisition scanning.


RESULTS: Cardiac magnetic resonance imaging emerged as the most definitive modality, offering real-time detection, comprehensive assessment of cardiac function, the ability to detect early myocardial changes, and superior detection of cardiotoxicity when compared to the other imaging modalities. The studies also emphasize the importance of parameters such as left ventricular ejection fraction and global longitudinal strain in assessing cardiac function and predicting cardiotoxicity.


CONCLUSION: Due to the common use of HER2 agents and anthracyclines within the breast cancer population, the LVEF as a critical prognostic measurement for assessing heart health and estimating the severity of left-sided cardiac malfunction is a commonly used endpoint. CTRCD rates differed between imaging modalities, with cardiac MRI the most sensitive. The use of multimodal cardiac imaging remains a nuanced area, influenced by local availability, the clinical question at hand, body habits, and medical comorbidities. All of the imaging modalities listed have a role to play in current care; however, focus should be given to increasing the provision of cardiac MRI for breast cancer patients in the future to optimize the detection of CTRCD and patient outcomes thereafter.


PMID:37834939 | PMC:PMC10573256 | DOI:10.3390/jcm12196295

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Aponermin or placebo in combination with thalidomide and dexamethasone in the treatment of relapsed or refractory multiple myeloma (CPT-MM301): a randomised, double-blinded, placebo-controlled, phase 3 trial


BMC Cancer. 2023 Oct 14;23(1):980. doi: 10.1186/s12885-023-11489-8.


ABSTRACT


BACKGROUND: Aponermin, a circularly permuted tumor necrosis factor-related apoptosis-inducing ligand, is a potential death receptor 4/5-targeted antitumour candidate. Previous phase 1/2 studies have demonstrated the efficacy of aponermin in patients with relapsed or refractory multiple myeloma (RRMM). To confirm the superiority of aponermin plus thalidomide and dexamethasone (aponermin group) over placebo plus thalidomide and dexamethasone (placebo group) in RRMM, a randomized, double-blinded, placebo controlled phase 3 trial was performed.


METHODS: Four hundred seventeen patients with RRMM who had previously received at least two regimens were randomly assigned (2:1) to receive aponermin, thalidomide, and dexamethasone or placebo, thalidomide, and dexamethasone. The primary endpoint was progression-free survival (PFS). Key secondary endpoints included overall survival (OS) and overall response rate (ORR).


RESULTS: A total of 415 patients received at least one dose of trial treatment (276 vs. 139). The median PFS was 5.5 months in the aponermin group and 3.1 months in the placebo group (hazard ratio, 0.62; 95% confidence interval [CI], 0.49-0.78; P < 0.001). The median OS was 22.4 months for the aponermin group and 16.4 months for the placebo group (hazard ratio, 0.70; 95% CI, 0.55-0.89; P = 0.003). Significantly higher rates of ORR (30.4% vs. 13.7%, P < 0.001) and very good partial response or better (14.1% vs. 2.2%, P < 0.0001) were achieved in the aponermin group than in the placebo group. Treatment with aponermin caused hepatotoxicity in some patients, as indicated by the elevated alanine transaminase, aspartate transaminase, or lactate dehydrogenase levels (52.2% vs. 24.5%, 51.1% vs. 19.4% and 44.9% vs. 21.6%, respectively), mostly grade 1/2, transient and reversible. The main grade 3/4 adverse events included neutropenia, pneumonia and hyperglycemia. The incidence of serious adverse events was similar between the two groups (40.6% vs. 37.4%). There was no evidence that aponermin leads to hematological toxicity, nephrotoxicity, cardiotoxicity, or secondary tumors.


CONCLUSIONS: Aponermin plus thalidomide and dexamethasone significantly improved PFS, OS and ORR with manageable side effects in RRMM patients who had received at least two prior therapies. These results support the use of aponermin, thalidomide, and dexamethasone as a treatment option for RRMM patients.


TRIAL REGISTRATION: The trial was registered at http://www.chictr.org.cn as ChiCTR-IPR-15006024, 17/11/2014.


PMID:37838670 | PMC:PMC10576321 | DOI:10.1186/s12885-023-11489-8

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The Role of Nrf2 and Inflammation on the Dissimilar Cardiotoxicity of Doxorubicin in Two-Time Points: a Cardio-Oncology In Vivo Study Through Time


Inflammation. 2023 Oct 14. doi: 10.1007/s10753-023-01908-0. Online ahead of print.


ABSTRACT


Doxorubicin (DOX) is a topoisomerase II inhibitor used in cancer therapy. Despite its efficacy, DOX causes serious adverse effects, such as short- and long-term cardiotoxicity. This work aimed to assess the short- and long-term cardiotoxicity of DOX and the role of inflammation and antioxidant defenses on that cardiotoxicity in a mice model. Adult CD-1 male mice received a cumulative dose of 9.0 mg/kg of DOX (2 biweekly intraperitoneal injections (ip), for 3 weeks). One week (1W) or 5 months (5M) after the last DOX administration, the heart was collected. One week after DOX, a significant increase in p62, tumor necrosis factor receptor (TNFR) 2, glutathione peroxidase 1, catalase, inducible nitric oxide synthase (iNOS) cardiac expression, and a trend towards an increase in interleukin (IL)-6, TNFR1, and B-cell lymphoma 2 associated X (Bax) expression was observed. Moreover, DOX induced a decrease on nuclear factor erythroid-2 related factor 2 (Nrf2) cardiac expression. In both 1W and 5M, DOX led to a high density of infiltrating M1 macrophages, but only the 1W-DOX group had a significantly higher number of nuclear factor κB (NF-κB) p65 immunopositive cells. As late effects (5M), an increase in Nrf2, myeloperoxidase, IL-33, tumor necrosis factor-α (TNF-α), superoxide dismutase 2 (SOD2) expression, and a trend towards increased catalase expression were observed. Moreover, B-cell lymphoma 2 (Bcl-2), cyclooxygenase-2 (COX-2), and carbonylated proteins expression decreased, and a trend towards decreased p38 mitogen-activated protein kinase (MAPK) expression were seen. Our study demonstrated that DOX induces adverse outcome pathways related to inflammation and oxidative stress, although activating different time-dependent response mechanisms.


PMID:37833616 | DOI:10.1007/s10753-023-01908-0

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Influencing factors of anthracycline-induced subclinical cardiotoxicity in acute leukemia patients


BMC Cancer. 2023 Oct 13;23(1):976. doi: 10.1186/s12885-023-11060-5.


ABSTRACT


BACKGROUND: Current treatment of acute leukemia is based on anthracycline chemotherapy. Anthracyclines, despite improving patient survival, have serious cardiotoxicity and therefore cardiac monitoring should be a priority. The purpose of this study is to explore the possible early predictors of anthracycline-induced subclinical cardiotoxicity(AISC)in acute leukemia patients.


METHODS: We conducted a prospective observational study involving 51 patients with acute leukemia treated with anthracycline. Demographic data, clinical variables, echocardiography variables and biochemical variables were collected at baseline and after 3 cycles of chemotherapy. Patients were divided into the AISC and No-AISC groups according to changes of global longitudinal peak systolic strain. Regression models and receiver operating characteristic curve analysis were used to explore the relationship between the variables and AISC.


RESULT: 17 of the patients suffered subclinical cardiotoxicity after 3 cycles of anthracycline treatment. Multiple logistic regression analysis showed a significant association of DBil (OR 0.612, 95% CI 0.409-0.916, p = 0.017), TBil (OR 0.841, 95% CI 0.717-0.986, p = 0.033), PLT (OR 1.012, 95% CI 1.002-1.021, p = 0.016) and Glu (OR 1.873, 95% CI 1.009-3.475, p = 0.047) with the development of AISC. After 3 cycles of chemotherapy, there was a significant difference in PLT between the AISC and NO-AISC groups. Moreover, the dynamic changes in PLT from baseline to after 3 cycles of chemotherapy were each statistically significant in the AISC and NO-AISC groups. The combination of PLT and N-terminal pro-B-type natriuretic peptide (NT-proBNP) had the highest area under curves (AUC) for the diagnosis of AISC than PLT and NT-proBNP alone (AUC = 0.713, 95%CI: 0.56-0.87, P = 0.017).


CONCLUSION: Total bilirubin (TBil), direct bilirubin (DBil), platelets (PLT) and blood glucose (Glu) are independent influencing factors for AISC in acute leukemia patients receiving anthracycline therapy. Bilirubin may be a protective factor and PLT may be a contributing factor for AISC. The combination of baseline PLT and baseline NT-proBNP shows satisfactory predictive ability for AISC in acute leukemia cases treated with 3 cycles of chemotherapy.


PMID:37833648 | PMC:PMC10571315 | DOI:10.1186/s12885-023-11060-5

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Radiation Exposure of Cardiac Conduction Nodes During Breast Proton Therapy


Int J Part Ther. 2023 Mar 9;10(1):59-64. doi: 10.14338/IJPT-22-00038.1. eCollection 2023 Summer.


ABSTRACT


PURPOSE: The exposition of cardiac conduction system during breast radiation therapy has never been studied, despite the increasing use of intensity-modulated radiation therapy, which exposes larger volume to low-dose bath. We evaluated conduction node exposure during breast irradiation with volumetric modulated arc therapy and estimated the potential dosimetric benefit with intensity-modulated proton therapy.


MATERIALS AND METHODS: Atrioventricular (AVN) and sinoatrial (SAN) nodes were retrospectively delineated according to published guidelines on the simulation computed tomography scans of 12 breast cancer patients having undergone conserving surgery and adjuvant locoregional volumetric modulated arc therapy. Intensity-modulated proton therapy treatment was replanned on the simulation computed tomography scans for all breast cancer patients. Mean and maximum doses delivered to the SAN and the AVN were retrieved and compared. Correlation coefficients were calculated between doses to the SAN or the AVN and the whole heart.


RESULTS: Average mean doses delivered to the SAN and AVN were 2.8 and 2.3 Gy, respectively, for left-sided irradiation and 9.6 and 3.6 Gy, respectively, for right-sided irradiation. Average maximum doses to the SAN and AVN were 3.5 Gy and 2.8 Gy, respectively, for left-sided irradiation and 13.1 and 4.6 Gy, respectively, for right-sided irradiation. Intensity-modulated proton therapy significantly reduced mean and maximum doses to the SAN and AVN. Correlations between doses to the SAN or AVN and whole heart were usually significant.


CONCLUSION: SAN and AVN can be substantially exposed during breast volumetric modulated arc therapy, especially for right-sided irradiation. Cardiotoxicity studies evaluating conduction node exposure might define dose constraints and criteria for additional cardiac-sparing techniques, such as respiratory techniques or proton therapy, which could benefit patients with underlying rhythmic or conduction disorders.


PMID:37823017 | PMC:PMC10563662 | DOI:10.14338/IJPT-22-00038.1

22:14

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Cardio-Oncology Rehabilitation Programs-The Next Phase in Improving Care for Cancer Survivors


JAMA Cardiol. 2023 Oct 11. doi: 10.1001/jamacardio.2023.3568. Online ahead of print.


NO ABSTRACT


PMID:37819675 | DOI:10.1001/jamacardio.2023.3568

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Right ventricle toxicity in cancer treatment: a focused review on cardiac imaging


Future Cardiol. 2023 Oct 13. doi: 10.2217/fca-2022-0024. Online ahead of print.


ABSTRACT


Background: The right ventricle (RV) remains the 'forgotten chamber' in the clinical assessment of cancer therapy-related cardiac dysfunction (CTRCD). Aim: We aimed to review the role that various cardiac imaging modalities play in RV assessment as part of the integrative management of patients undergoing cancer therapy. Discussion: RV assessment remains challenging by traditional 2D echocardiography. In this review we discuss other parameters such as right atrial strain, and other echocardiographic modalities such as 3-dimensional and stress echocardiography. We also elaborate on the specific role that cardiac magnetic resonance imaging and equilibrium radionuclide angiocardiography can play in assessing the RV. Conclusion: Biventricular function should be monitored following chemotherapy for early detection of subclinical CTRCD and possible solitary RV changes.


PMID:37830360 | DOI:10.2217/fca-2022-0024

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MRI-derived extracellular volume as a biomarker of cancer therapy cardiotoxicity: systematic review and meta-analysis


Eur Radiol. 2023 Oct 12. doi: 10.1007/s00330-023-10260-8. Online ahead of print.


ABSTRACT


OBJECTIVES: MRI-derived extracellular volume (ECV) allows characterization of myocardial changes before the onset of overt pathology, which may be caused by cancer therapy cardiotoxicity. Our purpose was to review studies exploring the role of MRI-derived ECV as an early cardiotoxicity biomarker to guide timely intervention.


MATERIALS AND METHODS: In April 2022, we performed a systematic search on EMBASE and PubMed for articles on MRI-derived ECV as a biomarker of cancer therapy cardiotoxicity. Two blinded researchers screened the retrieved articles, including those reporting ECV values at least 3 months from cardiotoxic treatment. Data extraction was performed for each article, including clinical and technical data, and ECV values. Pooled ECV was calculated using the random effects model and compared among different treatment regimens and among those who did or did not experience overt cardiac dysfunction. Meta-regression analyses were conducted to appraise which clinical or technical variables yielded a significant impact on ECV.


RESULTS: Overall, 19 studies were included. Study populations ranged from 9 to 236 patients, for a total of 1123 individuals, with an average age ranging from 12.5 to 74 years. Most studies included patients with breast or esophageal cancer, treated with anthracyclines and chest radiotherapy. Pooled ECV was 28.44% (95% confidence interval, CI, 26.85-30.03%) among subjects who had undergone cardiotoxic cancer therapy, versus 25.23% (95%CI 23.31-27.14%) among those who had not (p = .003).


CONCLUSION: A higher ECV in patients who underwent cardiotoxic treatment could imply subclinical changes in the myocardium, present even before overt cardiac pathology is detectable.


CLINICAL RELEVANCE STATEMENT: The ability to detect subclinical changes in the myocardium displayed by ECV suggests its use as an early biomarker of cancer therapy-related cardiotoxicity.


KEY POINTS: • Cardiotoxicity is a common adverse effect of cancer therapy; therefore, its prompt detection could improve patient outcomes. • Pooled MRI-derived myocardial extracellular volume was higher in patients who underwent cardiotoxic cancer therapy than in those who did not (28.44% versus 25.23%, p = .003). • MRI-derived myocardial extracellular volume represents a potential early biomarker of cancer therapy cardiotoxicity.


PMID:37823922 | DOI:10.1007/s00330-023-10260-8

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Cardio-Oncology Rehabilitation for Cancer Survivors With High Cardiovascular Risk: A Randomized Clinical Trial


JAMA Cardiol. 2023 Oct 11:e233558. doi: 10.1001/jamacardio.2023.3558. Online ahead of print.


ABSTRACT


IMPORTANCE: Cardiovascular disease is a leading cause of morbidity in cancer survivors, which makes strategies aimed at mitigating cardiovascular risk a subject of major contemporary importance.


OBJECTIVE: To assess whether a center-based cardiac rehabilitation (CBCR) framework compared with usual care encompassing community-based exercise training (CBET) is superior for cardiorespiratory fitness improvement and cardiovascular risk factor control among cancer survivors with high cardiovascular risk.


DESIGN, SETTING, AND PARTICIPANTS: This prospective, single-center, randomized clinical trial (CORE trial) included adult cancer survivors who had exposure to cardiotoxic cancer treatment and/or previous cardiovascular disease. Enrollment took place from March 1, 2021, to March 31, 2022. End points were assessed at baseline and after the 8-week intervention.


INTERVENTIONS: Participants were randomly assigned in a 1:1 ratio to 8 weeks of CBCR or CBET. The combined aerobic and resistance exercise sessions were performed twice a week.


MAIN OUTCOMES AND MEASURES: The powered primary efficacy measure was change in peak oxygen consumption (V̇o2) at 2 months. Secondary outcomes included handgrip maximal strength, functional performance, blood pressure (BP), body composition, body mass index (BMI; calculated as weight in kilograms divided by height in meters squared), lipid profile, plasma biomarker levels, physical activity (PA) levels, psychological distress, quality of life (QOL), and health literacy.


RESULTS: A total of 75 participants completed the study (mean [SD] age, 53.6 [12.3] years; 58 [77.3%] female), with 38 in the CBCR group and 37 in the CBET group. Participants in CBCR achieved a greater mean (SD) increase in peak V̇o2 than those in CBET (2.1 [2.8] mL/kg/min vs 0.8 [2.5] mL/kg/min), with a between-group mean difference of 1.3 mL/kg/min (95% CI, 0.1-2.6 mL/kg/min; P = .03). Compared with the CBET group, the CBCR group also attained a greater mean (SD) reduction in systolic BP (-12.3 [11.8] mm Hg vs -1.9 [12.9] mm Hg; P < .001), diastolic BP (-5.0 [5.7] mm Hg vs -0.5 [7.0] mm Hg; P = .003), and BMI (-1.2 [0.9] vs 0.2 [0.7]; P < .001) and greater mean (SD) improvements in PA levels (1035.2 [735.7] metabolic equivalents [METs]/min/wk vs 34.1 [424.4] METs/min/wk; P < .001), QOL (14.0 [10.0] points vs 0.4 [12.9] points; P < .001), and health literacy scores (2.7 [1.6] points vs 0.1 [1.4] points; P < .001). Exercise adherence was significantly higher in the CBCR group than in the CBET group (mean [SD] sessions completed, 90.3% [11.8%] vs 68.4% [22.1%]; P < .001).


CONCLUSION AND RELEVANCE: The CORE trial showed that a cardio-oncology rehabilitation model among cancer survivors with high cardiovascular risk was associated with greater improvements in peak V̇o2 compared with usual care encompassing an exercise intervention in a community setting. The CBCR also showed superior results in exercise adherence, cardiovascular risk factor control, QOL, and health literacy.


TRIAL REGISTRATION: ClinicalTrials.gov Identifier: NCT05132998.


PMID:37819656 | PMC:PMC10568446 | DOI:10.1001/jamacardio.2023.3558

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Tailored to a Woman's Heart: Gender Cardio-Oncology Across the Lifespan


Curr Cardiol Rep. 2023 Oct 11. doi: 10.1007/s11886-023-01967-7. Online ahead of print.


ABSTRACT


PURPOSE OF REVIEW: Females outnumber males among long-term cancer survivors, primarily as a result of the prevalence of breast cancer. Late cardiovascular effects of cancer develop over several decades, which for many women, may overlap with reproductive and lifecycle events. Thus, women require longitudinal cardio-oncology care that anticipates and responds to their evolving cardiovascular risk.


RECENT FINDINGS: Women may experience greater cardiotoxicity from cancer treatments compared to men and a range of treatment-associated hormonal changes that increase cardiometabolic risk. Biological changes at critical life stages, including menarche, pregnancy, and menopause, put female cancer patients and survivors at a unique risk of cardiovascular disease. Women also face distinct psychosocial and physical barriers to accessing cardiovascular care. We describe the need for a lifespan-based approach to cardio-oncology for women. Cardio-oncology care tailored to women should rigorously consider cancer treatment/outcomes and concurrent reproductive/hormonal changes, which collectively shape quality of life and cardiovascular outcomes.


PMID:37819431 | DOI:10.1007/s11886-023-01967-7

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Allogeneic mitochondrial transplantation ameliorates cardiac dysfunction due to doxorubicin: An in vivo study


Biomed Pharmacother. 2023 Oct 7;168:115651. doi: 10.1016/j.biopha.2023.115651. Online ahead of print.


ABSTRACT


Damage to the mitochondria may lead to serious conditions that are difficult to treat. Doxorubicin is one of the most widely used chemotherapeutic drugs for the treatment of malignancies in children and adults, and reportedly causes damage to the mitochondria. Unfortunately, the dangerous cardiac side effects of doxorubicin appear when the patient is in the midst of a vigorous fight against the disease, either by taking doxorubicin alone or in combination with other drugs. This study aimed to determine whether exogenous healthy and functional mitochondria are internalized by cells, can it help the survival of these cells, and can reduce cardiotoxicity. For this purpose, isolated, pure, and functional exogenous mitochondria were injected into the tail vein of a rat model of doxorubicin-induced cardiotoxicity. After that, the heart function of the rats and their antioxidant status, inflammatory markers, and histopathological examination were investigated. Our findings show that intravenous mitochondrial transplantation provided efficient mitochondrial uptake and reduced cardiotoxicity by reducing ROS production, lipid peroxidation, and inflammation. In addition, the levels of ATP and antioxidant enzymes increased after mitochondrial transplantation; therefore all of these complex processes resulted in the reduction of apoptosis and necrosis in rat heart tissue. These promising results open the way to more effective cancer treatment without the side effects of related drugs. Transplanting exogenous mitochondria probably enhances the cell's mitochondrial network, potentially treating mitochondria-related disorders such as cardiovascular and neurodegenerative diseases, although the exact relationship between mitochondrial damage and these conditions remains unclear.


PMID:37812888 | DOI:10.1016/j.biopha.2023.115651

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Granulomatous peritoneal disease associated with oxaliplatin-based chemotherapy for ampullary adenocarcinoma: a case report


Acta Gastroenterol Belg. 2023 Jul-Sep;86(3):499-501. doi: 10.51821/86.3.11323.


ABSTRACT


Adenocarcinomas of the ampulla of Vater represent only 0.2% of all gastrointestinal cancers. Due to the low incidence no large clinical trials evaluating efficacy of treatments are available. Adjuvant therapy is often administered in patients with stage IB or higher. Oxaliplatin is considered as an effective and well tolerated therapeutic option. Adverse events associated with this therapy include cardio-, neuro-, nephrotoxicity and myelosuppression. Previously granulomatous pulmonary and liver manifestations have been described in oxaliplatin-based chemotherapy. In this report peritoneal manifestation of granulomatous disease associated with oxaliplatin is described for the first time. Sarcoidlike reactions may be misinterpreted as tumour progression or metastatic disease, and may consequently result in over-treatment.


PMID:37814569 | DOI:10.51821/86.3.11323

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